a fome de lula
A fome de Lula -Villas Bôas Corrêa – 08.08.2006 – Incorrigível frasista nos embalos do improviso, o candidato-presidente Lula acrescentou mais uma pérola ao colar da sua campanha, no primeiro comício inaugural, em Governador Valadares (MG), com o palanque adornado pela presença do aliado, candidato a senador, o conhecido ex-governador de Minas, Newton Cardoso, que ocupa espaço como peso-pesado de barriga tão volumosa como o seu rico prontuário.
Em nenhum momento, Lula deixou transparecer o constrangimento que embaraçava os candidatos do PT a mandatos no Legislativo. Ao contrário, com ruidoso bom humor abraçou o novo correligionário – que compõe com o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, e com o também ex-governador do Pará, atual deputado Jáder Barbalho, a trinca de seus assessores éticos – e caprichou no discurso, arrancado aplausos da multidão de cerca de 2.500 petistas presentes, devidamente advertidos para não vaiar o aliado estreante.
O orador defendeu a prioridade do Bolsa-Família como o carro-chefe da campanha e rebateu a ranzinzice dos críticos da oposição. Foi enfático: “Como este que vos fala já passou fome, sei que para aquele que toma café de manhã, almoça e janta todo o dia, talvez o Bolsa-Família seja assistencialismo.” Caprichou na promessa: “Se isso for assistencialismo, eu vou fazer muito assistencialismo, porque vou continuar cuidando do povo pobre desse país.”.
A memória de Lula costuma embaraçá-lo no cipoal de contradições. Na comovente história da sua infância de menino pobre e na juventude de conhecidas dificuldades, as lembranças de períodos de panelas vazias misturam-se na omelete das recordações. No seu longo depoimento de 100 páginas do clássico livro da escritora petista Denise Paraná – Lula, o filho do Brasil – desfilam mais de uma dezena de referências que desafiam a conexão da coerência.
Na página 72, o desabafo soa como cantoria desafinada: ”Muitas vezes eu cheguei a passar fome. Não passar fome de não ter nada para comer. Ter o que comer às vezes você tem. Mas, nem sempre o que você tem é aquilo que está com vontade de comer”. Um tanto confuso, não?
Nas muitas referências ao pai, Aristides |Inácio da Silva, o conflito entre o reconhecimento das raras qualidades com a imagem amarga do gênio violento, impiedoso nas sovas aos irmãos e o abandono da esposa, a Dona Lindu, guardada na moldura da mãe heroína. Como na pág. 52: “Meu pai era essa figura trabalhadora. Trabalhava muito, mas muito mesmo. Era responsável do ponto de vista de não deixar faltar comida m casa. Mas, era por demais violento e uma violência de ignorância”.
O pai abandonou a esposa e sete filhos em Guaranhuns, no sertão de Pernambuco, e foi tentar a vida em São Paulo, com a nova companheira, uma prima menor de idade. Lula tinha sete anos quando Dona Lindu com seis dos sete filhos, nas sacudidelas de um caminhão, o pau-de-arara tosco, mudou-se para São Paulo, decida a recomeçar a vida sem o marido.
Na tentativa frustrada de reconciliação, Lula conta (pág. 52) que “naquele dia o meu pai chegou a casa e trouxe uma despesa enorme: trouxe bacalhau, trouxe carne-seca. Porque naquele tempo bacalhau – é interessante isso – era essa coisa sofisticada que é hoje, pobre também comia”.
Na pág. 55, Lula arremata as reminiscências paternas: “Quando nós estávamos no Nordeste e meu pai aqui (SP), ele nos mandava dinheiro. Desse tipo de coisa a gente não pode se queixar. Ele nunca faltou com os compromissos. Sabe aquele negócio dos compromissos do princípio do século? O compromisso era o seguinte: eu garanto o feijão, o arroz, o pão e o lar. Isso tudo ele garantiu.” E a marretada na ferradura: “Mas era péssimo marido. Ele brigava muito. Invocava muito com as minhas irmãs, com todo o mundo. Tanto que o coitado morreu como indigente. Meu pai morreu em 1978 como indigente.”.
Das reminiscências da juventude em São Paulo, na briga por emprego, antes do envolvimento com as lutas sindicais, o registro de tempos difíceis, como da pág. 83: “Em 1965 eu fiquei parado muito tempo. Era uma situação muito difícil, tinha muita miséria na minha casa. Nós passávamos muitas privações.”.
E parágrafos adiante: “Foi uma crise de desemprego em 1965 muito, muito pesada. Eu sobrevivia fazendo bico para ganhar algum dinheiro. Eu comia o pão que o diabo amassou. Eu me lembro que chegava na hora de comer e não tinha o que comer; se tinha era arroz e batatinha cozida no molho. Não tinha carne, não tinha frango. Foi um período muito ruim na nossa vida.”.
O destino guiou o presidente Lula para as veredas da bonança. Desde que foi atraído pelo movimento sindical, aos 23 anos de idade, e galgou os degraus da liderança, só fez na vida o que gosta. Até hoje. Viajou pelo Brasil e pelo mundo, foi deputado constituinte com escassa presença, presidente do PT e candidato a presidente em quatro campanhas. Continua em campanha, pouco pára no seu gabinete no Palácio do Planalto. E é o favorito para novo mandato de quatro anos. Vida que segue.
A seguir, para refrescar a memória, segue um pequeno relato de alguns novos companheiros:
Jader Barbalho 
Deputado Federal foi governador do Estado do Pará, Ministro e Senador. Responde por processo criminal no STF (Supremo Tribunal Federal) no qual é acusado de crime de peculato, praticado na época em que governou o Estado do Pará, tendo participado no desvio de US$ 913.315,86 do Banco do Estado do Pará (Banpará), durante a gestão dele no governo do Pará (1984 a 1987). O esquema envolvia a transferência de verbas públicas do Banpará para aplicações em fundos de renda fixa no banco Itaú. Ele sempre negou as acusações. O inquérito do caso Banpará tramita no Supremo desde agosto de 2001. Na época, Jader era senador, mas renunciou ao mandato para escapar de processo de cassação. Em 2002, ele se elegeu deputado.
Ele também é acusado de desvio de dinheiro da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e de venda de TDAs (títulos da dívida agrária) que teriam sido emitidos de forma fraudulenta quando ele foi ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário, no governo do ex-presidente José Sarney.
Orestes Quércia 
Orestes Quércia nasceu em Pedregulho (SP), mudou-se, ainda jovem, para Campinas. Jornalista e advogado iniciou a carreira política como vereador (1963). Já filiado ao MDB, foi deputado estadual (1967) e prefeito (1969). Em 1974, elegeu-se senador da República. Foi um dos fundadores do PMDB, presidindo-o entre 1991 e 1993. Em 1986 foi eleito governador de São Paulo.
Duda Mendonça
Duda Mendonça é publicitário especializado em marketing político, responsável por diversas campanhas eleitorais no Brasil, como as de Paulo Maluf e de Luiz Inácio Lula da Silva.
Seu nome esteve envolvido em diversas investigações de corrupção. Segundo apuração do Ministério Público de São Paulo, a construtora Mendes Junior e o ex-prefeito Paulo Maluf abriu contas no exterior para esquentar dinheiro desviado no caixa dois de obras de Avenida em São Paulo. Parte deste dinheiro abastecia uma offshore de Duda, a Eleven. Segundo a Promotoria, esse esquema ocorreu em 1998, quando Duda fez a campanha de Maluf ao Governo de São Paulo. Em depoimento, o doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi, disse que, a pedido de Flávio Maluf, filho de Maluf, fez sete transferências para Duda na Eleven, em 1998, o que soma um total de US$ 6,88 milhões.
Em outubro de 2004 foi preso em flagrante pela Polícia Federal durante uma operação da Polícia Federal de repressão às rinhas de galo num sítio entre Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.
Em 2005, apareceu na lista de Marcos Valério como um dos beneficiários do esquema do mensalão. Ao depor na CPI dos Correios, Duda Mendonça revelou o uso de conta no exterior para receber do PT pagamentos por serviços prestados em campanhas de 2002, por meio de caixa 2, dizendo que criou uma offshore com esse objetivo, a Dusseldorf, uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Bahamas, mas que tem uma conta em Miami (EUA).
Marcos Valério
Marcos Valério Fernandes de Souza, conhecido como o operador do “mensalão” (suposto esquema de pagamento de mesadas de R$ 30 mil a deputados), é natural de Minas Gerais e começou sua vida profissional como funcionário do Banco Estadual de Minas Gerais, onde trabalhou 20 anos. Em 1996, entrou para o ramo publicitário quando entrou como sócio de Clésio Andrade na agência de publicidade SMP&B. Algum tempo depois, comprou a parte de Andrade e adquiriu cotas de outra agência de publicidade, conhecida como DNA.
Marcos Valério foi apontado pelo deputado Roberto Jefferson como agente financeiro do esquema do “mensalão”. De acordo com Jefferson, Valério ajudava o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, na distribuição do mensalão. O dinheiro era proveniente de estatais e empresas privadas e chegava em “malas” a Brasília.
Marcos Valério negou ter qualquer envolvimento com o PT, mas com o depoimento de Fernanda Karina Somaggio, sua ex-secretária, a situação mudou. Fernanda contou que Valério mantinha contatos freqüentes com parlamentares e membros do PT. As denúncias se ampliaram a tal ponto que provocaram a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (a "CPMI dos Correios") para investigar a corrupção nos Correios e outros órgãos estatais, e, posteriormente, a criação de outra Comissão Parlamentar (a "CPI do Mensalão e da Compra de Votos"), para apurar especificamente as denúncias do "mensalão".
Paralelamente, outras investigações passaram a ser conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da União, para apurar as acusações de corrupção em estatais e as denúncias de tráfico de influência e compra de votos. As investigações acabaram trazendo à luz que Marcos Valério realizou vultosos e sucessivos empréstimos junto a bancos privados, repassando-os ao PT e a outros partidos da base aliada, entre os anos de 2003 e 2005. Tais empréstimos tinham como garantia os contratos das empresas de publicidade de Valério junto a órgãos públicos.
Em outra oportunidade, Valério terminou por admitir as movimentações e empréstimos, afirmando, porém, que os repasses serviriam para "caixa 2” das campanhas eleitorais de 2002 e 2004, não sendo utilizados para a compra de votos de parlamentares. Além disso, sustentou que nunca houve o uso de recursos públicos, já que o dinheiro seria proveniente de empréstimos.
As investigações terminaram por descobrir que as atividades de Marcos Valério como "operador" financeiro de partidos políticos não eram inéditas, pois, já em 1998, ele teria utilizado um esquema semelhante para, através de empréstimos junto a bancos, financiarem as campanhas de inúmeros candidatos do PSDB em Minas Gerais, aí incluída a campanha do senador Eduardo Azeredo para o governo mineiro. Clésio Andrade, então sócio de Valério, era o candidato a vice-governador naquela chapa.
Somente a título de empréstimos bancários, foram R$ 210 milhões na conta da SMPB no Banco Rural no período de 2000 a 2005. Os extratos bancários do publicitário foram analisados por peritos do Ministério Público. Desse montante, R$ 184,5 milhões foram justificados como empréstimos durante o governo do presidente Lula. O restante foi contabilizado na conta da agência do publicitário durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Em 1997, o patrimônio declarado de Valério não ultrapassava 400 mil reais. Em 2005, seu patrimônio declarado era de mais de 16 milhões de reais, o que alimentou suspeita de enriquecimento ilícito. Seu patrimônio quadruplicou desde a posse do presidente Lula, em 2003. Em 2004, segundo ano de governo do presidente Lula, a DNA e a SMP&B ampliou seus ganhos em contratos oficiais. Valério teve o valor de um contrato aumentado, venceu duas contas novas, nos Correios e na Câmara dos Deputados, e conseguiu prorrogar outros quatro contratos antigos. Suas empresas conquistaram cerca de R$ 150 milhões em contratos com cinco órgãos e estatais do Executivo, além da Câmara dos Deputados. Segundo a Revista Veja se avaliados também projetos de longo prazo, o total dos negócios de Valério junto ao governo poderia chegar a R$ 400 milhões.
Com os acontecimentos as agências de Marcos Valério perderam todas as contas com o governo. O empresário Marcos Valério de Souza entrou com duas ações na Justiça de São Paulo em 19.08.2005 para tentar reaver os quase R$ 93 milhões em empréstimos feitos por ele ao PT.
Julho 9th, 2007 at 08:31
http://961e71210722484c2b4c0f53cc88cdd4-t.zzvgvu.org 961e71210722484c2b4c0f53cc88cdd4 [url]http://961e71210722484c2b4c0f53cc88cdd4-b1.zzvgvu.org[/url] [url=http://961e71210722484c2b4c0f53cc88cdd4-b2.zzvgvu.org]961e71210722484c2b4c0f53cc88cdd4[/url] [u]http://961e71210722484c2b4c0f53cc88cdd4-b3.zzvgvu.org[/u] b2080dae4f13633e630a49fd7454370d