Cume - Escalando Montanhas

28/12/2007

Rentabilidade recorde

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 17:45
Empresas têm rentabilidade recorde - As empresas brasileiras tiveram no primeiro semestre deste ano a melhor rentabilidade da década. Levantamento feito pela Serasa, com base em 9,7 mil balanços de empresas da indústria, serviços e comércio, mostra que o indicador de rentabilidade, que mede a relação entre lucro e faturamento líquido, atingiu 6,6% no período. É o mais alto da série histórica iniciada em 2000, um ano depois que a taxa de câmbio deixou de acompanhar o regime de bandas e passou a flutuar livremente. São várias as razões para esse bom desempenho, diz Márcio Torres, coordenador de estudos da Serasa. “A principal é a melhora da atividade no mercado interno, favorecida pela expansão da massa salarial, ampliação do crédito e redução dos juros.” Para calcular a margem de ganhos, a Serasa ajustou o lucro líquido das empresas, excluindo a equivalência patrimonial e os resultados extra-operacionais. “A idéia é mostrar apenas o lucro líquido gerado pela atividade-fim das empresas”, diz Torres. Fizeram parte do estudo da Serasa balanços de 3,2 mil empresas da indústria, 3,7 mil do comércio e 2,8 mil de serviços. Até o ano passado, o melhor índice havia sido o de 2005, quando a lucratividade média das empresas chegara a 5,5% do faturamento líquido.
gangster

No primeiro semestre de 2007, a média de 6,6% foi puxada para cima pelo resultado das empresas do setor de serviços, cuja lucratividade representou 9,9% das vendas brutas, descontados os impostos. É o terceiro ano consecutivo em que os serviços lideram em margem de lucratividade. Em 2006, esse indicador atingiu 7%. “O setor de serviços foi o que mais se beneficiou do fortalecimento do mercado interno”, diz Torres. “Quando a indústria e o comércio vão bem, usa-se mais energia elétrica, telefone, internet e transporte de cargas.” Foram as prestadoras de serviços públicos que tiveram maior rentabilidade entre as empresas do setor no semestre. No segmento de energia, a margem atingiu 18,1%. Além do efeito da valorização do real ante ao dólar, que ajudou a diminuir o custo financeiro de dívidas em moeda estrangeira, o consumo de energia aumentou e as empresas adotaram melhores práticas de gestão.

“O Brasil precisa de mais capacidade instalada de geração de energia elétrica e quem investe nessa área consegue ganhar fatias de mercado”, diz António Martins da Costa, diretor-presidente da Energias do Brasil, controladora da Bandeirantes, Escelsa e Enersul. Ele conta que o grupo investiu R$ 3 bilhões em geração de energia nos últimos dois anos. “Temos de correr atrás da demanda, porque ela tem crescido muito mais rápido que a oferta.” Até setembro, o consumo de energia nas regiões abastecidas pelas três distribuidoras do grupo cresceu 4% ante igual período do ano passado. “O consumo de energia é um bom termômetro do crescimento”, diz Costa.Editorial TXT Estado 03.11.07(Marcelo Rehder).

27/12/2007

Desmatamento

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 03:49
Desmatamento cresce 600% na fronteira do Brasil com a Bolívia - O desmatamento em algumas regiões do Estado de Rondônia virou escândalo nacional, suplantando até os índices tradicionalmente recordistas de Mato Grosso. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente-Ibama, coletados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), mostram que na região da fronteira de Rondônia com a Bolívia, que vai dos municípios de Guajará-Mirim a Costa Marques, a derrubada de floresta cresceu 600% entre setembro de 2006 e o mesmo período deste ano. Pelas imagens do satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece as informações para o sistema Deter, o “arco do desmatamento” em Rondônia concentra-se em uma região que começa na capital, Porto Velho, passa por Jaciparaná, Nova Mamoré e Guajará-Mirim, e desemboca em Costa Marques. Segundo Nanci Maria Rodrigues da Silva, diretora de Fiscalização do Ibama em Rondônia, o Estado tem seis “áreas críticas” em relação ao desmatamento: Nova Mamoré (a 50 quilômetros de Guajará-Mirim), União Bandeirantes, a área da reserva extrativista de Jaciparaná, os projetos de assentamento em Pau D’Arco e Taquara, e a região de Nova Dimensão, próxima a Jacilândia, onde a grilagem de terras é considerada “desenfreada”. Ali, a grilagem acontece em uma área de 1,740 milhão de hectares que está subjudice por causa de uma ação civil pública de reintegração de posse por invasão em unidade de conservação.
  • CAUSAS

Os funcionários do Ibama e dos órgãos estaduais de administração do meio ambiente detectam, preliminarmente, dois problemas que podem ter contribuído para a explosão do desmatamento nas regiões beirando os Rios Mamoré e Madeira. Eles falam no incremento de atividade econômica provocado pela expectativa da construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, prevista para acontecer entre 2008 e 2012, e na transferência da União para a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), em agosto do ano passado, da responsabilidade pela concessão de autorizações para manejo na floresta. Isso inclui a concessão para as empresas comprarem e venderem madeira. “Em certas áreas, houve aumento de devastação de mais de 600%. Não estou falando nem de 6% nem de 60%. Estou falando de 600% concentrados principalmente na região da fronteira, onde há uma quantidade considerável de terras públicas com grande cobertura vegetal”, disse Nanci ao Estado.

“Antes era só o Ibama que dava a concessão (para o manejo da floresta). O Estado não tem interesse em combater o desmatamento”, acrescentou a diretora de Fiscalização. Essa concessão estadual nasceu a partir da legislação de gestão de florestas públicas, aprovada pelo Congresso e que entrou em vigor em agosto de 2006. (Tânia Monteiro, Guajará-mirim e Porto Velho) em 21.10.07.

  • ‘CAMINHO DE CLAREIRAS’

Pelas informações do Deter, como mostrou reportagem do Estado na terça-feira, entre junho e setembro deste ano a derrubada de floresta aumentou 107% em Mato Grosso, 53% em Rondônia, e 3% no Acre. Mas, enquanto em Mato Grosso, entre setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano, a área desmatada cresceu de 211 para 389 quilômetros quadrados (84% mais), em Rondônia, passou de 42 quilômetros quadrados em setembro de 2006 para 295 quilômetros quadrados no mês passado (mais 602%). As fotos do satélite do Inpe mostram que, nos nove Estados amazônicos (AC, AM, AP, MA, MT, PA, RO, RR e TO), o “arco do desmatamento” forma um “caminho de clareiras” que começa no sul do Pará, passa pelo norte de Tocantins e de Mato Grosso e sobe pela região da fronteira de Rondônia com a Bolívia. O grande problema, diz Nanci Rodrigues, é a grilagem de terras. “Quando o Incra não faz a regularização fundiária, as pessoas agem com a idéia de que a terra é de ninguém”, afirmou a diretora do Ibama. No sul de Rondônia, trechos da floresta amazônica já perderam 80% da mata, que foi transformada em pastagem. O mogno é uma das madeiras mais procuradas. E é retirado, principalmente, das unidades de conservação e das terras indígenas. Mas há também corte seletivo de cedro, maracatiara, faveira, cerejeira, ipê, angelim, capiúba, roxinho e cedro. Segundo o chefe da Polícia Federal local, Sérgio Lúcio Fontes, há uma forte resistência da população às operações de repressão, sob a alegação de que a sobrevivência depende do corte ilegal da madeira. “O problema”, diz o delegado da PF, “é que essas pessoas quase sempre são apenas ‘massa de manobra’, gente explorada pelos grandes grileiros e fazendeiros da região.”.

  • FISCALIZAÇÃO

O problema da transferência das concessões de floresta da União para o Estado de Rondônia concentra-se no fato de que a secretaria estadual não tem pessoal suficiente para fiscalizar as áreas concedidas. O Ibama padece do mesmo problema, mas agora, com a nova política, as áreas concedidas não param de aumentar. Nos 340 quilômetros entre Guajará-Mirim e Porto Velho, por exemplo, que é uma das estradas por onde é traficada boa parte da madeira, não existe um só posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal. O Ibama tem só 12 fiscais para coibir a devastação de 237,5 mil quilômetros quadrados de área. São 19.798 quilômetros quadrados de área por fiscal. “A sorte é que contamos com a colaboração e a parceria de outros órgãos, como o Exército, a Polícia Federal e o batalhão de florestas do Estado. É pouco, mas, se não atuamos com o Exército, somos corridos. Eles (os traficantes de madeiras, drogas e armas) fazem emboscadas, nos ameaçam o tempo todo e nos isolam.”

  • AS FORMAS DE DESMATE

Grileiros como laranjas: Grileiros usam laranjas para ocupar a região a ser devastada. Esses laranjas fazem o papel de pequenos agricultores ou posseiros. Depois de conseguir um registro no Incra, formalizando a ocupação da terra, os falsos agricultores ou posseiros também são falsamente expulsos pelos ‘fazendeiros’, que tomam posse, cercam a propriedade e promovem a devastação na nova ‘fazenda’ para a agricultura. Ataque a assentamentos: O ataque a assentamentos feitos pelo Incra, onde os ‘jagunços’ chegam expulsando os agricultores com algum tipo de documento falso, também é uma das formas de ocupar e desmatar. Escondendo a clareira: Os madeireiros mantêm de 50 a 100 metros de floresta nas margens de rodovias para dar a idéia de que a mata está intocada, mas abrem enormes clareiras dentro. Foi o que fizeram ao longo da BR-421, que liga Campo Novo a Nova Mamoré, saindo do oeste do Estado e cortando todo o Parque de Guajará-Mirim. Corte seletivo: Alguns desmatamentos são mais trabalhosos, seletivos, e chamam menos atenção. Em vez de fazer uma devastação a esmo, os madeireiros entram na floresta e escolhem as árvores. Foi o que o Ibama descobriu em Ponta do Caripuna, na reserva indígena de mesmo nome, e também na Floresta Nacional Jamari, na divisa com o município de Cujumbin. Editorial in www.estado.com.br "O Estado de São Paulo" em 21.10.07. ((Tânia Monteiro, Guajará-mirim e Porto Velho) em 21.10.07. ).

26/12/2007

Anticapitalismo

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 00:02
Anticapitalismo e outras esquisitices - Não há futuro para o Brasil fora do sistema capitalista, não só por causa do fracasso do socialismo, mas porque a economia de mercado, ancorada em fortes instituições, se provou melhor para a geração de bem-estar. Acontece que a maioria dos brasileiros, influenciados por séculos de centralismo estatal e pela cultura ibérica (a antiga, não a atual), ainda crê que o Estado pode obrar o desenvolvimento. A aceitação do lucro ainda é baixa entre nós, especialmente se os ganhadores forem os bancos. Conhecido colunista inquinou de “narrativa irônica” a que descreveria um país em que um governo de esquerda “chega à metade do seu mandato entre foguetes dos bancos, que nunca lucraram tanto”.
Mailson da
Ora, dir-se-ia, se a economia vai bem, é de se esperar que a indústria produza mais, os hotéis tenham mais hóspedes, os aviões andem mais cheios, os supermercados vendam mais e assim por diante. Logo, as empresas em geral – e não apenas os bancos – ganham mais. Nesse campo, poucos superam o famoso procurador Luiz Francisco de Souza, autor de um livro com idéias alucinadas, como a de que “não é admissível, no prisma ético, que existam fortunas privadas” em meio a proletários. Lula se livrou dessas visões infantis. Pragmático, manteve a política econômica e festeja sua opção. Politicamente esperto, alardeia que tudo mudou. O Presidente tem convicções ausentes na classe política, como a de que o Banco Central deve ter autonomia operacional. Seu governo poderia gerar melhores resultados, mas lhe cabe parte do crédito por estes bons momentos.

Mais do que os nossos políticos e certa esquerda, Lula entendeu o papel do lucro. Em entrevista à Folha de S. Paulo (14/10/2007), se disse satisfeito com sua relação com o empresariado. “Tenho consciência de que estão ganhando dinheiro no meu governo como nunca.” Isso não o incomoda? “Não. Com eles ganhando mais dinheiro, vai ter mais investimento, mais geração de emprego, mais salário. Quando estão mal, o resultado é mais desemprego, mais miséria”. O nosso anticapitalismo não é privilégio do colunista e do procurador. É o que se vê na excelente obra de Alberto Almeida (“A cabeça do brasileiro”, Editora Record): 51% acham que os bancos têm que ser estatais e 68% acredita que as estradas devem ser responsabilidades do setor público, malgrado o deplorável estado das rodovias operadas pelo governo federal. Almeida sustenta que essas visões arcaicas vão se tornar minoria, mas a mudança, que se dará via educação, vai demorar.

Profundo conhecedor da realidade brasileira, o ex-presidente Fernando Henrique também reconhece essa forma de pensar, embora registre os avanços do Brasil (em parte, digo eu, por conta de seu governo). Em entrevista à revista Exame (10/10/2007), FHC disse que “o brasileiro gosta de Estado”, assinalando que “o Congresso está cheio de gente contrária ao capitalismo. Não que sejam socialistas, são contra o espírito do capitalismo”.

Visões anticapitalistas mais extremadas podem ser encontradas em correntes do PT e no MST. Os primeiros ainda crêem que o socialismo pode ser reinventado e os últimos não conseguem enxergar os auspiciosos benefícios do agronegócio para a geração de produto, renda e emprego, preferindo ações tendentes a destruí-lo. Para quem perde o sono com essas idéias e teme que o PT consiga manipular a opinião pública para garantir um terceiro mandato para Lula (um risco próximo de zero), é preciso dizer que propostas folclóricas e idéias fora do lugar, como as professadas por nossos anticapitalistas, também aparecem nos mais incríveis lugares, inclusive naqueles onde o capitalismo e idéias modernas triunfaram. É o caso do candidato a presidente dos EUA, o deputado federal texano Ron Paul, que submeteu ao Partido Republicano uma plataforma libertária na qual defende a abolição do Imposto de Renda, a extinção do Federal Reserve System (o banco central) e a volta ao padrão-ouro dos anos 1930. Para ele, seu país deveria deixar de fazer parte da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Internacional do Trabalho (OIC). Como se vê nas melhores famílias existe gente com as antenas desgovernadas. Não deveria constituir surpresa se o Brasil também não tivesse os seus aloprados, que não são apenas os que montam dossiês contra adversários políticos.

Mailson da Nóbrega é ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada (e-mail: mnobrega@tendencias.com.br) Postado no Blog do Noblat in O Globo Online em 28.10.07.

24/12/2007

Sexualidade

Arquivado em: Textos Especiais — hilltop @ 00:48

Amor e sexo

Sexualidade - Um exercício de futuro sobre o amor e o sexo – Fim de ano é tempo de sonhos, projeções e reflexões não apenas para o ano seguinte. No livro "A cama na varanda", da psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins, a autora lançou um capítulo extra este ano, quando a obra completa dez anos, dedicado ao porvir. Em "O futuro que se anuncia", a autora fala sobre poliamor, a nova estrutura familiar, o fim do amor romântico, sexo virtual e diminuição progressiva da fidelidade: novidade com que as mulheres vão ter de se acostumar num futuro breve acredita a autora.

“O amor romântico está saindo de cena, porque traz com ele a idéia de fusão, enquanto as pessoas estão cada vez mais individualistas (Regina Navarro Lins, sexóloga)”. “Para Regina, a insatisfação crescente com os relacionamentos reflete o insucesso da instituição do casamento e da fidelidade”. Segundo a autora, o sem número de relações extraconjugais representa o "triunfo da natureza sobre a cultura". E, se hoje, ainda se põe na balança a estabilidade de um relacionamento e a liberdade, a tendência é que o pêndulo aponte, cada vez mais, para a novidade.

- Desde a década de 70, vivemos grandes transformações e os valores tradicionais não são mais capazes de dar respostas. As pessoas buscam viver com mais prazer e, se antes tinham de se enquadrar em modelos para serem aceitas, hoje esses padrões estão bem menos rígidos. Uma relação a dois fechada tem a ver com o fato de nossa cultura estimular a busca por alguém que lhe complete. Mas o amor romântico está saindo de cena, porque traz com ele a idéia de fusão, enquanto as pessoas estão cada vez mais individualistas - acredita a especialista.

Segundo a autora, as mulheres vão aprender a viver o casamento de outras formas, talvez com parceiros variados, arrisca: "um para viajar, outro para o sexo etc." E essas transformações podem ser bastante positivas. Já para a sexóloga, escritora e terapeuta de casais Maria Helena Matarazzo, apesar de as relações serem cada vez mais efêmeras, no futuro, os casais deveriam procurar pela qualidade de uma relação estável.

“Acho que a saída é reaprender a namorar, porque com o avanço feminino, essa etapa se queimou e as conseqüências são frustração e desilusão (Maria Helena Matarazzo, sexóloga)”.

- Durante a revolução sexual, as mulheres lutaram pela liberdade e pela igualdade. Mas nenhuma revolução atinge os seus objetivos plenamente. Nesses últimos 30 anos, a posição delas na sociedade se transformou, mas a conquista foi mal compreendida. Inicialmente, a idéia era quanto mais, melhor. Elas acreditaram que por meio do sexo iam encontrar o amor e, quando se deram conta de que não era bem assim, começaram a se sentirem usadas ou violentadas. Acho que a saída é reaprender a namorar, porque com o avanço feminino, essa etapa se queimou e as conseqüências são frustração e desilusão - afirma Maria Helena Matarazzo.

  • O papel da rede nos relacionamentos

De acordo com a especialista, para compensar a carência afetiva - que afeta ainda mais as mulheres hoje em maioria em nossa sociedade - cria-se mecanismos de compensação, como a busca de um amor idealizado em filmes ou novelas e o sexo virtual. Cada vez mais popular, essa forma de relacionamento ainda hoje causa polêmica (veja opiniões de leitores do Globo Online) . Para a leitora Zillah Hammer, o mundo virtual cria a prerrogativa de que tudo é possível e dificulta a imposição de limites:

- Nesse meio onde tudo é efêmero, instantâneo e artificial, as relações dadas nessas bases, em que alguns dizem até que se conheceram e se casaram, mostram que de fato tudo é possível - diz.

Regina Navarro Lins explica que, por ser novidade, a internet não permite previsões muito seguras, mas já está mudando a forma de as pessoas se relacionarem. E o fato de os casais se conhecerem e estabelecerem vínculos afetivos pela rede não significa a extinção do contato físico nas relações: ao contrário, essas duas formas de interação devem ser complementares.

  • No amor e no sexo vale tudo

Segundo a escritora Regina Navarro Lins, o poliamor, ou modalidade de relacionamento em que se amam várias pessoas ao mesmo tempo, deve ser mais bem aceito e praticado ao longo das décadas. E a busca crescente das pessoas por casas de suingue experiências como o "ménage à trois" mostrariam essa tendência.

“Na cultura patriarcal, existe uma maior cobrança para definir o que é do homem e o que é da mulher. Mas hoje, podem-se buscar os dois, o todo (Regina Navarro Lins, sexóloga)”

- A bissexualidade também deve aumentar. Na cultura patriarcal, existe uma maior cobrança para definir o que é do homem e o que é da mulher. Mas hoje, podem-se buscar os dois, o todo. É possível que daqui a um tempo a escolha pelo parceiro não seja pelo sexo, mas pelas características - afirma a escritora.

A nova família: os meus, os seus e os nossos

Se transas, namoros e "ficadas" começam e terminam de forma mais rápida, o mesmo acontece com os casamentos. A multiplicação do número de uniões está formando uma nova estrutura familiar, dizem as especialistas, sem regras e com menos preconceitos:

- A tendência no século XXI é que os jovens se casem mais de uma vez, diferentemente dos pais ou avós, e não mais até que a morte os separe, mas sim até que a vida os separe. Eles buscam a união quando querem constituir família, porque existe tanta liberdade sexual, que não há mais necessidade de pressa. Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice de divórcio após o primeiro casamento está em torno de 50%. Com isso, as estruturas familiares vão ficando muito complexas, com vários avós e muitos meios-irmãos - destaca Maria Helena Matarazzo. Editado in O Globo.com - Renata Cabral - O Globo Online.

21/12/2007

Tarde demais

Arquivado em: Poesias — hilltop @ 03:59

Poema supostamente assinado por Clarice Lispector.É interessante porque é um poema espelhado.Pode ser lido de trás para diante. 

Tarde Demais

mariah m carey

 

Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que


Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que


Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que


Você não significa nada

Não poderia dizer mais que


Alimento um grande amor


Sinto cada vez mais que Já te esqueci!

E jamais usarei a frase 'Eu te amo'!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais.
 

Agora releia da última linha para cima, assim:

É tarde demais

Sinto, mas tenho… (E assim por diante).

20/12/2007

As igrejas e os deuses

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 19:32
As igrejas e os deuses sob ataque II - Nos tempos modernos, a mais feroz disputa entre ciência e religião vem sendo travada em torno da evolução das espécies pela seleção natural. Ela põe por terra a crença do cristianismo e do judaísmo sobre a criação do mundo e dos seres que o habitam em uma semana, por um deus todo poderoso que se deu ao luxo de descansar no sétimo dia. Comumente, acredita-se ser ela uma teoria formulada pelo naturalista inglês Charles Darwin, na segunda metade do século 19. Sendo uma teoria, dependeria ainda de provas, argumentam os religiosos. Não é bem assim – no tempo de Darwin a evolução já era coisa firmada e confirmada por meio de incontáveis descobertas da paleontologia. O grande mistério da época era como se dava a evolução – e Darwin solucionou-a com a idéia da seleção natural, esta sim, ainda uma teoria não confirmada cientificamente. Darwin hesitou muito tempo em publicar seu trabalho, certo de que ele provocaria reações da Igreja. Isso realmente aconteceu e embora hoje pareçam hilariantes os acalorados debates havidos na época a respeito dessa controvérsia, ela ressurgiu nos anos recentes, sobretudo nos Estados Unidos, onde se tenta obrigar as escolas a ensinarem, junto com a evolução, a crença religiosa de que todos os seres vivos foram criados por deus, numa tacada só.
 
trindade

O biólogo Richard Dawkins tem sido um dos mais ardorosos participantes dessa batalha, embora não seja exatamente um americano. Na verdade é difícil definir o que ele é – nasceu em Nairobi, no Quênia, em 1941, cresceu na Inglaterra, formou-se na consagrada Universidade de Oxford, deu aulas em Berkeley, nos Estados Unidos, e atualmente leciona Compreensão  Pública da Ciência em Oxford. Parece uma disciplina estranha, mas deve ter sido criada especialmente para ele, um elegante expositor das realidades científicas para o público leigo, como atestam seus livros “O Relojoeiro Cego”, “A Escalada do Monte Improvável”, “O Capelão do Diabo” e “O Gene Egoísta”. Todos forneceram abundante munição para a guerra contra os defensores do desígnio divino. Em seu livro mais recente, ele abandona a posição defensiva normalmente adotada pelos cientistas e parte para o ataque contra os fundamentos da religião. Não por acaso, seu título é “Deus, um Delírio”.
 
Jota

São 520 páginas de argumentos apresentados de maneira tão clara e lógica quanto contundente. Impossível dar aqui um resumo competente deles – mas é possível ter uma idéia do conteúdo com os títulos dos capítulos que o compõem: “Um Descrente Profundamente Religioso”, “A hipótese de que Deus Existe”, “Por Que Quase com Certeza Deus não Existe”, “As Raízes da Religião”, “As Raízes da Moralidade – Por Que Somos Bons?”, “O que a Religião Tem de Mau?”, “Infância, Abuso e a Fuga da Religião”, “Uma Lacuna Muito Necessária?” O objetivo confesso desse livro – está assinalado na contracapa da edição brasileira – é não apenas provocar os religiosos convictos, mas principalmente levar os religiosos “por inércia” a pensar racionalmente a sua crença, trocando-a pelo orgulho ateu e pelo amor à ciência.
Vou limitar-me a apresentar alguns argumentos do capítulo “O Que a Religião Tem de Mau?” Nele Dawkins relata que muitos companheiros cientistas, convictos como ele de que deus não existe, procuram-no para argumentar: o que a religião tem de errado? Ela faz tanto mal assim para que devamos combatê-la? Por que não deixar para lá, como se faz com Touro e Escorpião, a energia dos cristais e coisas assim?  Não são só bobagens inofensivas? E para completar: sua hostilidade não faz de você um ateu fundamentalista, tão fundamentalista quanto aqueles malucos do Cinturão Bíblico?”
Dawkins responde com poucas e boas palavras: “Os fundamentalistas acreditam que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado, e sabem, desde o começo, que nada os afastará de sua crença (…) Pelo contrário, as coisas em que acredito, como cientista (a evolução, por exemplo), acredito não porque li num livro sagrado, mas porque estudei as provas.” E garante: “Quando um livro de ciência está errado, alguém acaba descobrindo o erro, e ele é corrigido nos livros subseqüentes. Isso, evidentemente, não acontece com os livros sagrados (…) Acreditamos na evolução porque as evidências a sustentam, e a abandonaríamos num piscar de olhos se surgissem novas evidências que a desmentissem. Nenhum fundamentalista de verdade diria uma coisa dessas”.
Ele recorre a numerosos relatos de acontecimentos ou práticas que confirmam suas convicções. No Afeganistão, sob o Talibã, a punição oficial para a homossexualidade é enterrar o acusado, vivo. Como esse suposto crime é um ato individual, praticado por adultos com mútuo consentimento, sem fazer mal a ninguém, “temos aqui a marca registrada do absolutismo religioso”. O Talibã, com certeza, baseia-se num grotesco fundamentalismo religioso. Mas, argumenta Dawkins logo em seguida, “meu próprio país não tem do que se vangloriar: o comportamento homossexual privado foi uma transgressão criminosa na Inglaterra até – inacreditavelmente – 1967”. E lembra que em 1954 o matemático britânico Alan Turing, candidato junto com John von Neumann ao título de pai do computador, cometeu suicídio depois de ser condenado pela contravenção de manter comportamento homossexual privado. Na verdade, argumenta o autor, ele deveria ter sido aclamado como herói nacional, pois foi a cabeça essencial do serviço que, durante a Segunda Guerra Mundial, desvendou os códigos utilizados pelo Exército Alemão para transmissão de suas ordens.
Mas ele tem histórias contemporâneas para justificar seu empenho em combater o fundamentalismo e tentar abalar a tranqüilidade dos religiosos não fundamentalistas. “Voltando ao Talibã americano, ouça Randall Terry, fundador da Operação Resgate, uma organização criada para intimidar médicos que se dispõem a fazer abortos: ‘Quando eu, ou pessoas como eu, estiver governando o país, é bom você fugir, porque vamos encontrá-lo, vamos julgá-lo e vamos executá-lo. Estou falando sério.” E depois, uma amostra de sua pregação ao público geral: “Quero que você se deixe levar por uma onda de intolerância. Sim, o ódio é bom (…) Nosso objetivo é uma nação cristã. Temos um dever bíblico, somos chamados por deus a conquistar este país. Não queremos tempos iguais. Não queremos pluralismo (…) Precisamos de uma nação cristã, construída na lei de deus, nos Dez Mandamentos. Sem pedidos de desculpa.”
Poderia pegar no livro mais uma dezena de casos parecidos, acontecidos no mundo cristão e no mundo muçulmano, utilizados por Dawkins para justificar sua má vontade com a fé religiosa. Castigos irracionais ao homossexualismo, à prática do aborto, ao casamento com crentes de outras religiões, a coisas indefiníveis como a blasfêmia – um crime que, afirma o autor, ainda consta das leis inglesas. Inacreditável. Daí a certeza do autor de que as religiões cada vez mais se tornam uma ameaça à sobrevivência da democracia política, da convivência pacífica, na sociedade, de idéias e crenças diferentes ou divergentes, e da pesquisa científica em geral.
Registro, apenas, que “Deus, um Delírio”, foi um sucesso de vendas, nos Estados Unidos e na Inglaterra, desde o lançamento, em 2006. Surpreende-me que também tenha conseguido elogios consagradores da imprensa. “Um ataque brilhante à onda de superstição que mais uma vez percorre o mundo pelo grande cientista que, ao longo de sua carreira, tem demonstrado a força da razão sóbria e incisiva para explicar a vida”, escreveu Johann Brown no Independent (a propósito: escrevi no artigo anterior que este jornal é americano; na verdade, é inglês); “Em ‘Deus, um Delírio”, a debilidade intelectual da crença religiosa é desnudada sem piedade, assim como os crimes cometidos em nome dela”, sentenciou The Times; “Este livro é um apelo declarado para que não nos acovardemos mais”, pregou The Guardian.
Deus, um Delírio / Richard Dawkins / Tradução de Fernanda Ravagnani / Quinta reimpressão / Cia. das Letras - Todos os outros livros de Richard Dawkins aqui citados foram editados pela Cia. Das Letras e podem ser encontrados nas livrarias. Por Almyr Gajardoni -  Postado in Blog do Noblat

17/12/2007

Duas Almas

Arquivado em: Poesias, Textos Especiais — hilltop @ 17:59

 

Duas almas

Alceu Wamosy

spacca

 

Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada,

Entra, e, sob este teto encontrarás carinho:

Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,

Vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,

E a minha alcova tem a tepidez de um ninho,

Entra, ao menos até que as curvas do caminho

Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,

Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,

Podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.

Há de ficar comigo uma saudade tua…

Hás de levar contigo uma saudade minha…

Alceu Wamosy (Uruguaiana RS, 1895 - Livramento RS, 1923) publicou seu primeiro livro de poesia, Flâmulas, em 1913.  Poeta simbolista,escreveu poemas cheios de desencanto, em uma produção que se destacou no sul do país e é uma das mais significativas do Simbolismo brasileiro.

15/12/2007

Encontro com a alma

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 18:04

Encontro com a alma no espaço virtual - Site na internet faz uma interessante conexão entre dois universos aparentemente incompatíveis: o mundo dos sonhos e o mundo virtual - Há quem suponha impraticável trabalhar as imagens oníricas pela internet. Polêmico, sem dúvida, esse modo de entrar em contato com os sonhos foi desenvolvido pelo analista junguiano de Boston, Robert Bosnak, e sua assistente Jill Fischer, em 1997. Mas além de possível, a prática é uma interessante conexão entre dois universos aparentemente incompatíveis: o mundo virtual e nossas imagens inconscientes. No universo online pode ser associado à linguagem dos sonhos.

spacca

Uma breve introdução sobre a relação que se estabelece entre analista, paciente e sonhos a partir de Freud, entretanto, se faz necessária para melhor compreender essa proposta de trabalho que se desenvolve em grupo. Freud vê no sonho a possibilidade de descobrir, por meio da associação livre, o núcleo das idéias patológicas e as diversas estruturas oníricas rastreando a memória do sonhador. Jung radicaliza essa proposta, permitindo que o sonhador encontre os elos associativos agrupados em torno de cada imagem para recuperar o contexto geral de seu sonho. Robert Bosnak aprofunda ainda mais essa questão, dando total prioridade ao papel do sonhador e atribuindo às imagens oníricas um corpo capaz de liberar a psique definitivamente das amarras do ego, do controle da razão e de qualquer influência que o analista possa ter enquanto intérprete, facilitador ou amplificador. Por Sílvia Graubart Saiba mais indo ao hyperlink: Encontro com a alma no espaço virtual - Mente e Cérebro

Pó de pirlimpimpim

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Pó de pirlimpimpim - Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de macela. Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e profere estupefato: "I know kung fu".

cérebro

Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: "Urubu, pra cantar, demora". O aprendizado de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais, impossibilitando a aquisição instantânea de memórias complexas.

Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan mostraram que as planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento, associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias previamente condicionadas (McConnell, J Neuropsychiat, 3: 542-548, 1962). O resultado, aparentemente revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não-condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico, independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas (Hartry et al., Science, 146: 274-275, 1964).

A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de significado como a pílula de Emília. Por outro lado, é perfeitamente possível acelerar a consolidação das memórias através da otimização de variáveis fisiológicas naturalmente envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, que comprovadamente beneficia a consolidação de memórias. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Lübeck, Alemanha, testou os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) ou rápidas (5 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um estimulador transcraniano magnético. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa freqüência (mas não a de alta) é suficiente para melhorar significativamente o aprendizado de diferentes tarefas em humanos (Marshall et al., Nature, 444: 610-613, 2006). Ao que parece, as oscilações lentas que caracterizam o sono sem sonhos são puro pó de pirlimpimpim.

Sidarta Ribeiro é Ph.D. em neurobiologia pela Universidade Rockefeller e pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN). Fez pós-doutorado na Universidade Duke (2000-2005) investigando as bases moleculares e celulares do sono e dos sonhos e o papel de ambos no aprendizado. Confira no hyperlink: Pó de pirlimpimpim - Mente e Cérebro

13/12/2007

efeito camaleão

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Efeito Camaleão - Lesões no lobo frontal podem desencadear a síndrome de Zelig, distúrbio raro, em que pacientes assumem novas identidades em resposta a estímulos ambientais - por Daniela Ovadia - Até os 65 anos o professor de literatura João D. era um líder político na pequena cidade onde morava. Apaixonado por teatro, atuou desde a adolescência em montagens de grupos amadores. Após sofrer uma lesão cerebral causada pela falta de oxigênio no cérebro durante um infarto, porém, sua vida se transformou. Semanas após receber alta do hospital, sua mulher, Lúcia, levou-o de volta à instituição, queixando-se de seu comportamento irritadiço e repetitivo. Ela estava assustada: João agora perdia facilmente o controle e, em algumas situações, parecia ser outra pessoa. Quando entrou no consultório, o professor mostrou-se cordial e colaborou com o neurologista que o examinava. Em dado momento, declarou: “Eu também sou médico”.
velha gentil

Por trás do paciente, Lúcia abanava a cabeça, fazendo sinal negativo para o neurologista. A entrevista e os exames clínicos foram suficientes para mostrar graves distúrbios de memória autobiográfica (que compreende episódios importantes da própria história de vida), ocorrência de confabulações (discursos fantasiosos e incoerentes) e desconhecimento da própria doença. João D. sofria também de amnésia anterógrada, disfunção que impede a fixação de novos eventos. Na prática, ele vive a contínua renovação do presente, desvinculada do passado – e esquece o que acabou de acontecer. Preocupada, Lúcia contou ao médico que o marido afirma ser colega de profissão de cada pessoa com quem se encontra. “Há poucos dias ele convenceu um advogado de ter feito curso de direito e de trabalhar até recentemente num escritório jurídico.” - Daniela Ovadia é jornalista. – Tradução de Tatiana Fonseca Oliveira - Daniele Fanelli é jornalista científica – Tradução de Doris Cavallari -   Saiba mais indo ao hyperlink: Efeito Camaleão - Mente e Cérebro

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