Cume - Escalando Montanhas

8/11/2008

A Lógica

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 19:01

Esta postagem é um comentário do leitor Haddammann lastreado no artigo do elenco deste intitulado 'A Lógica'  -Haddammann | haddammann@bol.com.br | IP: 201.29.226.212 -

 

Quando garotos e garotas forma reprimidos por aprenderem Lógica Espacial no Brasil em plena ditadura de divina transparência, lá nos EUA pais e professores haviam processado um bando de embusteiros cismados em entupir de religião as escolas, neste mesmo período o desespero e arrogância dos mandantes das máfias do mundo intentaram contra o sangue civil das nações que redundou no conluio do 11/09. Se intentarem mais e mais contra a liberdade do ser civil e cismarem de sufocar as escolas, haveremos de tomar providências em prol da Terra e da Sociedade Humana. Nós não nos erigimos como civilização para sermos covardes e escravos. Na Natureza nada é firmado em cima de mentira.  A Natureza não promove usurpação. Esse e o princípio da Meritocracia.   Líderes não se inventam.  É um capricho da Natureza.  O que expressam os define.  Plágios de líderes mesmo feitos com forte mídia mancham uma nação, descamba a Sociedade.  Fantoches empinados nada têm pra expressar, parecem bonecos de ventríloquos; todos que olham percebem o embuste, mas eles divertem, e os que os escutam pagam por essa diversão.   Discursos ocos, faltos de autenticidade, sem vislumbre dos horizontes, dos préstimos e dos feitos, e do que fazer redunda em apelos a lados emotivos doentes, que já se deixaram engodar; é o triste declínio onde se rarefaz as centelhas de alento entre os que ainda poderiam se valorizar e valorizar uma nação.   Um povo que insiste em aumentar o volume de seus arranjos e enganos é como o moeirão podre que cada vez mais se enche de cupins; é como o barracão rampeiro, em que chega mais um e encosta o travão no outro, e ele vai aumentando e envergando; qualquer um que olha vê o sinistro modo com que ele tomba.  Mas, mesmo acenando todo dia para que saiam desse formato de crescimento, para que reestruturem o que os cobre, nenhum se move, até que a ribanceira escorre, de repente, num dia.   O lastimável estado dos que de um povo se deixam escravizar, apalermados, por religião, por igrejas, é como a galinha sugada pelo morcego no galinheiro. 

 

Morcego

Ele não a suga de uma vez, ela fica zanzando, tonta, pela granja, contaminada por vírus nocivo, ela é facilmente escolhida pelo seu agouro e andar zonzo; por não servir mais pra nada. Na Natureza nada é firmado em cima de mentira.  A Natureza não promove usurpação. Esse e o princípio da Meritocracia.   Líderes não se inventam.  É um capricho da Natureza.  O que expressam os define.  Plágios de líderes mesmo feitos com forte mídia mancham uma nação, descamba a Sociedade.  Fantoches empinados nada têm pra expressar, parecem bonecos de ventríloquos; todos que olham percebem o embuste, mas eles divertem, e os que os escutam pagam por essa diversão.   Discursos ocos, faltos de autenticidade, sem vislumbre dos horizontes, dos préstimos e dos feitos, e do que fazer redunda em apelos a lados emotivos doentes, que já se deixaram engodar; é o triste declínio onde se rarefaz as centelhas de alento entre os que ainda poderiam se valorizar e valorizar uma nação.   Um povo que insiste em aumentar o volume de seus arranjos e enganos é como o moeirão podre que cada vez mais se enche de cupins; é como o barracão rampeiro, em que chega mais um e encosta o travão no outro, e ele vai aumentando e envergando; qualquer um que olha vê o sinistro modo com que ele tomba.  Mas, mesmo acenando todo dia para que saiam desse formato de crescimento, para que reestruturem o que os cobre, nenhum se move, até que a ribanceira escorre, de repente, num dia.   O lastimável estado dos que de um povo se deixam escravizar, apalermados, por religião, por igrejas, é como a galinha sugada pelo morcego no galinheiro.  Ele não a suga de uma vez, ela fica zanzando, tonta, pela granja, contaminada por vírus nocivo, ela é facilmente escolhida pelo seu agouro e andar zonzo; por não servir mais pra nada.

Descascando a bala

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 18:44

Descascando



Descascando a Bala -Parece um detalhe minúsculo diante da grandiosidade do fato histórico que acabamos de presenciar, mas eu começo meu texto falando em quem? Nele, no Presidente Lula. Para ressaltar o que acho ser o vale profundo que separa nossos países.

 

Lula descasca uma bala, Obama a desembrulha. Lula joga o papel no chão e acha isso perfeitamente natural; insiste que no mundo todo isso nem seria notado. Obama, caso aceitasse comer uma bala durante solenidade oficial, poria o papel no bolso até poder jogá-lo numa lixeira. É um detalhe? É, mas daqueles fundamentais, como o sorriso da Mona Lisa: em toda a tela de da Vinci, quanta beleza, quanto talento, quantos simbolismos. Mas o que mais chama atenção? O pequeno detalhe do sorriso.

 

Obama foi eleito presidente dos EUA e não do mundo. Seu interesse primeiro é seu país e o povo americano. Problemas internos, muito sérios, não lhe vão faltar. Mas, pela primeira vez na história daquele país, foi eleito um homem mestiço, filho de um queniano e de uma jovem do Kansas, que passou parte da infância entre o Havaí e a Indonésia, teve oportunidade de conviver com crianças e jovens de outras nacionalidades, de conhecer outras religiões e filosofias, e que por mérito e esforço próprios cursou boas universidades na Costa Leste. Isso o diferencia de todos os outros presidentes americanos.

 

Sobretudo o diferencia de George W. Bush, rapaz muito rico, mas que até ser presidente da República nunca tinha ido além do México. E assim mesmo porque era muito perto de sua casa, talvez até considerasse aquele país a continuação de seu quintal.

 

A eleição foi uma festa, uma linda festa que congregou, e aí está sua maior beleza, a grande maioria dos americanos e não somente os brancos, anglo-saxões e protestantes. Os EUA celebraram aquilo que já deveria ter sido celebrado desde o fim da Guerra Civil, desde que imigrantes começaram a desembarcar de navios abarrotados de gente no porto de Nova York. Finalmente ouviram a voz da Estátua da Liberdade e responderam aos agourentos que achavam aquela grande nação à beira do desaparecimento. Como disse o presidente-eleito na noite de sua vitória: “Foi a resposta dada pelos jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, latinos, asiáticos, índios, homos, heteros, inválidos e não inválidos – somos e sempre seremos, os Estados Unidos da América”.

 

Barack Obama viu mais longe que os outros; não podemos desmerecer a luta e o sacrifício pessoal de Lincoln, de Martin Luther King, de Rosa Parks, dos meninos de Little Rock. Mas Obama viu que o que uniria o país era a força de seu “melting pot” em potencial, e não o ódio, não a vingança, não o punho cerrado, mas o abraço.

 

Pode ser que ele não consiga realizar o sonho das multidões que vibravam e choravam na noite de 4 para 5 de novembro. Seja como for, ele abriu a porta, derrubou barreiras, rasgou a picada, deu os primeiros passos. Torcida não lhe vai faltar.

 

Enquanto isso, no Brasil, o Chefe da Nação não diz duas palavras sem atiçar o fogo, sem jogar brancos contra negros, pobres contra ricos, instruídos contra iletrados, nordestinos contra sulistas, partidos contra partidos, povo contra a Imprensa, todos contra todos. Não fala, grita, berra. Esfalfado, ouve os uivos da platéia, acha que está sendo adorado, e parte para outro palanque.

 

Criou um Ministério da Integração Racial que é tudo que nós menos precisamos. Seu titular teve a idéia de criar a Delegacia do Negro! Se um negro é assaltado, ele vai procurar a delegacia dele, não uma delegacia qualquer. Breve, delegacias para japoneses, coreanos, chineses… E o nome disso é Integração Racial.

“Espero que Obama (…) não vá gastar um ano sem resolver imediatamente a crise. Agora a crise pode ser debitada ao atual governo, mas um ano depois de ele tomar posse é dele também”, disse Lula. Quer dizer, o Obama não pode apelar para a herança maldita do Bush! E ainda: “Acho que ele é suficientemente inteligente para tomar as medidas para evitar que a crise continue”.

 

Pode deixar Lula, Obama é brilhante. Peça ao Amorim para ler consigo o site que ele inaugurou logo no dia 5, Change.gov. Vá direto à política externa. É de chorar de emoção. Depois, leia todo o site e aprenda como se faz política respeitando o povo, o eleitor, o cidadão. O dado concreto, Lula, é que Change.gov é extraordinário!

Por

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa - 7.11.2008 -

Postado in Blog do Noblat oglobo.globo.com

28/06/2008

E o homem

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 18:14

Sobre a história e o homem

deus de
 
Sobre a história e o homem

A história da humanidade parece ser uma das coisas mais extraordinárias que existe no mundo terrenal, e isso se deve ao fato dela ser construída por homens que encaram sua existência como um processo de construção, superação e evolução.

Quando se fala no homem contemporâneo, necessariamente está-se falando de um homem que foi capaz de superar as luzes do esclarecimento moderno. Ora, essa idéia de superação é fundamental na construção do homo sapiens histórico. O homem de ontem não pode ser o de hoje, e tampouco o de amanhã deverá ser o mesmo da atualidade. E tudo isso em virtude do fato de ser o homem uma espécie de animal em construção e não uma coisa acabada ou pronta.

Porém, como é sabido, existem muitas tentativas de uma parametrização do homem e de sua história. Como conseqüência disso, o que se tem é a passagem de uma história viva do humano para uma história morta como a letra daqueles que insistem em sistematizar um homem que é por excelência um ser protestante que rompe com todos os interditos.

A compartimentação em gavetas dos períodos da humanidade outra coisa não faz senão engessar a história de uma caminhada de vida do humano ser. Ora, não se pode dividir a parte pelo todo. Porque Constantinopla caiu ou porque ocorreu a Revolução Francesa, não quer dizer que tudo o que até então aconteceu foi superado, e com isso mesmo os defensores de um engavetamento da história hão de convir, não obstante tais eventos funcionem bem como parametrizadores históricos.

A visão essencialmente cartesiana de uma realidade metódica, sistemática e divida em seções, faz supor uma aguçada capacidade de se manipular o mundo, a economia, a política, a religião, a espécie humana e sua própria história. Porém, tal idéia de manipulação distancia o homem daquilo que realmente ele é, ou seja, um ser encarnado, um ser no mundo, um ser em processo de constante evolução e melhoramento.

Visões de mundo cartesiana e positivista, que se apóiam fortemente numa idéia de progresso, de utilidade, de funcionalidade, de racionalidade e de produtividade, têm, por um lado um aspecto bastante positivo, porém, ao mesmo tempo em que refletem uma idéia progressista de um mundo perfeitamente dividido, refletem também a maquinização e a reificação (coisificação) de um homem que abre mão de sua vivência para adentrar em uma história nada empática, que não se preocupa nem com a alteridade do homem e nem com uma visão holista deste.

É urgente, portanto, que, de uma vez por todas, se entenda a história da humanidade como algo orgânico, que se faz cotidianamente, que se supera dia-a-dia e que, dessa forma, reflete a figura de um homem historicamente construído e encarnado em sua existência, e não de um homem “esquizofrênico”, metódico e idealista que insiste em impor a todo custo limites, datas, convenções e convicções, que na maioria das vezes pouco somam para a real historicidade humana. Ora, a história do homem é muito mais do isso, ela é viva!
Fernando Montes d’Oca

 
 

21/05/2008

Encontro com a alma

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 17:47

Encontro com a alma no espaço virtual - Site na internet faz uma interessante conexão entre dois universos aparentemente incompatíveis: o mundo dos sonhos e o mundo virtual - Há quem suponha impraticável trabalhar as imagens oníricas pela internet. Polêmico, sem dúvida, esse modo de entrar em contato com os sonhos foi desenvolvido pelo analista junguiano de Boston, Robert Bosnak, e sua assistente Jill Fischer, em 1997. Mas além de possível, a prática é uma interessante conexão entre dois universos aparentemente incompatíveis: o mundo virtual e nossas imagens inconscientes. No universo online pode ser associado à linguagem dos sonhos.

spacca

Uma breve introdução sobre a relação que se estabelece entre analista, paciente e sonhos a partir de Freud, entretanto, se faz necessária para melhor compreender essa proposta de trabalho que se desenvolve em grupo. Freud vê no sonho a possibilidade de descobrir, por meio da associação livre, o núcleo das idéias patológicas e as diversas estruturas oníricas rastreando a memória do sonhador. Jung radicaliza essa proposta, permitindo que o sonhador encontre os elos associativos agrupados em torno de cada imagem para recuperar o contexto geral de seu sonho. Robert Bosnak aprofunda ainda mais essa questão, dando total prioridade ao papel do sonhador e atribuindo às imagens oníricas um corpo capaz de liberar a psique definitivamente das amarras do ego, do controle da razão e de qualquer influência que o analista possa ter enquanto intérprete, facilitador ou amplificador. Por Sílvia Graubart Saiba mais indo ao hyperlink: Encontro com a alma no espaço virtual - Mente e Cérebro

10/05/2008

Crise existencial

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 16:53
Oposição em crise existencial A oposição ao governo Lula vive crise existencial aguda. Investiu todos os seus trunfos num monocórdio discurso de combate moral, pontuado por múltiplas denúncias, sem levar em conta o relativismo com que a sociedade brasileira trata o tema. Corrupção, no Brasil, só é problema quando as contas não vão bem. Indo, a tendência é minimizá-la ou mesmo aceitá-la. Não vai aqui qualquer juízo moral, nem depreciação à luta contra a corrupção, mas mera constatação a um fato recorrente na história O mesmo equívoco tático a esquerda cometeu ao tempo do governo militar, ao tentar inutilmente comover a sociedade para o drama da repressão política. No governo Médici, o mais duro nesse quesito, o país vivia o chamado milagre econômico, crescendo a taxas de mais de 15%, índice ainda não igualado. Enquanto a esquerda acusava o general Médici de monstro, os índices de popularidade que ele auferia não paravam de subir, indiferentes aos protestos. Radinho de pilha ao ouvido, Médici ia triunfante ao Maracanã – onde, segundo Nélson Rodrigues, se vaia até minuto de silêncio – e era aplaudido pela galera, para espasmo da oposição. Enquanto isso, em sua retaguarda, grassava a mais feroz repressão política, com censura, prisões, torturas e mortes.



Jornalista Ruy Fabiano


O ex-senador Jarbas Passarinho, que foi ministro de Médici, sustentou à época, e posteriormente também, que aquele teria sido o momento ideal para se promover a abertura política, iniciada no governo seguinte, o de Geisel, quando a euforia econômica declinava. Na sua opinião, e é provável que estivesse certo, não haveria na oposição ninguém para enfrentar a popularidade de Médici nas urnas. O MDB, que, no bipartidarismo imposto pelo regime militar, concentrava as diversas vertentes da oposição, chegou a cogitar de sua autodissolução, só não ocorrida graças à resistência de Ulysses Guimarães e poucos mais. Foi apenas quando a crise econômica se instalou, após 1973, já no governo Geisel, em decorrência do primeiro choque de preços do petróleo, que o quadro virou. A partir de então, com carestia, inflação, desemprego e taxas baixas de crescimento, o discurso oposicionista em prol da redemocratização e dos direitos humanos encontrou eco. No governo Lula, algo semelhante ocorre. Pipocam denúncias de corrupção, a maioria fundamentada – muitas explícitas -, mas nada atinge governo e presidente. A euforia econômica, que vem concedendo ao Brasil graduações no mercado internacional, aumentando a oferta de emprego e o mercado interno de consumo, sobrepõe-se ao varejo moral. As pesquisas mostram o presidente cada vez mais popular, mesmo em segmentos da classe média que não votaram nele. Diante dos números, a reação da maioria das pessoas é a de considerar a corrupção como algo inerente à ação política e, portanto, admissível. Lula apenas estaria fazendo o que todos os governantes fazem. O descrédito de grande parte dos oposicionistas em relação ao tema, por não estarem isento de manchas curriculares semelhantes, faz o resto do serviço, pondo em cena a velha máxima segundo a qual “ou todos nos locupletamos ou então restaure-se a moralidade”. Com os índices econômicos amplamente favoráveis, prevalece a primeira opção. Se, em algum momento, a roda da fortuna deixar de contemplar o governo Lula, o contencioso moral acumulado, de mensalões, ONGs fajutas e dossiês, passa a ter alguma eficácia. Falta à oposição ação propositiva, apontando caminhos. Não pode deixar de lado a vigilância moral, mas não pode fazer dela o seu samba-de-uma-nota-só. Ou acresce outras notas à sua partitura ou continuará a perder de goleada. Não é casual que o candidato favorito à sucessão de Lula seja alguém que, mesmo sendo da oposição, não aderiu ao discurso denuncista: o governador de São Paulo, José Serra. Idem o governador de Minas, Aécio Neves, que não se diz “anti-Lula”, mas “pós-Lula”, o que é bem diferente. Serra e Aécio, em contraste com a oposição parlamentar, buscam afirmar-se por meio de desempenho administrativo e cultivam relações cordiais com o presidente. Sabem que, gostando ou não, estão diante de alguém que, neste momento, simboliza bons resultados. Tancredo Neves dizia que, em política, não se pode agredir os fatos. A oposição parlamentar, neste momento, os agride – e, por isso mesmo, faz de Lula uma espécie de clara de ovo: quanto mais nele bate, mais ele cresce.

* Ruy Fabiano é jornalista. Texto postado in Blog do Noblat de oglobo.globo.com

30/04/2008

Reducionismo

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 22:21

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Reducionismo Perigoso

O reducionismo, neste caso, é a redução sistemática do que se escuta ou lê a seus próprios conhecimentos. O reducionismo indica a atitude da pessoa que, em lugar de ampliar sua percepção com novos conhecimentos, reduz estes ao que já sabe e então rejeita o novo, pois às vezes o que é novo é apenas uma sutileza. Esta atitude é uma espécie de cegueira mental, pois devemos estar sempre ampliando nossa percepção e, não, dando chance a que ela se reduza, até inconscientemente. As pessoas que lêem ou assistem a palestras devem justamente procurar captar o que amplia sua percepção, ainda que em alguns casos, haja apenas uma pequena diferença, embora fundamental, entre o que ela ouve ou lê e o que já sabe. É claro que, na evolução do conhecimento, partimos do conhecido para o desconhecido. Também numa exposição, o autor vai caminhar do que já é bem conhecido para chegar ao que ele acrescentou com sua percepção, seus estudos e conclusões. A pessoa que pratica esse tipo de reducionismo tem a mente fechada, e em mente fechada nada entra e o conhecimento fica andando em círculo, como se os conceitos que a pessoa aprendeu antes fossem definitivos. Saber ler, assim como saber ouvir, não significa apenas decodificar o significado das palavras escritas ou proferidas. Para que uma pessoa amplie sua percepção, é preciso que aprenda a ler procurando sentir o que a leitura trouxe de novo, é preciso que aprenda a ouvir procurando encontrar idéias. Dizer-se que uma pessoa se “forma” quando cola grau, é uma ficção e que acreditar que sabe o suficiente dentro de sua “especialidade” está fadada à expulsão do mercado de trabalho.

Prof. Luiz Machado - 24/04/2008

24/04/2008

Emerge o Mal

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 19:23

Da soberba humana emerge o mal

Sobre o Mal - Fernando Montes D'Oca

Da soberba humana emerge o mal. Com este feedback talvez seja possível elucidar a questão da maldade no mundo.

Ao longo da história da humanidade houve muitas tentativas de se personificar e/ou entificar tanto o bem como o mal. Tais empreendimentos, não obstante o fracasso anunciado por pretensões intelectuais e pseudomorais, ainda hoje encontram um significativo lugar na vida das pessoas.

Muito se creu e se crê que o mal não só pode tomar forma humana como tem um lugar que lhe é próprio. Basta lembrar os exorcismos e as formulações da “teologia do cagaço”, que pregava muito mais sobre o diabo e sua morada infernal do que propriamente sobre deus. Infelizmente, parece que hoje isto ainda se repete em denominações religiosas menos tradicionais.

O mal entificado, por assustar muito mais do que um mal entendido como um conjunto de ações pouco edificantes e prejudiciais à pessoa humana, financiou não só o estabelecimento de uma estrutura dominadora e subjugadora dos mais fracos, como a disseminação de um terror coletivo nas mentes das pessoas.

A estratégia de exteriorizar o mal, isto é, de jogá-lo para fora da psique, da razão e da moral humana, trata-se de um subterfúgio para “tirar o mal do homem”, ou seja, para dizer que este por si não é mau, mas poderá sê-lo, caso acometido por uma entidade maligna. Ora, esta parece ser a matriz dos filmes de terror. E não sem razão o é, haja vista que tal concepção da idéia de mal esteve em voga no período histórico que faltava esclarecimento (razão) ao homem. De fato, a ambivalência bem versus mal parecia explicar tudo. Antes fosse assim! A oposição bem/mal, valorizadora do mal, só “serviu” para alienar cada vez mais o homem.

É preciso compreender a realidade não objetivamente ou de fora para dentro, mas do humano (sujeito) para fora. O mal é humano e não diabólico, sob a acepção que erroneamente se faz. O que divide, sim, é (di)abólico. Fazer o bem ou o mal, tal como ser bom ou mau compete exclusivamente ao homem. O mal não reside em entidades ou seres de “outro mundo” (mundo paralelo), assim como ser bom não é uma qualidade exclusiva dos santos, dos anjos ou de deus.

Mais do que nunca, urge uma compreensão horizontal da realidade, aliás, somente tal entendimento é passível de ser atingido. Os gregos rechaçaram os mitos seis séculos antes de Cristo, porém parece que ainda hoje se vive num mundo fantasioso, alegórico e mítico.

É possível dizer, sem titubear, que o único “verdadeiro” mal no mundo emerge da soberba, e ainda, falando evangelicamente, do interior do coração (Mc 7,15-23). Ora, impuro não é o que entra na boca do homem, mas o que sai dela. Eis a sede do mal: o interior do homem. Muitos buscam se precaver de males externos ou entificados, quando, na verdade, o mal reside no coração e na razão.

O mal no mundo não é fantasioso, mas real, e tem sua gênese, por assim dizer, nas ações que ferem a dignidade humana. O mal nasce da mentira, do desejo de vingança, da vontade de querer passar por cima dos outros, nasce das traições, nasce da morte anunciada, da ambição, nasce do orgulho que aterroriza, fere e mata. Não é à-toa que o primeiro ensinamento bíblico, apesar de toda alegoria poética, remete a soberba do primeiro homem. O mal não está, portanto, no réptil rastejante, mas no bípede de razão.

* Licenciado em Filosofia pela UFSM e acadêmico do Curso de Letras da URCAMP.

O Prazer

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 19:09

Explosões de Prazer

Explosões de Prazer - Estudos mostram o que acontece no cérebro durante o orgasmo; diversas áreas são desativadas, tal como disjuntores que se desacoplam devido a sobrecarga elétrica - Ela sabia que o local era pouco apropriado. Além disso, não costumava ter emoções que a deixassem fora de controle. Mas não havia como evitar a paixão à primeira vista, a vontade de transgredir, de se atirar nos braços do primo que, como ela, viera se despedir do tio falecido. “Isso só pode ter sido coisa daquele adesivo”, disse Marianne ao entrevistador, que pacientemente preenchia um questionário. Marianne é uma das participantes de um estudo realizado em 52 centros de pesquisa nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Todas elas manifestavam a síndrome do desejo hipoativo, condição em que a libido simplesmente desaparece da vida da mulher. Essas mulheres haviam sido submetidas à cirurgia que remove ovários e trompas. Outra condição para que elas participassem do estudo era a de que o desejo sexual estivesse presente antes da cirurgia. Na tentativa de restaurá-lo, elas foram tratadas com um adesivo à base de testosterona. Como em todo estudo científico, metade do grupo recebeu um adesivo sem valor terapêutico, o conhecido placebo.
  • Ternura



Depois de 12 semanas, Marianne se sentia outra mulher. O desejo sexual voltou na forma de discretas fantasias, depois na descoberta das sensações eróticas por meio do próprio toque, até que ela pôde entregar-se ao marido novamente e, pela primeira vez depois de quase três anos, desfrutar um orgasmo. A pontuação que comparava sua condição antes e depois do uso do adesivo mostrava 100% de melhora. O que é mais estranho, paradoxal e inexplicável é o fato de Marianne ter sido incluída no grupo de mulheres que recebeu placebo, não testosterona. Vale ressaltar que a pontuação daquelas do grupo tratado com o hormônio masculino mostrou melhora de 250%. Para Marianne, o importante era ter sua vida sexual de volta; estatística à parte, era isso que bastava.
Martin Portner é neurologista, mestre em neurociências pela Universidade de Oxford e autor de A senha da virilidade (Editora AGE, 1996) e de Inteligência sexual (Editora Gente, 1999). Nos últimos anos realiza palestras e oficinas sobre capacidade cerebral e criatividade. - Saiba mais indo ao hyperlink: Explosões de PRAZER - Mente e Cérebro.

3/04/2008

A mosca azul

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 19:49

Certa Mosca Azul

Consta que apenas aos mais chegados Rui Barbosa confessou que situação mais vexatória que viveu não foi, como se pensou, a suprema humilhação de ser derrotado pela correspondência européia de Epitácio Pessoa na eleição presidencial de 1919. Pois é, leitor, no Brasil já teve presidente eleito que passou a campanha eleitoral inteira na Europa e só botou os pés no país quando teve de tomar posse. Foi assim. Eleito para um segundo mandato em 1918 (cumprira o primeiro de 1902 a 1906), Rodrigues Alves não chegou a tomar posse. Morreu no início de 1919. Em seu lugar, na condição de presidente em exercício, governava Delfim Moreira. Como Rodrigues Alves morreu antes que se completasse mais da metade do mandato, o mandamento constitucional exigiu que se convocasse nova eleição. Ocorre que as disputas de bastidores entre gaúchos, paulistas e mineiros chegaram a um impasse e para o governo a solução foi buscar um nome para a candidatura oficial que não perturbasse o equilíbrio de poder da época, obtido pela alternância entre Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais.Favorecido pela projeção dentro e fora do Brasil, o paraibano Epitácio Pessoa, mesmo em viagem pelo exterior, chefiando a delegação brasileira na Conferência de Paz, em Paris, calhou de ser o escolhido para assumir a postulação do governo. Não obstante enfrentar o candidato palaciano significar, na época, dar murro em ponta de faca, Rui Barbosa se atreveu. Talvez contasse com o fato de que o adversário estaria fora do país. Não adiantou. Teve menos da metade dos votos dados às missivas de Pessoa. Mas a chateação de que tanto Rui se queixava ocorreu durante a campanha. Além do aspecto de missão impossível de que se revestia a empreitada, era a terceira vez que ele tentava. Por isso, ao comentar a iniciativa, o jornalista Sertório de Castro pretendeu dar a medida da teimosia do baiano escrevendo que Rui fora "fitado pela mosca azul". Poucas vezes uma expressão remeteu uma candidatura tão depressa da respeitabilidade à galhofaria. Hoje se diz, usando uma corruptela da frase original, que um determinado fulano foi "picado pela mosca azul", e o considerado não está nem aí. "O tempora, o mores!" Naquela época, o eleitorado inteiro era também a elite cultural do país e o efeito foi devastador. Dizer-se de alguém que fitara ou fora fitado pela mosca azul era uma gozação só.





Como se tentará explicar a seguir. PODER, RIQUEZA E GLÓRIA "A Mosca Azul" vem a ser um dos mais belos e célebres poemas de Machado de Assis. Em 1919, era como um sucesso de Roberto Carlos - não havia quem não o recitasse de cor e salteado. "Era uma mosca azul, asas de ouro e granada, Filha da China ou do Indostão, Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada, Em certa noite de verão… Um poleá que a viu, espantado e tristonho, Uma poleá lhe perguntou: Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho, Dize, quem foi que to ensinou?. Então ela, voando, e revoando, disse: - Eu sou a vida, eu sou a flor Das graças, o padrão da eterna meninice, E mais a glória, e mais o amor". Nesse ponto é que o bicho começa a pegar. O poleá fixa o olhar no inseto e, num processo de auto-hipnose, vai ao transe. "E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo, E tranqüilo, como um faquir, Como alguém que ficou deslembrado de tudo, Sem comparar, nem refletir. Entre as asas do inseto, a voltear no espaço, Uma cousa lhe pareceu Que surdia, com todo o resplendor de um paço E viu um rosto, que era o seu. Era ele, era um rei, o rei de Cachemira, Que tinha sobre o colo nu, Um imenso colar de opala, e uma safiraTirada ao corpo de Vishnu".




Seguem-se visões fantásticas, delírios de poder, força, riqueza e glória. "Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas, Aos pés dele, no liso chão, Espreguiçam sorrindo, as suas graças finas, E todo o amor que têm lhe dão… Vinha a glória depois; - quatorze reis vencidos, E enfim as páreas triunfais De trezentas nações, e o parabéns unidos Das coroas ocidentais". No melhor da festa, vencido pela curiosidade, o poleá arrebata a mosca azul e parte com ela para casa. "Alvoroçado chega, examina, e parece Que se houve nessa ocupaçãoMiudamente, como um homem que quisesse Dissecar a sua ilusão. Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela, Rota, baça, nojenta, vil, Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela Visão fantástica e sutil".





O sonho acabara, mas a história não. E é no desfecho que está o motivo da indignação de todos acerca de quem se dizia terem sido fitados pela mosca azul. "Hoje, quando ele aí vai, de áloe e cardamomo Na cabeça, com ar taful,Dizem que ensandeceu, e que não sabe como Perdeu a sua mosca azul". Machado não teve a intenção de humilhar ninguém. A transposição da alegoria para a política, operou-a Sertório de Castro. Não dá para ler Machado sem um dicionário à mão. Poleá é a designação para indivíduos inferiores no sistema de castas indiano. Por aqui, seria algo como pária, desocupado.




Vishnu é uma deidade hindu. Aloé e cardamomo são plantas típicas da Índia. Já um "ar taful" é aquela expressão ao mesmo tempo alegre e atoleimada exibida pelos doidos mansos, por assim dizer, quando dados a manifestações efusivas. As boas maneiras impedem o repórter de citar algumas figuras públicas locais como exemplos. Com mais ou menos intensidade, salvo as exceções que confirmam a regra, o simples ato de registrar uma candidatura deixa todos que o fazem vulneráveis ao "efeito mosca azul". Quem disputa uma eleição tem, invariavelmente, delírios vendo-se no cargo. Por menor que sejam as probabilidades do candidato, o "efeito mosca azul" anula o seu senso crítico e o impede de enxergar a realidade. É uma das mais fortes eclosões do auto-engano, esta que leva o indivíduo a acreditar piamente no imponderável. O "efeito mosca azul" está em expansão. Diante de fenômenos como Ivo Cassol, Fátima Cleide e Roberto Sobrinho, não são poucos os que esperam contar com o mesmo fado. Depois, não saberão como perderam a "mosca azul" e andarão pelas ruas com ar taful.

Origem de 'Picado pela Mosca Azul' - Paulo Queiroz - Postado in inervox.nce.ufrj.br

31/03/2008

Move-se

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 18:42

A América se move

A América se move - Sérgio Fausto - Os anos de Bush filho na Casa Branca marcam o ápice da onda conservadora nos EUA. Nenhum dos candidatos na disputa sucessória, porém, é de continuidade. Nem mesmo John McCain, já escolhido pelos republicanos. Falta-lhe o que sobra a Bush filho: o fervor religioso e a visão teológica do mundo. Estará a cena eleitoral refletindo mudanças duradouras nas correntes mais profundas da sociedade americana? É difícil exagerar a influência do fundamentalismo religioso na Casa Branca a partir de janeiro de 2001. Desde então, as mais importantes iniciativas do governo norte-americano carregaram, em altas doses, ingredientes de uma visão segundo a qual os EUA seriam uma nação cristã empenhada numa batalha moral em duas frentes: externamente, contra o “eixo do mal”; internamente, contra o secularismo patrocinado pelo “establishment liberal” (artistas de Hollywood e jornalistas do New York Times, para ficar apenas em dois ícones). Essa visão esteve presente na justificativa à invasão do Iraque, nas restrições às pesquisas com células-tronco embrionárias, nas políticas sociais, com fundos federais fluindo preferencialmente para organizações religiosas, nas pressões pela inclusão do criacionismo, em oposição ao darwinismo, nos currículos escolares e, mesmo, mais indiretamente, na recusa cética às evidências científicas do aquecimento climático provocado pela ação humana, um dos elementos justificadores da retirada dos EUA do Protocolo de Kyoto. A ascensão da direita religiosa nos EUA remonta ao final dos anos 1970. Sua estratégia foi tomar pela base o Partido Republicano, com um exército de fiéis ligados às igrejas dos ramos não tradicionais do protestantismo, chamadas evangélicas. E a partir daí estender sua influência nacionalmente. Política e religião passaram a andar de mãos dadas. “Convertam (ao evangelismo) e registrem (no Partido Republicano)” era a palavra de ordem de Jerry Falwell, líder da Moral Majority, um dos vários movimentos da direita religiosa empenhada em mobilizar a reação de uma “maioria” até então silenciosa, mas insatisfeita com o crescente domínio do secularismo na cultura e na política americanas. Eles acreditavam que, numa sociedade politicamente apática, em que o comparecimento às urnas em geral mal alcança 50% do eleitorado, uma minoria ativa e bem organizada poderia vir a dar o tom. Estavam certos. Nos anos seguintes, a influência eleitoral da direita religiosa não parou de crescer, nem mesmo no governo Clinton, a despeito do bom desempenho da economia. Em 1994, depois de 40 anos, os democratas perderam o controle de ambas as Casas do Congresso. No mesmo ano, o Partido Republicano passou a ter maioria em 19 Legislativos estaduais, um a mais do que os democratas, tendência que se acentuou nos anos seguintes. Em 2004, nada menos que 40% do Congresso americano - 44 senadores e 186 deputados, todos, menos 5, do Partido Republicano - votou em 80% a 100% das vezes alinhado com a agenda da direita religiosa. É nos ombros dessa ascensão que Bush se torna candidato do Partido Republicano em 2000 e duas vezes presidente da República. Reagan e Bush pai fizeram compromissos com a direita religiosa por razões de cálculo eleitoral. Bush filho é a direita religiosa. Ele próprio um cristão renascido, conceito característico das igrejas evangélicas (o renascimento decorreria da entrega da vida a Cristo, implicando um compromisso com a missão evangelizadora). Ao que parece, a missão presidencial não foi cumprida. Externamente, basta olhar a situação do Iraque. Internamente, vejamos o que diz um relatório publicado, ao final de 2007, pelo Pew Center for Public Opinion and the Press, um dos mais respeitados institutos de estudo sobre tendências de opinião pública nos EUA. O documento traz informações sobre atitudes e valores dos americanos em relação a um amplo conjunto de temas, no período de 1987 a 2007. A tendência é clara: o conservadorismo extremado perde terreno. A cena eleitoral reflete essa tendência. Em 1987, 51% dos americanos apoiavam a demissão de professores homossexuais pelo fato de serem homossexuais. Em 2007, o porcentual reduziu-se a 28%. A redução ocorreu em todos os grupos demográficos, inclusive entre os brancos evangélicos: neste caso, de 73% para 42%. A crença de que a aids é uma punição divina pelo mau comportamento sexual seguiu a mesma direção: os que sustentam essa posição diminuíram de 43% para 23%. O apoio a pesquisas com células-tronco embrionárias - que o governo Bush buscou restringir de variadas maneiras - cresceu 13 pontos porcentuais desde a primeira sondagem disponível sobre o tema: de 43% em 2002 para 56% em 2006, um aumento observado em todos os grupos demográficos. Não parece brilhante o futuro da direita religiosa. O mesmo relatório do Pew Center mostra que o conservadorismo moral se reduz da geração nascida antes de 1946 para as gerações posteriores. A maior diferença está entre os nascidos antes e depois de 1946, mas o afastamento em relação aos valores conservadores é perceptível também quando se compara a geração mais jovem, nascida depois de 1977, com a geração nascida entre 1946 e 1977. Isso não quer dizer que os EUA se estejam transformando numa nação laica, cosmopolita e liberal; tampouco que a direita religiosa esteja politicamente morta. Ela representa ainda cerca de 30% dos americanos, não por acaso o mesmo porcentual de apoio que restou a Bush depois de sete anos de mandato e uma coleção de desastres políticos. Mas não parece haver dúvida de que entrou em declínio o fundamentalismo religioso que influenciou um leque tão amplo de políticas, com repercussões dentro e fora dos EUA, nos últimos sete anos. É uma boa notícia para o mundo.

Sergio Fausto, cientista político, ex-assessor do Ministério da Fazenda, é coordenador de Eventos e Projetos do Instituto Fernando Henrique Cardoso E-mail: sfausto40@hotmail.com Excertos in estado.com.br

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