Cume - Escalando Montanhas

16/01/2007

a democracia de Bush

Arquivado em: Sem Categoria — hilltop @ 02:06

Opinião: A 'democracia' de Bush - 15.01.07 - Do jornal O Estado de São Paulo - Editado no Blog do Noblat - Alfredo Ruy Barbosa, advogado e cronista - Sob pressão do governo de George "War" Bush, o Congresso americano acaba de aprovar uma nova lei para ampliar o chamado "combate ao terrorismo". Entre outros aspectos sombrios, essa lei adota uma interpretação absurda das regras estabelecidas na Convenção de Genebra, aprovando, desse modo, a prática, pelo Exército americano, de algumas "técnicas" nos interrogatórios de "suspeitos terroristas". Segundo registra o professor da famosa MIT Noam Chomsky, um dos maiores críticos da política externa do seu país (Poder e terrorismo, Record), "quando alguém pratica o terrorismo contra nós ou contra nossos aliados, isso é terrorismo; mas, quando nós ou nossos aliados o praticamos contra os outros, talvez um terrorismo muito pior, isso não é terrorismo, é antiterrorismo, guerra justa, e por aí vai". Chomsky lembra, ainda, a violência praticada pelas Forças Armadas americanas e por seus "aliados", na América Central, no Oriente Médio, na África e em outros países, como o Vietnã, onde foi testado, pela primeira vez, o agente laranja - um elemento químico desfolhante, que, ainda hoje, provoca sérios danos ao povo vietnamita - e registra, também, que esses atos jamais foram devidamente tratados pela imprensa americana.

Segundo o autor, para o governo e grande parte do povo americano, "os outros são meras coisas cuja vida não tem valor para nós, de modo que podemos levar isso tudo adiante com serenidade e completa impunidade". E recorda que, ironicamente, os Estados Unidos são o único país no mundo condenado pelo Tribunal Internacional de Justiça por atos de terrorismo - nesse caso, praticados pelas suas tropas contra a população da Nicarágua.

Para a extrema-direita americana, "instaurar a democracia" significa manter, com a força militar, os lucrativos negócios das suas empresas e os interesses do seu governo nos países onde atuam. E o mais grave é que o Tio Sam jamais foi punido pelo Conselho de Segurança da ONU, valendo-se do seu direito de veto para invalidar as resoluções contrárias aos seus interesses.

Para citar um exemplo, note-se que, após a invasão do Panamá, duas resoluções do Conselho de Segurança condenaram aquele ato unilateral e violento dos Estados Unidos, mas, é claro, ambas foram vetadas pelo Tio Sam.

Infelizmente, Bush e seus "amigos" do setor de petróleo levarão adiante a política das "guerras justas" para "derrotar o terrorismo". O primeiro alvo foi o Afeganistão, um país farto de petróleo e de gás natural. Em seguida, a bola da vez foi o Iraque, que possui a terceira maior reserva mundial de petróleo. O Irã, outra valiosa fonte de petróleo, está agora sob a ameaça de uma invasão. Logo virá a vez da Venezuela, que possui a quarta maior reserva mundial de petróleo.

O Brasil deve, também, ficar atento, pois outra "guerra justa" poderá chegar aqui sob algum pretexto para, na realidade, impor a "democracia americana" sobre o nosso Aqüífero do Guarani - o maior reservatório subterrâneo de água potável do mundo, cuja maior parte se encontra no Brasil. Por "coincidência", já existe uma divisão do Exército americano na fronteira do Paraguai com o nosso país.

O que Bush pretende, de fato, é dar continuidade à sua política do "façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço", para ampliar as reservas da indústria americana do petróleo, inspirado no lema O petróleo é nosso, onde quer que esteja!

A democracia de Bush é, na realidade, a "democracia deboche".

 

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