Barack Obama
A vitória de Obama
Tudo isso é verdade - e daí? Nada diminui o brilho de uma vitória que em março último, vejam bem, há apenas oito meses, parecia mais do que improvável. Pois bem: em prazo tão curto, Obama soube vender de forma convincente o sonho da mudança. E, mais importante: soube levar milhões de norte-americanos a se comportarem como agentes da mudança. Por um lado, a campanha dele foi convencional porque dispôs de todos os recursos postos à disposição de qualquer campanha que tenha dinheiro. Por outro lado, foi uma campanha atípica, heterodoxa. Porque dependeu para que desse certo da intensa participação dos eleitores. Foi isso que explicou o elevado grau de comparecimento às urnas de eleitores que não são obrigados a votar. Em janeiro, quando despachar pela primeira vez no Salão Oval de Casa Branca, Obama certamente sentirá saudades dos meses de campanha e se lembrará deles como meses relativamente amenos e agradáveis se comparados com os que terá pela frente.
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ANÁLISE-
Obama aponta armas para 'era Greenspan' -
"Em um momento como este, não podemos arcar com mais quatro anos de gastos crescentes, cortes de impostos pensados de forma precária ou uma falta completa de supervisão reguladora, algo que mesmo o ex-presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA) Alan Greenspan agora acredita ter sido um erro", escreveu Obama em um artigo publicado nesta semana no jornal The Wall Street Journal. Para os mercados financeiros dos EUA — e de outros países que seguiram o exemplo das bolsas norte-americanas — isso significa provavelmente uma enxurrada de leis com vistas a proteger os proprietários de imóveis e os devedores, ao mesmo tempo em que aumentariam as restrições para os bancos e para os investimentos que vendem. Obama propôs ainda adotar um plano de estímulo ao crescimento econômico que incluiria gastos com obras de infra-estrutura. E o presidente eleito defende reformar a lei de falência a fim de ajudar os proprietários de imóveis e facilitar a reestruturação de hipotecas problemáticas. Greenspan, um defensor convicto do livre mercado, recebeu o apelido de "o maestro" — o mandato dele à frente do Fed coincidiu com um longo período de forte expansão da economia. No entanto, mais recentemente, o ex-presidente do banco central tornou-se um símbolo da desregulamentação e um alvo de críticas por ter permitido que as instituições financeiras escapassem da supervisão do governo. Enquanto os prejuízos acumulavam-se em todo o mundo, no final de outubro, Greenspan reconheceu ter errado "parcialmente" ao resistir à intervenção do poder público para regulamentar alguns tipos de investimento. "Os que, dentre nós, apostaram no interesse de autopreservação das instituições credoras para proteger o investimento dos acionistas — eu em especial — encontram-se em um estado de descrença", afirmou o ex-presidente do Fed ao Congresso. Obama não terá o luxo do tempo. Há poucas dúvidas de que a economia norte-americana caminha para uma recessão, talvez a mais profunda desde os anos 70, e a economia global enfrenta o perigo real de sofrer sua primeira desaceleração em sete anos. Líderes do mundo todo não vão esperar pela posse do novo presidente a fim de planejar a maior reforma do sistema financeiro global desde a Grande Depressão (nos anos 30). Obama, no entanto, não deve participar do encontro de 15 de novembro do Grupo dos 20 (que reúne países ricos e emergentes). A reunião foi convocada para discutir a crise financeira. Os investidores não têm dúvida sobre a chegada de regras mais rigorosas. "Os participantes do sistema financeiro como um todo deveriam ter em mente que o senador Obama enviou um sinal muito claro sobre pretender adotar uma agenda ativa como presidente", afirmou William Donovan, do escritório de advocacia Venable (de Washington) e ex-consultor-geral da Associação Nacional das Entidades de Crédito Federal dos EUA.
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Obama já soma 349 votos no Colégio Eleitoral
A vitória de Obama representa um forte rechaço à gestão de George W. Bush, no fim de seu segundo mandato. O máximo que Bush conseguiu no Colégio Eleitoral nas duas eleições que venceu foi 286 votos. Além disso, Obama avançou sobre Estados que antes eram bastiões republicanos, como a Flórida, Indiana e Virgínia. Neste último, nenhum democrata vencia desde Lyndon Johnson em 1964.
O senador em primeiro mandato, de 47 anos, filho de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro do Quênia, explorou o profundo descontentamento atual e prometeu uma era de mudanças e esperança ao longo de uma campanha impecável de 21 meses.
"Se há alguém que ainda duvida que nos Estados Unidos tudo é possível, pergunta se o sonho dos pais da pátria segue vivo, questiona o poder de nossa democracia, esta noite tem sua resposta", afirmou Obama em seu primeiro discurso como presidente eleito. Falando diante de uma multidão em um parque de Chicago, ele afirmou que o país enfrenta "os maiores desafios: duas guerras (no Iraque e no Afeganistão), um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século". O novo presidente assume em 20 de janeiro, 43 anos depois do fim de uma lei que na prática impedia os negros de votar em muitos Estados do sul do país.
Congresso - Os democratas também conseguiram vantagem nas duas Casas do Legislativo. No Senado, asseguraram pelo menos 56 das 100 cadeiras, avançando sobre cinco postos antes ocupados por republicanos. Na Câmara dos Representantes, apareciam com 251 deputados, ante 171 dos republicanos, um ganho de 20 assentos dos democratas.
Joe Biden, companheiro de chapa de Obama, manteve seu cargo de senador por Delaware. Como ocupará a vice-presidência, seu posto deve ser ocupado por uma pessoa indicada pelo governador democrata de Delaware.
Os democratas John Kerry, de Massachusetts, Frank Lautenberg, de Nova Jersey, e Richard Durbin, de Illinois, conservaram seus postos no Senado. Os republicanos Lamar Alexander (Tennessee) e Susan Collins (Maine) conseguiram o mesmo. Já a republicana Elizabeth Dole perdeu seu assento para o democrata Kay Hagan, na Carolina do Norte.
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Democratas ampliam maioria no Senado e na Câmara -
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