Cume - Escalando Montanhas

2/01/2007

a evolução (6)

Arquivado em: Sem Categoria — hilltop @ 00:20

Neutralismo X Selecionismo - Por Francisco Prosdocimi - Vários evolucionistas discordam sobre qual é o principal mecanismo responsável pela flutuação das freqüências alélicas numa população. Alguns acham que a seleção natural é a mais importante força direcionadora da alteração nas freqüências alélicas, outros acham que a deriva genética ou a variação aleatória dessas freqüências é que tem um papel de destaque nessas mudanças. Os selecionistas acreditam que a seleção natural é a "única" força capaz de direcionar os processos evolutivos sendo que os outros fatores proporcionam, no máximo, uma pequena contribuição. O selecionismo prega que as substituições alélicas ocorrem em conseqüência de seleção dos mais adaptados, onde o novo alelo irá substituir um antigo em função de aumentar o valor adaptativo dos organismos que o possuem. Assim, os polimorfismos seriam mantidos quando a coexistência de dois ou mais alelos num loco é vantajoso para o organismo ou para a população. Já os neutralistas acreditam que, principalmente num nível molecular, a maioria das mudanças evolutivas não estão relacionadas a uma seleção positiva dos alelos de maior valor adaptativo e sim à deriva genética, ou seja, à variação aleatória das freqüências dos alelos. A teoria neutralista surgiu no fim dos anos 60, quando uma grande quantidade de dados de seqüenciamento de proteínas foi obtida, provendo, pela primeira vez, dados empíricos para examinar as teorias relacionadas à substituição de genes/alelos. O neutralismo não diz que todos os alelos possuem estritamente o mesmo valor adaptativo, mas que a variação nas freqüências deles está ligada, principalmente, à deriva genética aleatória. Segundo eles a seleção deve operar, mas é muito fraca para influenciar as mudanças aleatórias.

De acordo com a teoria neutralista, um loco polimórfico consiste de alelos que ou tendem a se fixar ou a se extinguir. Desse modo, os processos moleculares que são importantes ao processo evolutivo são resultado de um processo contínuo de surgimento das variações por mutação e conseqüente fixação ou extinção aleatória dos alelos. A substituição alélica seria, portanto, um processo longo e gradual onde a freqüência dos alelos aumenta ou diminui randomicamente até que eles sejam perdidos ou fixados por ordem do acaso.

Na verdade, a base da disputa entre selecionistas e neutralistas está relacionada aos valores adaptativos dos alelos mutantes. Ambas as teorias concordam que a maioria das novas mutações é deletéria e que essas mutações não contribuem na taxa de mutação nem na quantidade de polimorfismos dentro de uma população. A diferença está relacionada à proporção relativa de mutações neutras entre as mutações não deletérias. Enquanto os selecionistas consideram que poucas mutações são seletivamente neutras, os neutralistas acreditam que a maioria delas é seletivamente neutra.

O mais importante nessa controvérsia selecionista-neutralista foi mostrar que o efeito produzido por interações aleatórias não pode ser negligenciado e que a evolução molecular está diretamente relacionada ao polimorfismo gênico. Apesar de tudo, as discussões ainda continuam e novos trabalhos têm sido feitos com o intuito de conseguir dados empíricos que suportem uma ou outra teoria. O importante é que ficou reconhecido, à partir dessas discussões, que uma teoria adequada da evolução deve ser consistente também com os processos evolutivos que ocorrem ao nível molecular.

Para finalizar acho interessante notar que é óbvio que determinadas características apresentam um valor adaptativo muito maior do que outras. Por exemplo, um hemofílico apresenta um valor adaptativo muito mais baixo que um não-hemofílico e que até os neutralistas entendem esse ponto e sabem que a seleção é muito importante nesses casos. O que se discute realmente, e que já foi enfatizado, é se há um maior número de mutações seletivamente neutras ou se para qualquer mudança nucleotídica existe um aumento ou diminuição, mesmo que pequena, no valor adaptativo do indivíduo, possibilitando a atuação da seleção num determinado loco.

Os textos desse site podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que o autor seja informado e receba os devidos créditos. ® Chico On Line. Prosdocimi, F. 2001-2.

One Response to “a evolução (6)”

  1. Ju Says:

    pra vc… com carinho

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