A Criação de Deus IV
A Criação de Deus
Quarta parte do artigo especial do professor José Moreira da Silva "A Criação de Deus".
O sexo é um fator interessante em todas as religiões. Quase todas elas tentam controlá-lo de alguma forma. Em quase todas elas, ele é um tabu. Algo que deve ser feito mais por obrigação do que por prazer. Penso que isso decorre do fato de no começo, como as pessoas não sabiam as causas naturais das coisas, atribuíam as doenças venéreas ao castigo de Deus. Quando participavam de algum ato sexual e uma doença se desenvolvia, na certa, era porque Deus não gostou do que fizeram. O sexo desregrado também leva à gravidez indesejada, e convinha aos líderes religiosos controlar essa atividade de algum modo. Daí Deus ter se tornado moralista quanto a essa questão. A moral veio da necessidade de se diminuir as doenças venéreas cujas causas eram desconhecidas. Hoje todo esse moralismo não é mais necessário. No entanto, é difícil acabar com hábitos arraigados. Todas as religiões tratam da moral e da ética e dos bons costumes. Mas, muitas vezes, o fato de fixarem pensamentos em forma escrita dificulta a evolução moral. Muitos acham que o que está escrito foi escrito por Deus e, portanto imutável. Mas o que deu origem à moral foi um fato passado que muitas vezes não existe mais.
A religião moral é superior a do medo. No entanto, quase nenhuma religião contém somente um elemento. Todas contêm elementos tanto de medo como de moral. Geralmente os elementos mais avançados da sociedade seguem mais a religião da moral, e os mais atrasados a do medo. Deus sempre é antropomórfico. Deus é sempre um homem gigantesco na maioria das religiões. Com todas as qualidades e defeitos do homem. Defeitos e qualidades ampliadas a proporções gigantescas, é claro. Isso acontece porque o homem não consegue conceber algo além daquilo que é. Ou daquilo que seus sentidos mostram. Outros acreditam que Deus é algo inconcebível. Daí termos que acreditar pela fé ou não acreditar, pois não temos como provar a existência de tal ser. Ele está além de nossos sentidos, além do natural. Ou seja, ele é sobrenatural. Mas é impossível ao homem falar de algo que não conhece pelos sentidos. Daí usarem um palavreado incompreensível aos não iniciados. Poucos indivíduos passam desse nível de Deus antropomórfico. Só as camadas mais avançadas da população chegam a conceber um Deus como uma força, algo totalmente diverso do ser humano. Algo transcendente. As religiões do oriente chegaram a transferir esse pensamento para muitos dos membros da população. Mesmo assim, o povo, na sua maioria, não consegue conceber Deus como uma força. As religiões do oriente não conseguiram passar esse pensamento nem para as camadas mais avançadas, muitos tem esse pensamento, mas a maioria ainda ora para um Deus pessoal. Parecido com ele mesmo, e a idéia de o homem é a imagem de Deus ainda torna esse pensamento mais difícil de mudar.

Julho 9th, 2007 at 08:29
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