Cume - Escalando Montanhas

2/01/2007

a evolução (2)

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Crendices Evolutivas - Por Francisco Prosdocimi - Infelizmente, muito do que os não-evolucionistas pensam sobre a evolução está incorreto. Muitos estão certos de que o homem é o animal mais evoluído do nosso planeta, de que ele veio do macaco e que a evolução sempre tem sentido de progresso. Outros acreditam que, com mais alguns milhares de anos de evolução os humanos ficarão com uma aparência do típico alienígena que ronda a mente das pessoas: pele cinzenta, cérebro enorme, corpo franzino e olhos negros. Na verdade todos esses conceitos estão errados em maior ou menor grau e tentarei aqui explicar o porquê.  O primeiro conceito errado que se pensa em evolução é considerar um organismo mais evoluído do que outro. Na verdade, não existem organismos mais ou menos evoluídos, existem, sim, organismos mais e menos complexos. Por exemplo, o homem é muito mais complexo do que uma ameba, porém é tão evoluído quanto ela. Isso vem do fato de que se acredita que todos os organismos do planeta têm um ancestral comum, um organismo conhecido como progenoto que teria surgido há cerca de 3,8 bilhões de anos. Assim, a partir dele, teriam surgido todas as formas de vida do planeta, sendo que, portanto, todos temos cerca de 3,8 bilhões de anos de evolução.  Com relação à complexidade poderíamos considerar a capacidade cerebral como critério de complexidade e assim diríamos que o homem é o animal mais complexo do planeta. Entretanto, se nosso critério de complexidade for tamanho corporal, o animal mais complexo será a baleia jubarte. Outro conceito que muitas vezes é mal compreendido é o fato de que o homem veio do macaco. Na verdade o conceito correto seria o de que tanto homens quanto macacos possuem um ancestral comum, que, a rigor, não seria nem homem nem macaco. Na verdade parece que nossa espécie, o Homo sapiens, apresenta maior parentesco evolutivo com dois outros primatas, o chimpanzé (Pan troglodytes) e o gorila (Gorilla gorilla). Várias evidências apontam que seriamos mais próximos do chimpanzé do que do gorila, mas essa questão ainda não foi corretamente respondida. Isso não significa que nos tornamos o que somos através de alterações nesse chimpanzé existente hoje e sim através de alterações num primata ancestral que gerou tanto o chimpanzé atual quando nós humanos.

Parece claro na mente de todas as pessoas que a evolução sempre trabalha para melhorar alguma característica do organismo que o torne mais adaptado ao meio ambiente onde vive. A evolução, para os leigos, sempre é sinônimo de progresso. Apesar de que esse conceito muitas vezes é verdadeiro, existem vários casos onde não se pode dizer isso, principalmente quando estamos tratando de populações pequenas. Nesses casos, a flutuação aleatória dos alelos (variantes gênicas) pode fazer com que um deles, menos adaptado, seja fixado numa população. Suponhamos a existência de uma comunidade humana de 20 indivíduos em uma ilha deserta, sem contato com o resto do mundo. Digamos que, nessa população, a princípio, 10 pessoas fossem tivessem graves problemas de miopia por motivos genéticos, mas que isso permita uma vida apenas um pouco mais difícil a eles. Digamos que, na primeira geração da ilha, por exemplo, os 10 míopes, cinco casais, tenham 10 filhos cada um, todos míopes. Já os cinco casais não-míopes teriam um filho cada, simplesmente porque não gostam de ter família grande, ou por qualquer outro motivo. A segunda geração de humanos dessa ilha já possui 50 pessoas com problemas de visão e cinco normais. Digamos agora que houvesse um problema de escassez de alimentos na ilha e que 50% da população tenha morrido, inclusive todos aqueles com visão normal. Tudo bem que esse é um exemplo forçado, mas realmente pode acontecer… Isso faria com que os 27 habitantes que sobreviveram tivessem, todos, problemas de visão. Por mais que pareça estranho, isso também é evolução biológica! Todos os habitantes dessa ilha daí por diante seriam míopes. Através de mecanismos evolutivos normais, passíveis de acontecer em qualquer lugar, os habitantes dessa ilha se tornaram menos adaptados ao seu meio ambiente. É claro que esse exemplo não é a regra, é a exceção, mas nem por isso deixa de acontecer, e é evolução.

Um conceito errôneo que é bastante difundido entre ufólogos de todo o mundo é o fato de que, se o homem continuar a evoluir por mais alguns milhares de anos ele irá se transformar no típico alienígena dos filmes americanos: pele cinzenta, cabeça e cérebro enormes, corpo franzino, sem pelos e olhos negros. Entretanto, não há nenhuma pressão evolutiva que leve a esse fenótipo e inclusive há certas pressões que o impedem de acontecer. Por exemplo, o tamanho de nossas cabeças.

Estudos feitos mostram que o ser humano é um dos animais que apresenta menor tempo de gestação com relação ao tamanho de seus filhotes ao nascimento e o tempo que se perde cuidando dele até que tenha condições de viver por conta própria. Na grande maioria dos animais os filhotes já nascem sabendo andar, com ossos completamente formados e são bem mais auto-suficientes do que a prole humana. Parece que esse foi o preço que pagamos por ter um cérebro maior e mais complexo.

Acredita-se que o tempo de gestação de um bebê hominídeo já tenha sido bem maior do que é hoje, entretanto, com o aumento de nosso cérebro houve a necessidade de diminuir o tempo de gestação. De forma contrária, não haveria como o bebê passar pelo canal do parto e ele poderia matar a mãe ao nascimento. Assim parece ter havido uma seleção daqueles que nasciam prematuramente, com o cérebro ainda pouco desenvolvido e com os ossos em formação. Por isso, os bebês humanos acabam por terminar o seu desenvolvimento fora do ventre da mãe, o que faz com que necessitem por um tempo muito maior do que outros animais, do cuidado parental. Considerando a passagem pelo canal do parto é que podemos dizer que não existe pressão para o aumento cerebral no ser humano e, muito pelo contrário, existe pressão para que o tamanho do cérebro continue estável, como tem sido durante os últimos milhões de anos.

Continuando com o problema dos ETs. Não existe também nenhuma pressão ambiental que leve à diminuição do tamanho corporal e à perda de pelos no corpo. Na verdade é fácil de perceber que o homem é o primata que tem a menor quantidade de pelos no corpo, mas, como não existe nenhuma pressão para perder os poucos pelos que temos parece que continuaremos assim ainda por algum tempo. Ou você acredita que as pessoas com poucos pelos e franzinas se reproduzem mais do que as outras? Com relação à pele e aos grandes olhos negros parece desnecessário dizer que também não existem pressões seletivas que levem à alterações dessas características nesses sentidos.

Além dessas crendices evolutivas citadas aqui, muitas outras existem e isso vem do fato de que pouquíssimas pessoas conhecem, de maneira correta, o modo como a evolução biológica acontece. É interessante difundir esse pensamento porque a evolução é uma ciência sólida e bem fundamentada, tanto quanto qualquer outra. A compreensão ampla da ciência e da evolução por parte dos leigos é importante para impedir que religiosos fanáticos tentem inserir nos currículos escolares lições sobre a bíblia, o alcorão e outras crenças baseadas em dogmas e sem qualquer fundamento lógico e científico, assassinando, assim, a liberdade religiosa e separação entre igreja e estado.

Os textos desse site podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que o autor seja informado e receba os devidos créditos. ® Chico On Line. Prosdocimi, F. 2001-2.

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