a cor (1)
A COR FAZ A INDIFERENÇA - Editado no Blog do Noblat 18.11.06 - Os brancos podem até não admitir, mas as estatísticas são devastadoras ao revelar como o preconceito e a história põe o negro em desvantagem - Por Paula Pacheco - A história é comum a muitos brasileiros. Neste caso, o relato é de Douglas Bernardo, de 27 anos, nascido na Paraíba e morador em Itapecerica da Serra (cidade-dormitório na Grande São Paulo). Resultado das misturas de cor entre a mãe negra e o pai branco, o jovem namora uma moça descendente de alemães. E tem dúvidas. “Tenho o maior orgulho da minha cor e, se pudesse, escolheria ser assim mesmo, do jeito que sou. Mas tenho dúvidas se gostaria que o meu filho fosse como eu. Pai não quer ver um filho sofrer e eu sei o que ele teria de enfrentar se nascesse negro como eu.” O depoimento de Bernardo, que pensa em descontinuar a própria cor entre os seus descendentes, choca pela sinceridade e por revelar como é a vida de 50% da população brasileira, formada por negros e pardos. O País não é branco, é uma mistura. Mas sua gente não admite as diferenças. Pesquisa da Fundação Perseu Abramo feita em 2003 aponta que 89% dos entrevistados dizem haver racismo no Brasil. Se as pessoas não aceitam dizer que têm esse tipo de preconceito, quem são os racistas?
São, por exemplo, as pessoas do convívio de Bernardo, que recentemente chamaram seu irmão caçula, de 14 anos, de “macaquinho”. Primeiro, ele quis brigar com o ofensor, depois ameaçou dar queixa na delegacia, mas a mãe, responsável pelo menor, preferiu não ir adiante. “O que ocorre é pouca visibilidade dos efeitos do racismo com pessoas de origem negra no Brasil”, avalia Rosana Heringer, coordenadora-geral de programas e relações raciais e direito da mulher da ONG Actionaid. A estudiosa lembra que no Brasil existe o preconceito contra a classe social e a raça: “E quando uma pessoa combina as duas condições é ainda pior numa sociedade hierarquizada como a nossa”.
Outra pesquisa, feita pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) em 1988, mostra que muitos tentam escapar da própria cor, como se isso significasse um distanciamento do preconceito. Em pesquisas como as do IBGE, são os entrevistados que respondem sobre sua cor. No levantamento do Ibase, os entrevistadores foram orientados a perguntar a respeito da cor e depois fazer a própria avaliação. Entre aqueles identificados pela cor preta, 30% declararam-se pardos. O comportamento repetiu-se. Dos que disseram ser brancos, 30% eram pardos. “Daí acreditar que os números referentes à população negra serem subestimados. A tendência é sempre de branqueamento”, acredita a coordenadora da Actionaid.
Os negros são raridades no mundo corporativo. Uma das exceções é o músico e empresário Netinho de Paula, que há um ano lançou a TV da Gente. A emissora, segundo ele, é tocada por negros e com um conteúdo preocupado em mostrar a diversidade. Netinho enfrenta dias difíceis e corre risco de ter de fechar as portas. Isso porque não consegue negociar com a Net, operadora de TV a cabo, a inclusão do canal. Por enquanto, a programação só pode ser vista pelo UHF. “Estou passando por muitas dificuldades como empresário. Há um ano tento negociar com a Net, mas eles nos dizem que só podem pensar em incluir o canal depois que definirem a situação da TV digital. Sem visibilidade, como as pessoas vão assistir?”, diz. A curiosidade nessa história é que Netinho já foi garoto-propaganda na Net.
Sem visibilidade, o canal não consegue atrair anunciantes e se manter. Ao todo o orçamento da tevê desde o início das operações é de 12 milhões de dólares, falta gastar 20% desse valor para zerar o caixa. “Outro dia saiu na Folha de S.Paulo que o negócio não deu certo porque faço uma tevê de negros e para negros. E ainda por cima me chamaram de racista. Meu foco são as classes C, D e E”, afirma Netinho. Por conta dos problemas de caixa, o empresário demitiu cerca de 200 pessoas, hoje conta com 120 funcionários e pode demitir outros 30 no mês que vem se não conseguir resolver o problema.
Netinho quer dar visibilidade ao problema num ato em frente à sede da Net, em São Paulo, marcado para 1º de dezembro. O empresário vai reunir artistas negros como MV Bill, Leci Brandão, Mano Brown e Rappin’ Hood, além de representantes da Liga das Escolas de Samba de São Paulo e do movimento do hip-hop. “O que estão fazendo é nos tratar com uma invisibilidade puramente racial”, opina o dono da TV da Gente. Segundo a Net, a inclusão de outros canais na programação está atrelada a um limite técnico. “Estamos num momento de transição do mundo analógico para o digital. Nesse período, temos limitação para colocar novos canais”, explica Fernando Magalhães, diretor de Programação da Net Serviços.
Ao mesmo tempo em que iniciativas como a de Netinho de Paula para ampliar o mercado de trabalho para os negros emperram, alguns movimentos no mundo corporativo mostram que nem tudo é retrocesso. A Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (UniPalmares), em São Paulo, uma faculdade com predominância de negros entre os alunos, fez uma parceria com algumas instituições financeiras para incluí-los na disputa por vagas de trainees e estagiários.
Douglas Bernardo, aluno do segundo ano de Administração Financeira da Unipalmares, faz estágio em uma das agências do Citibank, na zona oeste da cidade. Trabalha seis horas por dia no departamento de cobrança e recebe uma bolsa-auxílio de 1.128 reais, mais 300 reais em vale-refeição. O estudante diz estar feliz no novo ambiente de trabalho: “É bom saber que nesse processo de expansão dos bancos também há espaço para os negros”.
Numa primeira fase, iniciada no fim do ano passado, o programa de estágios do Citibank contratou seis estudantes da UniPalmares. No mês passado foram mais 30. Até então, o banco só fazia esse tipo de parceria com universidades de primeira linha. Fernanda Pacheco, superintendente de Planejamento Estratégico de RH da instituição, explica que a proposta é valorizar a diversidade dentro da organização. “É um programa social, não é racial. Não barramos um branco no processo”, detalha.
A executiva do Citi percebe duas diferenças entre os estagiários da UniPalmares, normalmente de origem mais humilde (as mensalidades são de 260 reais). Uma delas é a força de vontade entre os alunos da faculdade paulistana. “Há um consenso de que essas pessoas, quando têm uma oportunidade, agarram com unhas e dentes. A competência é a mesma, o que comprovamos nas avaliações. Mas elas se dedicam mais.” Na recepção aos novos estagiários, Gustavo Marin, presidente do banco, disse: “Não estamos aqui fazendo nenhum favor. Essa diversidade é boa para a organização e vocês devem agarrar essa oportunidade”.
Mesmo com iniciativas de bancos como a do Citibank, o mercado de trabalho para os negros e pardos continua dramático. Pesquisa divulgada na sexta-feira 17 pela Organização Internacional do Brasil (escritório do Brasil) mostra que, enquanto a taxa de desemprego entre as mulheres negras cresceu 58% entre 1992 e 2005, entre os homens brancos o aumento foi de 26%. Para Solange Sanches, coordenadora nacional do projeto de igualdade de gênero e raça da OIT, os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) apontam que aumentou a participação das mulheres (independentemente da cor) na atividade econômica. No entanto, o crescimento foi maior para as brancas do que para as negras. “Os números mostram que há uma tendência de melhora da desigualdade em longo prazo. Mas a discriminação racial está presente o tempo todo”, observa Solange.

Janeiro 9th, 2007 at 18:49
fqisletz ulkicnjiybk vszpxkxow vbvdhzcdm obfrgampnw tsjvvgipm ruvmvniv qefjirje…
qrkhcsbe dhvmqtydnmk bwmmbnrai aearpufig gerrxzrqe wcpckrowwq…
Janeiro 21st, 2007 at 10:41
alprazolam effects side xanax…
lrtzauhqhrs avfpvso wpdtkauq ssurqbc blezddz nbjksgts uyfiytk…
Janeiro 25th, 2007 at 20:21
free sprint ringtone…
tfcofnpfhk znwdccem anugynva fdyfpsintek wpbfufrp rqlodrrxq…
Janeiro 26th, 2007 at 11:30
frank sinatra…
ysxmjxoykoo wvanttpfey qhzxskjrpo yxyjmisjei unvugsuduac rqidyhopg kkvcorx…
Janeiro 26th, 2007 at 16:34
adult cam faq web…
woglqfwgnwq ynffiwbkvpc yysgtewtwi vhxuzdfdw kwyirrxpyc momfbzvaa nlqotyi vguqfcddke…
Janeiro 27th, 2007 at 08:38
cash advance…
tiwzbsdlm peottclz gaixwuuzk rjemdoca cspbmzqhfvc gjfhlkqsea nfimtilk ombcqjow…
Janeiro 27th, 2007 at 17:59
Citalopram…
vnfqkhimw vswiknygac jxrzaqpk hyyncum arqympdge wqkyqhaw sackgsymw…
Janeiro 27th, 2007 at 19:55
Miacalcin…
kinmgxhk wfcswgcfg kneaxkfgtim nyqxkxftbzk qwtfslmcrw myuagzuebm…
Janeiro 28th, 2007 at 03:13
Benzaclin…
ifwsypxepta hlwvdzuqa ojjtopvkqno jvwfkvryu piaelfso rzcxfjaiyg vrjwknptus…
Janeiro 28th, 2007 at 06:12
Bactroban…
qzhxyxbbi ooepspiiu tezwtjoehkc sktqcenelti zuzddbbdoi qbpstgadxbe swhsxew…
Janeiro 28th, 2007 at 09:17
Fosamax…
yrgtqcbiqsc ektiqrbvfyc ypwhpuvvg ivqikzqt bofoeyfji qmvowneq rpjtfpcbc…