Cume – Escalando Montanhas

28/08/2006

economia baiana

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Bahia

 

Terra de todos os santos e de todos os deuses, a Bahia é o maior centro de sincretismo religioso do Brasil. Estado em cujas costas aportaram pela primeira vez, em 22 de abril de 1500, as caravelas de Pedro Álvares Cabral, é uma das unidades da federação mais estreitamente vinculadas à história do País. Ali foi sediada a primeira capital brasileira, Salvador. Foi também na Bahia que a mistura dos portugueses que chegavam, dos indígenas que ocupavam a terra e, algum tempo depois, dos negros degredados da África como escravos, formou o primeiro embrião da miscigenada sociedade brasileira. A Bahia foi uma das capitanias com maior participação no processo de independência do Brasil e foi, ainda, palco do conflito de Canudos, uma das mais sangrentas revoltas populares registradas na história do País.

 

O estado sempre teve destaque na vida da nação e, a partir da segunda metade do século XX, tornou-se um dos importantes pólos econômicos e culturais do Brasil. A Bahia tem o segundo maior pólo petroquímico do País, perdendo apenas para o Estado de São Paulo, e foi o berço de um dos mais inovadores movimentos de contracultura que ocorreram no País, o Tropicalismo, no final da década de 60. Surgido na esteira da onda hippie no mundo, o Tropicalismo projetou artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, músicos de destaque no meio artístico nacional. Também são da Bahia o compositor Dorival Caymmi e o grande intérprete da bossa nova, João Gilberto, a cantora Maria Bethania, uma das maiores vozes da MPB, Jorge Amado, o escritor brasileiro mais traduzido em todo o mundo (em 60 países dos cinco continentes), Castro Alves, um dos mais discutidos poetas do País, e o cineasta Glauber Rocha, símbolo da vanguarda em sua área.

 

Na Bahia, as festas religiosas e profanas duram o ano inteiro, e a terra é tão cativante que, ao conhecê-la, muitos estrangeiros a adotam como aconteceu com o escultor Carybé, artista plástico argentino que desde 1938 e até sua morte, em 1997, viveu em Salvador. Outros, como o fotógrafo e antropólogo francês Pierre Verger, não só a adotou como dedicou a vida a estudá-la e expor em suas principais obras o sincretismo religioso local. O Estado sempre impôs sua força também na política, projetando algumas das maiores lideranças do cenário brasileiro. Era baiano o jurista e político Rui Barbosa, um orgulho nacional desde o início do século XX, quando participou de conferência da Liga das Nações e, por seu desempenho, passou a ser chamado de Águia de Haia.

 

A Bahia é a mais perfeita síntese do Brasil em termos artísticos, místicos e musicais. Nenhum outro estado assimilou tão bem a mistura do africano, do indígena e do lusitano em sua cozinha, na cultura e na religiosidade. Somou essas três raças de tal forma que terminou irradiando sua influência para toda a nação. O Estado, no entanto, continua a ser o maior centro de Candomblé no País, religião de origem africana que convive lado a lado com a igreja católica. Nas cerimônias, babalorixás, ialorixás e iaôs (pais, mães e filhas de santo) vestem roupas típicas, dançam e cantam ao som de atabaques e agogôs e fazem oferendas aos santos. Esses rituais invocam os Orixás, entidades que têm correspondentes entre os santos católicos. A convivência, porém, entre esses cultos e a igreja católica nunca foi fácil. Durante longo tempo as lideranças católicas pressionaram a polícia para reprimir o Candomblé e, mesmo depois de relativamente aceito, a igreja continuou punindo padres e freiras mais tolerantes com o sincretismo.

 

Quarto estado mais populoso do Brasil, com mais de 12 milhões de habitantes, o Estado é líder da economia no Nordeste e sua capital, Salvador, é a maior cidade da região. A economia baiana sofreu profundas transformações desde os anos 60, com o crescimento da atividade industrial e a modernização do setor de comércio e serviços. À exceção de poucos pólos de desenvolvimento no interior, esse empuxo na economia concentrou-se na Grande Salvador, e o crescimento se acelerou a tal ponto que modificou a composição do PIB regional: a indústria aumentou sua participação no PIB estadual, enquanto a agricultura declinou e as áreas de comércio e serviços sofreram redução.

 

O processo de expansão industrial se acelerou com a instalação, no final da década de 70, do Pólo Petroquímico de Camaçari. Caracterizou-se pela instalação de empresas de pequeno e médio porte, voltadas para a produção de bens intermediários e aproveitando recursos naturais, como petróleo, gás natural e diversos tipos de minérios e produtos agrícolas. Os principais setores da indústria de transformação são a química/petroquímica, a metalurgia, a de alimentos, minerais não-metálicos e bebidas. A Bahia é um dos estados mais ricos em minérios no País. Em 1991, a comercialização nesta área registrou um faturamento de US$ 259,4 milhões. Alavancaram esse desempenho o ouro, concentrado de cobre, magnesita, cromita, sal-gema, barita e manganês.

 

Apesar da queda recente, comércio e agricultura continuam fortes no conjunto da economia nordestina. A agricultura se moderniza principalmente na região irrigada às margens do rio São Francisco, e tem saído da escala regional para a de produção de mercado. O município de Irecê, no sertão baiano, por exemplo, é o maior produtor nacional de feijão. Com 11 milhões de bovinos, a Bahia se posicionava em 1996 entre os seis estados de maior rebanho do Brasil. Tinha ainda 4,5 milhões de caprinos e 3 milhões de ovinos. O comércio mantém seu peso e tradição na região, tanto que a Associação Comercial da Bahia, criada em 1881, foi a primeira entidade do gênero fundada no País.

 

A partir dos anos 60, o turismo adquiriu magnitude no perfil da economia baiana. Pesquisa realizada pela Embratur, empresa governamental de turismo, aponta a Bahia como a segunda porta de entrada de turistas no Brasil, depois do Rio de Janeiro. No início da década de 90, o Estado já recebia 2 milhões de visitantes ao ano.

 

 

 

 

 

Crescimento da economia baiana em 2004 é o maior dos últimos 20 anos. – 10/12/2004

 

O Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia deve encerrar o ano em R$ 82 bilhões, representando um crescimento de 8,5%, maior registrado nos últimos 20 anos. A previsão foi apresentada à imprensa hoje (9), pelo governador Paulo Souto, na Governadoria, a partir de estimativas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão da Secretaria do Planejamento (Seplan).

 

O crescimento da economia baiana pelo 13º ano consecutivo supera mais uma vez o crescimento nacional, estimado pelo Ministério do Planejamento em 5,5%. Somente no auge do Pólo Petroquímico de Camaçari a economia baiana tinha registrado desempenho tão favorável. Souto acredita que a tendência de crescimento seja mantida também em 2005.

 

Paulo Souto ressaltou que as taxas de crescimento previstas pela SEI nos mais diversos setores da economia baiana também revelam a tendência de aumento da participação da Bahia no PIB nacional, devendo se aproximar a 5%. A mais recente apuração, divulgada esta semana pelo IBGE, ainda com relação a 2002, já aponta a expansão, de 4,4% para 4,6%, da participação estadual no desempenho da economia brasileira.

 

Quinta economia

Apesar do crescimento verificado em 49,1% na produção de veículos automotores, por conta de fatores como a implantação do terceiro turno pela Ford e a ampliação da produção para 20 mil veículos por mês, o desempenho da indústria de transformação reflete o aumento de 13,1% do setor de refino de petróleo e álcool. Isto porque o setor de petroquímicos corresponde a, aproximadamente, 50% da indústria de transformação baiana, sendo que a colaboração desta na composição do PIB estadual é de 35%.

 

Os dados da SEI revelam que o ano de 2004 foi tão bom para a economia baiana que mesmo setores isolados que até então enfrentavam dificuldades, a exemplo do comércio e da indústria de construção civil, devem fechar o ano com crescimento de 8% e 3%, respectivamente. Ramos que já mantinham tendências de crescimento, como a agropecuária e serviços (este último fortemente impulsionado pelo turismo), também confirmaram bons resultados nas estimativas feitas pelo órgão: devem crescer 10% e 4,5%, respectivamente.

Os estudos da SEI ainda revelam o peso da política de descentralização de investimentos no aumento das taxas de emprego formal, sobretudo no interior. Enquanto na Região Metropolitana de Salvador, o aumento previsto na taxa de emprego é de 3,95% (ainda refletindo as dificuldades enfrentadas nacionalmente pelas seis principais regiões metropolitanas no país), no interior o crescimento deve fechar em 7,97%.

 

 

 

Bahia: um salto na economia

 

          Quem analisar as contas nacionais do Brasil nos últimos dois anos vai verificar que, na corrida do crescimento econômico, a Bahia está mais para Schumacher do que para Barrichello. O bólido conduzido pela economia baiana, que hoje ocupa a sexta posição no pódio dos maiores produtores nacionais, aproxima-se cada vez mais do carro do Paraná, que ainda detém a quinta posição. Não se trata de ufanismo barato, mas da avaliação de números fornecidos pelo SEI / IBGE.  A taxa de crescimento acumulado do PIB baiano, entre 2003 e 2004, foi de 12,8%, mais do dobro dos 5,5% verificado no país. No mesmo período, a taxa de crescimento acumulada da economia paranaense foi de 7,7%. Já a taxa de crescimento média da economia baiana, no período de 2002/2004, foi de 6,2%, bem superior a do Paraná de 3,8% e o dobro da verificada no país.

          A Bahia vem crescendo mais que o Brasil em todos os segmentos da atividade econômica, mas, na área industrial, o incremento foi extraordinário. O crescimento acumulado na indústria baiana nos anos de 2003 e 2004 foi de 19,6%, seis vezes mais que o crescimento industrial do país. Desempenho desse porte só encontra paralelo, no início dos anos 80, quando da implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari. Naturalmente, a posta em marcha de várias empresas, especialmente o Complexo Automobilístico da Ford, foi determinante nesse crescimento, embora setores tradicionais, como metalurgia e petroquímica também apresentassem desempenho expressivo. O mais importante, porém, é que esse desempenho não é um ponto no gráfico, mas reflete uma tendência já que outras grandes empresas estarão entrando em operação nos próximos anos, a exemplo da Veracell, que dá início a sua produção no segundo semestre deste ano, e as outras, como a Continental e a Bridgestone / Firestone, no ramo de pneus, com operação prevista para 2006. A indústria foi, sem dúvida, o destaque, mas nos dois últimos anos a Agropecuária baiana também apresentou um boom de crescimento ampliando em 14,1% sua produção, desempenho bem superior ao incremento de 8,9%, verificado a nível nacional. A produção agrícola baiana vem registrando um recorde atrás do outro e, em 2004, a safra de grãos atingiu 5,3 milhões de toneladas, 48% maior do que a de 2003, representando 4,5% da produção nacional.  No setor serviços, enquanto a Bahia cresceu 5,4%, o desempenho brasileiro foi de 3,6%.  O PIB baiano já representa 40% do PIB nordestino.  Em termos comparativos, pode-se verificar que, em 2004, no Estado do Ceará cresceu apenas 4,4%, menos da metade do crescimento apresentado pela economia baiana, com sua Agropecuária reduziu-se em 5,5% e a Indústria apresentando crescimento da ordem de 7%. 

           O fato é que a economia baiana deu um salto nos últimos dois anos, elevando sua participação na formação do PIB nacional de 4,6% para 5,1%, em 2004.  O PIB baiano é da ordem de R$ 90 bilhões, aproximando-se do produto do Paraná que atingiu R$ 106 bilhões em 2004, mas, nesse ano, enquanto a economia baiana cresceu 9,8%, a paranaense cresceu apenas 3,9%. Claro que ainda estamos distantes do Rio Grande do Sul, quarta economia do país, com um PIB de R$ 149 bilhões, mas o montante da produção baiana já é maior do que as economias do Ceará e de Pernambuco juntas e do tamanho de muitos países da América Latina.

          Com um desempenho destes, é possível afirmar que, embora não possa ainda ocupar um dos três primeiros lugares no pódio da fórmula 1 da economia nacional, a economia baiana vem correndo com garra, garantindo a sexta posição e acelerando para que nos próximos anos possam se posicionar entre os cinco maiores PIB’s do país.

Publicado no Correio da Bahia em: 24.07.2005

 

As exportações baianas, no primeiro trimestre de 2006, chegaram a US$ 1,457 bilhão, um resultado 33% maior que o mesmo período do ano passado. O crescimento acompanha também as importações, que no período de janeiro a março, foi de US$ 858,5 milhões, 18,2% superior ao ano de 2005, gerando um saldo positivo na balança comercial baiana de US$ 598,6 milhões, correspondendo a um crescimento de 62% sobre o mesmo período do ano anterior.

 

Apesar da valorização do real (o que desestimula as exportações e incentiva as importações) e da queda das exportações de produtos manufaturados, o resultado positivo da Balança Comercial foi obtido graças ao crescimento das vendas externas de produtos básicos, semi-elaborados e petróleo, além da expansão significativa nas exportações de celulose, algodão, sisal, soja, derivados de cacau, frutas e ouro em barras.

 

Quanto ao destino das exportações, no mês de março, destacam-se as vendas para os EUA, seguido da Itália, Argentina e México.

 

http://www.promobahia.com.br/doc/resultados/index.asp

 

 

 

One Response to “economia baiana”

  1. Afrânio Freire Says:

    "Exterminador"! É assim que o articulista Diego faz chamada  para informar de que recebeu  um importantíssimo documento que relata o quanto a Bahia tem crescido.  Muito interessante  e aqui transcrevo alguns parágrafos. Editado pelo colunista Diego Casagrande (www.diegocasagrande.com.br) um informativo sobre o impacto da Ford na Bahia. Feito por uma consultoria independente, revela que o investimento de US$ 1,9 bilhão feito na terra de ACM gerou 8547 empregos diretos e outros 93500 indiretos. E mais. Em 2001, ano em que a montadora começou a operar, a Bahia participava do PIB (Produto Interno Bruto) nacional com 4,35%. Em 2005, cinco anos depois, a participação havia subido para 4,97%. Enquanto isso, em 2005 o Rio Grande do Sul permaneceu nos mesmos 7,8% de 2001, em termos de participação no PIB brasileiro. Mas o que mais chama atenção nos números é o crescimento do PIB per capita na Bahia, sabidamente um indicador importante de distribuição de renda. Em 2000, este era de R$ 3. Chegou às mãos do colunista um importantíssimo trabalho sobre o impacto da Ford na Bahia. Feito por uma consultoria independente, revela que o investimento de US$ 1,9 bilhão feito na terra de ACM gerou 8547 empregos diretos e outros 93500 indiretos. E mais. Em 2001, ano em que a montadora começou a operar, a Bahia participava do PIB (Produto Interno Bruto) nacional com 4,35%. Em 2005, cinco anos depois, a participação havia subido para 4,97%. Enquanto isso, em 2005 o Rio Grande do Sul permaneceu nos mesmos 7,8% de 2001, em termos de participação no PIB brasileiro. Mas o que mais chama atenção nos números é o crescimento do PIB per capita na Bahia, sabidamente um indicador importante de distribuição de renda. Em 2000, este era de R$ 3.665,00, tendo pulado para R$ 7.056,00 em 2005, uma variação de 92,50%. Além disso, a arrecadação de ICMS na Bahia cresceu 108,05% entre 2000 e 2005, contra 101,58% no Rio Grande do Sul e uma média de 88,07% no país. Ou seja, só um verdadeiro exterminador do futuro para desprezar um investimento de tamanha grandeza. 665, 00, tendo pulado para R$ 7.056,00 em 2005, uma variação de 92,50%. Além disso, a arrecadação de ICMS na Bahia cresceu 108,05% entre 2000 e 2005, contra 101,58% no Rio Grande do Sul e uma média de 88,07% no país. Ou seja, só um verdadeiro exterminador do futuro para desprezar um investimento de tamanha grandeza.

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