Cume – Escalando Montanhas

9/09/2006

a bolívia

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Bolívia se militariza

Ivan de Carvalho (Tribuna da Bahia 05.09.06)

O presidente Evo Morales, há uns meses e de surpresa, sitiou com tropas do exército de seu país as principais instalações da Petrobras na Bolívia e ocupou os postos de comando da nossa multinacional, de modo que os dirigentes brasileiros das operações da empresa em território boliviano passaram a trabalhar sob supervisão e dominação de funcionários do governo de Evo Morales. Bem, esta primeira ação militar, política, econômica e administrativa – é uma ação que se enquadra nas quatro categorias, devido a suas especificidades – vai ter uma continuidade. E não estou me referindo às negociações sobre indenização e sobre os preços do gás, que o Brasil está empurrando com a barriga para depois das eleições, de modo que nosso governo possa ceder e ser o mais condescendente possível sem prejuízo eleitoral.

Vale, a propósito, lembrar que o reajuste dos preços do gás boliviano – que importamos através de um gasoduto que a Bolívia pode fechar a qualquer momento com alguma outra medida tão arbitrária quanto à representada pela ação militar contra as instalações da Petrobras – está previsto em contrato, cujas disposições o governo boliviano do “mui amigo” Evo Morales está disposto, segundo proclama, a não respeitar. Quer um reajuste muito além, mas muito mesmo, do que a previsão contratual admite.

Mas a continuidade daquela primeira ação militar vem, não com a negociação sob clima de chantagem do preço do gás, mas com outras iniciativas de ordem militar. É que o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, enquanto faz viagens ao Irã (um estado-louco empenhado em construir a bomba nuclear) e admite a possibilidade de se estabelecer uma cooperação entre o governo iraniano e o seu em assuntos nucleares, acertou com a Bolívia um empréstimo de US$ 47 milhões de dólares, como parte de um “convênio bilateral” para a defesa.

Com o dinheiro, o governo da Bolívia vai construir, nas fuças do Brasil (talvez melhor seja dizer fronteiras mesmo), em Quijarro, às margens do rio Paraguai, um porto com função predominantemente militar que custará US$ 25 milhões e uma base militar de US$ 22 milhões.

Assim, ao invés de sitiar e ocupar a Petrobras “boliviana”, talvez o governo boliviano se aventure um pouco mais, tentando invadir e ocupar o Brasil, pois para se defender de uma invasão brasileira é que não são essas instalações, já que o Brasil jamais deu o menor sinal de querer expandir-se para os lados da Bolívia, desde que comprou deste país – prometendo pagar com a construção de uma ferrovia jamais construída – o Estado do Acre.

É verdade que a ferrovia não era exatamente um pagamento, mas uma “compensação”, pois o Barão do Rio Branco invocou o “uti possidetis” – uma espécie de usucapião de alta categoria – alegando ter direitos sobre o território, porque já o havia ocupado pacificamente.

Mas pode ser que o governo boliviano atual, embriagado (dizem que o de cá bebe, mas o de lá é que se embriaga, coisa mais estranha) pela Revolução Bolivariana de Hugo Chavez, esteja desejoso de, ante o calote da ferrovia e alguma contestação ao tal direito invocado ou inventado, sei lá, pelo Barão do Rio Branco, retomar, na mão grande (militarmente) o nosso Estado do Acre.

Isto, no entanto, não é uma hipótese provada. Hugo Chavez, o da Venezuela, está imbuído da idéia de que os Estados Unidos, mais dia, menos dia, acabam invadindo seu país. Para se defender disso, entrou numa corrida armamentista, comprando aos russos um lote de 100 mil fuzis e sugerindo que poderia estocar em território venezuelano mísseis e bombas nucleares iranianas. Assim, a águia americana não voaria sobre a Venezuela. Bem, a Bolívia pode estar sendo preparada por Chavez, por intermédio de Morales, para ser a aliada da Venezuela na futura guerra contra os Estados Unidos.

Se for isto, tudo bem. Nós ficamos fora. Podemos pegar uma radiação nuclear maneira se as bombas iranianas na Venezuela derem chabu, explodindo logo no lançamento, mas nem vai dar pra ver – e é só.

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