a criação do mito (2)
FALSAS PROFECIAS:
Uma comparação cuidadosa revela que vários outros trechos foram aproveitados fora de contexto ou tomados como profecia, quando na verdade se referiam a outras coisas. Exemplos:
-Lucas 01:28-33, onde o nascimento de Jesus é anunciado a Maria, uma cópia quase exata de Sofonias 03:14-18, onde se profetiza o triunfo de Israel sobre as nações que a oprimiram.
-Mateus 02:05-06 e João 07:42, onde se diz que o nascimento de Jesus em Belém fora profetizado. Entretanto, o trecho que fala de Belém (Miquéias 05:02), se refere ao clã de David, Belém Éfrata, e não a uma cidade. Além disto, mesmo que fosse uma cidade, o tal Messias profetizado viria para espalhar o terror e a morte entre os inimigos de Israel e torná-la poderosa, enquanto que Jesus afirmou que "meu reino não é deste mundo".
-Mateus 01:22 cita Isaías 07:14 sobre o nascimento do messias de uma virgem, quando Isaías falava de uma criança de seu tempo, 700 anos antes de Cristo, não de uma virgem, mas de uma jovem, não de Jesus, mas de Emanuel.
-Mateus 21:01-07 (e os outros evangelistas) dizem que a entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumento fora prevista em Zacarias 09:09, no entanto, mais uma vez, o rei de que fala Zacarias era um rei humano, que reinaria sobre Israel, não Jesus. As aclamações do povo foram tiradas do Salmo 117:26 ("Bendito o que vem em nome do Senhor").
-Mateus 26:15 e 27:03-10 fala da traição de Judas e das 30 moedas como tendo sido profetizada em Salmos 41:09 e Zacarias 11:12-13. Entretanto, nenhuma das passagens fala do messias. Nos salmos, é David, o autor, que se diz traído e se considera um pecador.
E Zacarias diz ter recebido as 30 moedas por um serviço prestado, sem nenhuma traição envolvida (e ele também devolve as moedas). Mateus diz que a compra do campo do oleiro com as 30 moedas fora profetizada por Jeremias, mas tal profecia não existe.
(-João 02:14-16 (e os outros evangelistas)) falam sobre como Jesus expulsou os vendilhões do Templo. Considerando-se o tamanho do pátio do Templo e o fato de que o comércio de animais era essencial à realização dos sacrifícios pelos fiéis, não tinha nada de ilegal e tinha o apoio das autoridades religiosas, parece improvável que um único homem com um chicote conseguisse expulsar a todos, ainda por cima impunemente. Esta passagem parece ter sido inspirada em Zacarias 14:21 (“Naquele dia não tornará mais a haver mercador na casa do Senhor dos Exércitos” e Jeremias 07:11 (“Esta minha casa está convertida em um covil de ladrões”)).
-Os Salmos 22:02-19 e 69:22 foram usado na crucificação, embora nele David falasse de seus inimigos e da perseguição que sofria do rei Saul: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? [...] Todos os que me vêem zombam de mim, abrem a boca e balançam a cabeça:” Ele recorreu a Javé… pois que Javé o salve! Que o liberte se é que o ama de fato! “[...] Cães numerosos me rodeiam, e um bando de malfeitores me envolve, furando minhas mãos e meus pés. Posso contar todos os meus ossos. As pessoas me observam e me encaram, entre si repartem minhas vestes, e sorteiam a minha túnica". "Como alimento me deram fel, e na minha sede me deram vinagre”
De qualquer modo, não se podem levar a sério profecias que se dizem realizadas no mesmo livro em que foram feitas. É preciso que a comprovação seja externa ao livro. E isto não acontece. Um exemplo perfeito de profecia fracassada está em Ezequiel 26 e 29 (NOTA 2). E pode-se suspeitar de que várias "profecias" foram feitas depois do fato ocorrido.
Profecias e histórias sobre o justo que sofreu, foi injustamente acusado, perseguido e morto (ou foi salvo da morte no último instante), sendo então reabilitado e exaltado, são comuns ao longo da Bíblia. Refletem provavelmente os sonhos de grandeza dos judeus, povo freqüentemente perseguido e escravizado, e suas esperanças de que seu deus os ajude a triunfar sobre povos que os oprimiam.
Além disto, mesmo que Jesus tivesse existido, ele certamente seguiria as Escrituras como um roteiro para provar que era o Messias. Por exemplo, entraria em Jerusalém montado num jumento como fez o rei humilde em Zacarias 09:09. Note-se que os evangelhos dizem claramente "e ele o fez para que se cumprissem as Escrituras".
CRONOLOGIA RESUMIDA DO SURGIMENTO DOS EVANGELHOS:
Há uma epístola apócrifa, denominada 1 Clemente, enviada de Roma aos Coríntios no ano de 96 d.C., onde pela primeira vez Jesus é mencionado como mestre e ensinamentos lhe são atribuídos. Várias passagens lembram o Sermão da Montanha, mas há outras que também lembram os evangelhos, mas não são atribuídas a ninguém ou então citam o Antigo Testamento. Ainda não há menções a uma vida terrena nem sobre milagres ou João Batista. Mesmo quando fala do julgamento e morte de Cristo, Clemente cita Isaías. Seu Jesus parece ser algo que ele construiu a partir das Escrituras.
Por volta do ano 107 d.C., nas 7 cartas escritas por Inácio, surgem as primeiras menções a Herodes, Pôncio Pilatos e Maria. Há até um trecho sobre a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos, mas ainda nada se diz dos evangelhos ou que Jesus tivesse sido um mestre.
Na época de Inácio foi escrita a Didaké (ou Didache), onde nada se fala dos ensinamentos de Jesus e a oração do Pai Nosso é atribuída diretamente a Deus. Nada de última ceia, morte e ressurreição. Deus é o mestre e Jesus aparece apenas como filho de Deus e seu servo, cuja função é servir de canal de comunicação entre Deus e os homens.
O nascimento de um Jesus terreno aparece pela primeira vez no texto "Ascensão de Isaías", que data de 115 d.C. Mas a história é diferente. Jesus nasce na casa de Maria e José em Belém, não numa manjedoura durante uma viagem, e Maria só mais tarde descobre que seu filho era especial. Nada sobre pastores, magos, Herodes e fuga para o Egito. Os evangelistas se basearam nesta história, mas cada um a modificou à sua maneira, mantendo em comum apenas a referência a Belém, provavelmente por causa da profecia de Malaquias sobre o nascimento lá de um futuro rei de Israel. A fuga para o Egito, por exemplo, só existe num dos evangelhos. Em outro, Jesus volta diretamente para casa e é apresentado no templo.
A primeira referência a Pilatos numa epístola surge em 1 Timóteo 6:13, que deve ter sido escrita por volta de 115 d.C., mas ela é tão omissa quanto ao resto que se acredita que esta seja uma inclusão posterior. 1 Tessalonicenses afirma que os judeus mataram Jesus, mas há um consenso entre os estudiosos da Bíblia sobre esta ser uma inclusão posterior também.
2 Pedro, escrita por volta de 120 d.C., fala na vinda futura de Jesus (não o seu retorno) e seu autor cita profecias do AT, não uma promessa feita por Jesus. No fim do capítulo 1, esta epístola menciona algo que lembra a transfiguração de Jesus dos evangelhos, mas o fato é apresentado como uma amostra do que seria a vinda futura de Jesus e de seu poder. E a fonte, mais uma vez, são as Escrituras, não um Jesus terreno.
Barnabás (120 d.C.) é mais uma coleção de tradições orais e lendas, sem menção aos evangelhos ou Jesus de carne e osso, embora algumas passagens lembrem seus ensinamentos e haja vagas referências a acontecimentos históricos. Quando fala da paixão de Cristo, se baseia nas Escrituras.
Uma carta de Policarpo bispo de Esmirna (130 d.C.) já está bem próxima dos evangelhos em vários trechos mais ainda faz referência aos documentos acima, não aos evangelistas.
Novembro 14th, 2006 at 19:53
tbrbrt
Janeiro 9th, 2007 at 16:40
supzwxzbbt oweqhaa ubomyyfm uydsndnbso yumftjbi akuwupoir fzsaqvgtqo ujektjms…
lpqpjuz xmnbbxdjs wgjahpb vffzdechlu gpiwukja xghsqe ryajzhmsa…