Cume - Escalando Montanhas

23/08/2008

Uso da minissaia

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 15:23


Padre mexicano pede que mulheres não usem minissaia - Um padre mexicano causou protestos no México ao recomendar que as mulheres não usem minissaias ou biquínis para não "provocar" o assédio sexual dos homens - Em seu comentário na publicação oficial da Arquidiocese do México, Desde la Fe, o padre Sergio Román del Real disse que as mulheres não devem usar "roupas provocantes" nem iniciar "conversas ou gracejos picantes". O texto, escrito como parte de uma série de artigos que antecedem o 6º Encontro Mundial de Famílias México 2009 - organizado pela Igreja Católica - diz que "as minissaias e os biquínis vão contra o recato."

As declarações provocaram um protesto de 15 pessoas em frente à Catedral da Cidade do México. Os manifestantes reunidos em frente à catedral tentaram entrar no templo, mas foram impedidos pela polícia. "Cultura machista" "É lamentável a postura da Igreja Católica, pois segue incentivando na cultura mexicana a misoginia", disse à BBC Aidé García, porta-voz da organização Católicas pelo Direito de Decidir.

"Com essas declarações, seguem responsabilizando as próprias mulheres pelos abusos que sofremos." Para ela, as recomendações da Arquidiocese do México são produto de uma cultura machista, que não reconhece que as mulheres têm “autoridade moral para decidir” como devem se vestir. O grupo Católicas pelo Direito de Decidir desenvolveu uma série de propostas, dirigidas e grupos conservadores e à hierarquia católica, nas quais ressalta a importância de uma educação sexual integral.

  • Proibido

Ao mesmo tempo, uma universidade na cidade de Culiacán, oeste do país está considerando a possibilidade de vetar o uso de minissaias. A direção da Universidad Autônoma de Sinaloa diz que cogita a mudança para "prevenir" a violência sexual. O reitor da universidade, Héctor Melesio Cuen Ojeda, afirmou que o assédio e os atos de violência contra as mulheres são gerados pela forma de vestir. "As saias muito curtas que algumas estudantes usam se tornam um convite para que sejam agredidas ou molestadas, não apenas dentro da universidade, como também fora dela", disse Cuen. O arcebispo do Estado de Durango, Héctor González Martínez, responsabilizou as mulheres que se vestem de forma provocativa por despertar o "lado doentio" dos homens. "As mulheres não devem usar minissaias, decotes, nem aberturas nas saias, já que esse tipo de vestimenta é um atentado contra a honra", afirmou Cuen.

Postado in BBCBrasil

19/08/2008

Caymmi

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 18:56

Dorival Caymmi


MORRE DORIVAL CAYMMI, FICA SEU LEGADO À MPB

O cantor e compositor baiano Dorival Caymmi é considerado um predecessor da bossa-nova, alterando o acompanhamento do violão, um marco histórico do uso do instrumento entre os brasileiros. Foi referência para João Gilberto e Tom Jobim, pais do movimento, nos anos 1950. Baiano de Juazeiro, Gilberto gravou diversas composições do colega, como "Rosa Morena", "Saudade da Bahia" e "Samba da Minha Terra". Com Jobim, fez o famoso disco "Caymmi Visita Tom", de 1964.

Autor de clássicos da música brasileira e considerado o avô da bossa-nova, morreu ontem em sua casa no Rio de Janeiro, aos 94 anos, por insuficiência múltipla dos órgãos. Caymmi, que compôs, entre outras, "O que que a baiana tem?", "Doralice" e "Modinha para Gabriela", nasceu em abril de 1914, em Salvador. Foram mais de 60 anos de carreira, 20 discos lançados e inúmeras músicas gravadas por grandes intérpretes da MPB.

Sua carreira internacional ganhou mais força em 1965, ao ir a Los Angeles para uma série de shows e gravação de um LP. A valsa "Das Rosas" é traduzida para o inglês pelo cantor Andy Williams, gravada também mais tarde por Sarah Vaughan, numa das melhores interpretações desta canção em todos os tempos.
A partir dos anos 1980, começou a colecionar homenagens. Aos 74 anos, em Paris, recebeu do ministro da Cultura Jack Lang a Comenda das Artes e Letras da França. Em 1986, virou enredo da Estação Primeira de Mangueira, com o qual a escola venceu o Carnaval daquele ano. Casado com a cantora Stella Maris desde 1940, Caymmi deixa três filhos músicos, Nana, Dori e Danilo. No final dos anos 1980 e anos 1990, chegou a fazer shows com seus filhos, como no Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça, que acabou virando o álbum "Família Caymmi em Montreaux".
Excertos in BlogDaAva

16/08/2008

Música para ouvir e sonhar

Arquivado em: Zona Musical, Forward for your love — hilltop @ 18:26

Acervo musical

Músicas in mp3 para ouvir aqui:
dorivalnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotasnotas
Jorge Ben in País tropical
Billie Holiday in On The Sentimental Side
Gal Costa in Odara
Eliane Farias_Falando de Amor
Antonio Nóbrega - "Despedida"
Frenéticas in Jou Jou
Carmen Miranda in Na Baixa do Sapateiro
Dean Martin in On The Street Where You Live
Keely Smith in On The Sunny Side Of The Street
Cris Delano_O tempo não desfaz
Tamba trio_in Moça Flor
Steve Tyrell_Manhattan
Dave Brubeck in Let's Fall in Love
Stan Getz & Chet Baker in Jordu
João Gilberto & Stan Getz in Garota de Ipanema
Chico Buarque in Ela Desatinou
Carmen Miranda in Mamãe eu Quero
Tom e Elis in O que tinha de ser
Nana caymmi in Fruta Boa
Arthur Nestrovski in Eu Sei que Vou te amar
Maria Bethania in Olha
Miúcha e Toquinho in Canção de nós dois
Zélian Duncan in Doce de coco
Maria Bethania in Você não sabe
Olivia Byington in Eu Não existo sem Você
Chico Buarque in Tantas palavras
Caetano veloso in Você é Linda
Marisa Monte in Gotas de Luar
Rosa Passos in Coisa Mais Linda
Tom Jobim in Se todos fossem iguais a você
Vânia Bastos in Corra e olhe o céu
Nara leão in O negócio é amar
Elis Regina in O medo de amar
Adriana Calcanhoto in Já Passou
Ivan Lins in Depende de nós
Louis Armstrong in Ain't Misbehavin
Billie Holiday in Autumn in New York
Billie Holiday in Blue Moon
João Gilberto in Eu sei que vou te amar
Elizete Cardoso in Outra vez
Roberto Menescal in Corcovado
Amor em Paz_with Eliane Elias
Roberto Menescal in Nós e o mar
Pery Ribeiro in Desafinado
Leny Andrade in O barquinho
The girl from Ipanema_Getz_Astrud_João
Você with Dick Farney
Água de beber with Astrud e Jobim
Diana Krall in Insensatez
Rosa Passos in Chega de Saudade

6/08/2008

O natal

Arquivado em: Sem Categoria, Ecumenismo — hilltop @ 18:43
O Natal dos Deuses Cristãos
 
As primeiras manifestações de religiosidade do Homem relacionavam-se com o culto das forças da natureza
 
e, mais ainda do que de uma explicação divina para uma «vida depois da morte», elas nasceram do temor e da falta de compreensão para os fenômenos naturais, desde o vento à chuva ou aos relâmpagos, até à própria periodicidade dos ciclos solar ou lunar. É por isso absolutamente normal que o Homem, animista nas suas origens religiosas, fosse também natural - e quase geneticamente - politeísta. O desenvolvimento e a evolução do Homem vieram ao longo de milhares de anos trazer uma maior complexidade aos seus cultos religiosos, sempre com uma natureza politeísta.  No entanto, nalgumas civilizações da antiguidade ainda assistimos a tentativas mais ou menos sucedidas de unificação de divindades, embora normalmente protagonizadas por sacerdotes ou por governantes mais interessados na unificação e no poder temporal que daí poderia resultar. O crescente desenvolvimento do cristianismo encontrou no Império Romano uma população de uma profunda religiosidade e, também por isso, uma riquíssima mitologia, com deuses para todos os gostos, feitios e ocasiões. De tal modo, que em determinada altura o próprio Imperador Constantino (também influenciado pela sua própria mulher, Santa Helena, entretanto convertida) acabou por achar melhor adoptar o sábio princípio: «se não os podes vencer, junta-te a eles».
Sem nunca se ter convertido, Constantino acabou por tolerar o cristianismo e, juntamente com Licínio, o tetrarca Oriental (a quem escassos onze anos mais tarde mandou matar, assim tomando o controle de todo o Império Romano) assinou em 313 o Édito de Milão, que proclamava a independência do Império em relação a quaisquer credos religiosos, fazendo devolver aos cristãos as propriedades e os lugares de culto confiscados.
 
Jota

A partir de então, em todo o Império Romano o cristianismo convive pacificamente com a religião tradicional pagã (no sentido de religião politeísta ou não cristã, embora a designação se aplique também às religiões distintas da judaica, que também beneficiou desta tolerância e convivência pacífica inter-religiosa).

Mas muito havia para esclarecer, explicar e estabelecer nessa nova religião que era o cristianismo.
Até que no ano 325 Constantino convoca o Concílio de Niceia.
Com a presença de mais de 300 bispos (nomeados por líderes religiosos locais e pelo próprio Constantino), o primeiro concílio ecuménico ? que marca o início da Igreja Católica ? visava antes de mais condenar o «Arianismo», uma heresia que nega a divindade de Jesus Cristo.

O «mistério» da Santíssima Trindade encontra nesta concílio as bases da sua fundamentação, com a aprovação pela maioria dos bispos presentes (e não pela sua unanimidade, tendo ficado célebres as perseguições de Constantino aos bispos discordantes) da ideia de que Jesus é da mesma ?substância? e da mesma ?essência?, isto é, a mesma entidade existente do Pai.
Ou seja, haveria somente um Deus e não dois: a distinção entre o Pai e o Filho está dentro da «unidade divina». O Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é.
O próprio «Credo» de Constantino, saído do Concílio de Niceia, reconhece a divindade de Jesus Cristo, dizendo que o Filho e o Pai são ?de uma única substância? e que o Filho é «gerado», (único gerado, ou unigénito), mas não no sentido de «feito».

Desesperado para encontrar uma nova religião de massas através da qual pudesse controlar o povo, é no concílio de Niceia que Constantino molda o cristianismo a seu bel-prazer e ora faz inscrever ora faz abolir da Bíblia os textos e os evangelhos que acha mais apropriados, re-escrevendo-os e adaptando-os às suas políticas e aos seus interesses e depurando-os de contradições entre si.

Foi no Concílio de Niceia que foi decidido quais os evangelhos que tinham sido inspirados pelo Espírito Santo e que, por isso, eram os únicos dignos de figurar na Bíblia, os «evangelhos canónicos», por oposição aos evangelhos indignos dessa honra, conhecidos por «evangelhos apócrifos» ou «gnósticos».
Várias são as versões que contam como se deu a separação entre os evangelhos canónicos e apócrifos:
Há quem diga que, durante o Concílio, estando os bispos em oração, os evangelhos inspirados foram depositar-se no altar por si só.
Uma outra versão relata que todos os evangelhos foram colocados por sobre o altar, e os apócrifos caíram ao chão…
Outra ainda afirma que o Espírito Santo entrou no recinto do Concílio em forma de pomba e foi pousando no ombro direito de cada bispo, segredando aos seus ouvidos os evangelhos inspirados.

Depois, e na melhor tradição do costume babilónico da deificação do rei ou do imperador, foi com uma habilidade notável que Constantino aproveitou as festas, os costumes e os princípios pagãos e judaicos, já conhecidos e tradicionais no Império, para os adaptar e criar a doutrina desta nova religião, em progressivo crescimento e implantação popular.
Exemplo paradigmático disso é a festa pagã do Solstício de Inverno, adaptada ao Natal e às comemorações do nascimento de Jesus Cristo.

Esta nova Igreja, a Igreja Católica fundada no Concílio de Niceia («Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica…») está, pois, bem longe de ser a «Igreja Primitiva dos Apóstolos» e, obviamente, não foi fundada por Pedro.
Poderá até dizer-se que o seu primeiro Papa foi Constantino.

Quando morreu, em 337, Constantino foi baptizado e enterrado como um verdadeiro décimo terceiro Apóstolo, e na iconografia eclesiástica, veio a ser representado recebendo a coroa das mão de Deus.

 
trindade


Mais tarde, já com Teodósio, o cristianismo haveria de tornar-se a religião oficial do Império, institucionalizando-se profundamente na sociedade romana e constituindo um polo de união comum a todos os territórios conquistados, surgindo o profissionalismo religioso e toda uma estrutura teológica e uma casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis proclamando de forma rígida e autoritária que «fora da Igreja não há salvação».


deus de


Quase dezassete séculos depois do Concílio de Niceia comemora-se uma vez mais o Solstício de Inverno, transformado habilmente por Constantino nas comemorações do nascimento do Deus dos cristãos.

O Concílio de Niceia foi de tal modo primordial para o cristianismo ? e para a religião católica em particular ? que ainda hoje os seus fundamentos e princípios doutrinais e filosóficos são precisamente os mesmos que foram inventados por Constantino.

Até é precisamente o mesmo o raciocínio e o hábil jogo de palavras que faz passar o cristianismo por… uma religião monoteísta.

De facto, é através de um mero jogo de palavras a que chama um «Mistério», isto é, um dogma que não tem explicação possível, que esta religião persiste em fazer-se passar como «uma das três grandes religiões monoteístas do mundo».

Mas que de monoteísta nada tem!

Só deuses tem três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Podem os mais fiéis defensores do «Mistério da Santíssima Trindade» dizer que estes três deuses são, afinal, um só.
Mas o que é facto é que eu conto três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Quanto ao Deus «Espírito Santo», que à boa maneira cristã é de formulação masculina, sempre se diga ainda que, com a sua atitude típica e persistentemente misógina, os católicos perderam a oportunidade de tornar a sua origem e a sua explicação bem mais interessante.
Poderiam, por exemplo, ter dado mais atenção ao apóstolo Filipe que nos transmitiu no seu evangelho gnóstico, excluído por Constantino da honra de figurar na Bíblia entre os evangelhos canónicos:

«Alguns dizem que Maria concebeu do Espírito Santo.
«Erram, não sabem o que dizem.
«Quando é que uma mulher concebeu de uma mulher?»

A explicação para este aparente contra-senso é bem simples:
É que em grego, língua original em que foram escritos os evangelhos e até em copta, o idioma para que foram em primeiro lugar traduzidos antes de transpostos para os idiomas actuais, «Espírito Santo»… é do género feminino!
E assim, com uma simples mudança do género de uma palavra numa tradução, a Igreja Católica perdeu a oportunidade de respeitar a «Santíssima Trindade» na formulação original de «Sagrada Família», isto é, de Pai, Mãe e Filho.

Depois, a estes três deuses acresce a mãe do Deus Filho.
De tal modo deificada que, tal como Jesus Cristo, e apesar falta de sustentação bíblica para tal, foi feita subir ao Céu em corpo e alma após a sua morte terrena.
E já vão quatro!

De tal forma que, assumindo várias personalidades consoante as regiões geográficas, e multiplicando-se como que para afirmar o politeísmo cristão, a Nossa Senhora de Fátima, ou de Lourdes, ou a Virgem Negra polaca, ou a Virgem de Guadalupe sul-americana, concorrem mesmo com os três principais deuses na devoção dos cristãos.
Diz-se mesmo que o Papa João Paulo II, conhecido como «devoto mariano», mais que aos seus próprios patrões rezava à mãe do Deus Filho.

Depois, aparecem os santos. Que se contam aos milhares!
E que são tão deuses como os outros deuses, pois com eles concorrem na adoração dos fiéis cristãos e como eles são omnipotentes e omnipresentes.

E não é essa a definição de «Deus»?

De tal modo, que em todos os cristãos existe um «santo de devoção», frequentemente corporizado numa imagem ou num ícone, a quem se pede um favor, uma graça, ou «uma cunha» para um emprego, para a cura de uma doença ou para um prémio no Euromilhões.

Foi também com um hábil jogo de palavras que o Segundo Concílio de Niceia (o sétimo Concílio Ecuménico), realizado no ano de 787, distinguiu o que é «adoração» do que é «veneração».
E estipulou que pedinchar uma coisa a um Deus, se chama «adorar»; e que pedinchar a mesma coisa a um santo se chama «venerar».
Embora os resultados previsíveis da pedinchice sejam basicamente os mesmos.

Não admira, pois, que os cristãos, com um folclore, uma mitologia e uma iconoclastia tão rica, sejam tão preocupados e cuidadosos a celebrar o Natal.

E se é assim, então, a todos um bom Natal! (Artigo de Luis Grave Rodrigues)