Cume - Escalando Montanhas

29/11/2007

A vinda da família real (4)

Arquivado em: Textos Especiais — hilltop @ 17:37
“Au revoir”, Napoleão! - Há exatos 200 anos, Dom João e a corte portuguesa zarpavam rumo ao Brasil. O Bom Dia vira a página da história e conta como uma corte inteira passou três meses a bordo e deixou os franceses a ver navios. A 29 de novembro de 1807, a frota real já tinha desatracado do porto e começava a viagem em direção ao Brasil. Mar perigoso e desconforto nas embarcações: os navios portugueses estavam preparados para essa aventura? Na reportagem especial de hoje, saiba como foi a travessia do Atlântico, os perigos e a incerteza do desconhecido. Na manhã chuvosa do dia 27 de novembro, o embarque de toda uma corte aconteceu no meio da lama e do caos, no que hoje é um dos maiores pontos turísticos de Lisboa: o cais da Torre de Belém. No caos e na lama, caixotes com a prataria das igrejas e os livros da Real Biblioteca foram deixados para trás. Os livros seriam recuperados e enviados mais tarde para o Brasil. A prataria voltou secretamente para esconderijos nas igrejas reais. Quando o Exército bonapartista, comandado pelo general Junot, chegou a Lisboa não houve resistência. E não havia praticamente o que pilhar.
 



navio português


“Chegou e ficou a ver navios. Era a expressão da época”, conta o professor Nireu Cavancalti.
E o Brasil, cobiçado por tantos franceses há tantos séculos, era a jóia da coroa. Por isso, Dom João, com toda sua cautela, resolve enfrentar o maior dos perigos: a longa travessia de um oceano, que ainda era um mar tenebroso. Atravessar o Atlântico em 1807 ainda era uma viagem de alto risco; viajar com toda a corte, uma ousadia; embarcar na mesma nau a rainha, o príncipe regente e o príncipe herdeiro, uma ameaça maior ainda. O trono dos Bragança poderia ficar vago.
“Se essa embarcação afundasse, ali se perderia toda a linha direta da sucessão do trono português. Realmente, não houve uma distribuição como deveria ter ocorrido. E essa embarcação esteve perdida durante um dia”, lembra a museóloga Vera Tostes. Nas naus superlotadas, segurança já não havia. Conforto, então, menos ainda. Não havia cabines, camas, privacidade – apenas para a Família Real. A corte dormia no convés, como os marujos. “Estamos a falar que as condições de alojamento na época não eram nada do que são hoje. Portanto, as pessoas tinham apenas o espaço para dormir e um espaço para estar, na maior parte das vezes, no convés e no exterior “, disse o almirante José rodrigues, diretor do Museu da Marinha de Portugal. Por falta de água, da habitual falta de banhos dos europeus da época e das e das péssimas condições de higiene a bordo, as naus sofreram com percevejos e piolhos, especialmente a que levava as princesas e principais damas da corte. “Houve um surto de piolhos durante a viagem. Eles catavam o piolho dos outros. Aí foram obrigados a raspar as cabeças. Foi um desembarque não exatamente muito bonito”, ressalta o historiador Notato Duque Estrada. A cidade, que seria a sede do reino, podia ser tão bela quanto assustadora.
“Relatos mostram, não só de viajantes, mas de diversos tipos de fontes, como que as condições físicas da cidade eram muito contrárias ao bem-estar das pessoas, em geral. Condições de habitação, condições de insalubridade mesmo, de abastecimento de água, de recolhimento de dejetos. Era uma cidade ainda onde tudo estava por se fazer”, comenta O historiador Jurandir Malerba. Mas essa parte da história fica para janeiro que vem. Na sexta-feira, a Arte da Mesa entra nessa história. Sandra Moreyra mostra a sobremesa do casamento de Napoleão e Josefina.
Saiba mais:Especiais - Séries de reportagens do Bom Dia Brasil - NOTÍCIAS - “Au revoir”, Napoleão!

Quem Morre?

Arquivado em: Poesias, Textos Especiais — hilltop @ 17:26

 poeta

Quem morre? - Pablo Neruda

 Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,

 Repetindo todos os dias o mesmo trajeto,

Quem não muda de marca, / não arrisca vestir uma cor nova

modelo natalia

E não fala com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.

não à

Morre lentamente quem evita a paixão,

a paixão

Quem prefere o negro sobre o branco

E os pingos sobre os “is” a um redemoinho de emoções,

Justamente as que resgatam os brilhos dos olhos, sorrisos dos

shakira

Bocejos, corações a tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no

 Trabalho, / quem não arrisca o certo

Pelo incerto para ir atrás de um sonho,

Quem não se permite pelo menos uma vez na vida,

Fugir dos conselhos sensatos.

 Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,

gramofone

Gal Costa in Baby de Caetano Veloso

Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio,

 Quem não se deseja ajudar.

 Morre lentamente, quem passa os dias

Queixando-se do azar ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes

De iniciá-lo, não perguntando de um assunto que desconhece

Ou não respondendo quando lhe indagam sobre algo que sabe.

 Evitemos a morte em suaves cotas, recordando sempre

Que estar vivo exige um esforço muito maior

 Do que o simples feito de respirar.

 Somente a ardente paciência fará

Com que conquistemos uma plena felicidade.

 

Pablo Neruda, nascido Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, (Parral, 12 de Julho de 1904 — Santiago, 23 de Setembro de 1973) foi um poeta chileno, um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX, e cônsul do Chile na Espanha (1934-1938) e no México. Recebeu o Nobel de Literatura em 1971.

Pangloss

Arquivado em: Notícias, Textos Especiais, Do Editor — hilltop @ 04:23
Depois da inflação (e antes do desenvolvimento) - O presidente Lula voltou à manchete, em entrevista exclusiva (O Globo), para dizer, com sabor de novidade, tudo que repete sem se fazer acreditar. Nem ele acredita. Diante da velha opção, dá por conquistada a vitória sobre a inflação e anuncia a volta do desenvolvimento. O otimismo faz de Lula a reencarnação de Pangloss, à brasileira (com farofa e azeitona), e não pela mão de Voltaire.
 
pangloss
 
Pangloss achava que tudo ia bem, cada vez melhor, da melhor maneira possível, mesmo quando não parecia. Só não era brasileiro. A inflação já deu eleitoralmente o que tinha para dar. Agora é o desenvolvimento que enche urna. Não é mais a questão relativa ao número de mandatos, também resolvida, que move o presidente. A eleição está longe e tudo se resume em ganhar tempo sem compromisso. Quanto mais perto da eleição, mais o desenvolvimento sobe às cabeças.
 
lula
 
Com tempo suficiente, Lula lançou o neo-otimismo e se esconde atrás da imagem da ministra Dilma Roussef, nomeada por ele sombra oficial do presidente. Ela é a candidata para ser apedrejada, ele o eleitor oculto, mas só até abrir-se a temporada eleitoral em 2010.

Para não variar, desta vez os brasileiros desfrutarão de "um Natal nunca antes visto neste país", por óbvia benevolência de um presidente também nunca visto antes neste país, e certamente sem similar nacional no futuro previsível. O homem está com a corda toda: "tínhamos de aproveitar o momento" (a credibilidade de quem tinha acabado de sair das urnas com a faixa de vencedor), para "dar uma chance ao Brasil". O presidente se referiu, como um sucesso, ao choque que deu mais nos brasileiros do que no Brasil. Choque de estupefação. Tudo ao contrário do que vinha propondo desde os tempos sindicais. Faltou-lhe, no entanto, desde o primeiro momento, uma oposição. A que saiu das urnas, em frangalhos, é incapaz de pedir uma solução clínica (sem precisar ser cirúrgica). "Vamos procurar — promete Lula para 2008 — outros assuntos para discutir". Não mais vamos falar, por exemplo, em inflação. Uma pena, se não se tratar mais mensalão e caixa 2, da preferência nacional.

 

lula

Uma pena que Lula não usasse suspensórios na entrevista. Também cairia bem um charuto de capitalista de caricatura ao dizer: "temos $175 bilhões de dólares em reservas", com a mesma sem cerimônia com que não abre mão da CPMF. Não tem noção de risco. Reserva é reserva, mas não para ser usada em outra coisa. Perdeu, mas ainda está em tempo, o presidente aparecer na indumentária completa de Papai Noel para proclamar: "Vamos ter um Natal dos melhores em toda a História. Uma camada imensa de seres humanos marginalizados está entrando na sociedade que compra." Com franqueza, presidente, se alguém compra é, principalmente, porque alguém vende. O mercado consumidor é que sustenta o mercado produtor (não os governos). De olho no infinito, Lula se lembrou dos pobres do mundo inteiro ao localizar, entrando no consumo, os novos consumidores brasileiros, num sucesso de "causar inveja à China". Já não é uma ordem de grandeza, mas mania disso. É inegável, Lula ganhou nova dimensão na entrevista ao Globo. Está cada vez mais parecido com Pangloss. Só lhe falta um Voltaire para consagrá-lo como otimista incurável: "Não existe limitação para o crescimento bater com a cabeça no teto". Poderia ter dito: o céu é o limite. Mas não lhe ocorreu senão reforçar o panglossismo assumido: "Não existe gargalo na infra-estrutura".

alegria

 

Na versão Papai Noel, o presidente se refere a "sistema elétrico, muito mais preparado do que em qualquer outro momento. Estamos interligando todo o sistema". Nunca Papai Noel foi presidente dos brasileiros senão agora: "fico com inveja do salário da iniciativa privada". E vice-versa, presidente, mas esteja certo de que os empregados têm inveja da remuneração dos funcionários públicos. E, por último, para deixar claro que estamos de volta à opção entre inflação e desenvolvimento, Lula exagera: o segundo mandato fica todo para o desenvolvimento. O primeiro se sacrificou no combate à inflação. Não há almoço de graça, pensa Lula, e conclui, logo não pode haver desenvolvimento sem gasto. Se faltar recurso, apela-se para mais imposto. Não se trata de nomear, diz o presidente, guardando a caneta, mas é impossível melhorar a saúde sem contratarem médicos e garantir educação sem nomear professores. Não havendo médicos disponíveis nem professores sobrando, nomeia-se gente do PT. Não é a mesma coisa, mas dá para o gasto.

O Lula mais discreto, para uso de poucos, considera complicado extinguir o imposto sindical, desde que chegou ao poder. Antes era diferente. Sustentava uma "briga histórica" contra desconto obrigatório de um dia de salário por ano, na folha de salários, quando estava na oposição. "Faz parte da minha matriz como sindicalista". Faz não, presidente. Fazia. De dentro do governo, percebeu que milhares de sindicatos não têm condições de sobreviver sem o desconto compulsório. Ficou complicado, em sua opinião, "tirar imposto sindical dos trabalhadores e não tirar dos empresários". Ficou enigmático. Lula tem mais dois anos para "encher lingüiça" ou desistir de ficar de fora. E mais um ano, o último, para o que for possível, se tudo continuar como está. A não ser que assuma a candidatura ao terceiro mandato antes que alguém, do seu lado ou do lado oposto, cresça e apareça nas pesquisas como favorito à vaga presidencial. Miguel Valadares in ON Opinião e Notícia 28.11.07.

Saiba mais indo a 'páginas' na margem direita deste Blog. Prima os hyperlinks a seguir e fique bem informado:

Pangloss - O filósofo ignorante

O ano da morte de Ricardo Reis (José Saramago)

 

 

28/11/2007

A vinda da família real (3)

Arquivado em: Textos Especiais — hilltop @ 14:20
Família Real de malas prontas - Sobrevivência, estratégia, permanência de uma dinastia e de algumas riquezas. Tais objetivos só ficariam possíveis para Portugal em 1807 se o rei fugisse para a sua maior colônia. Assim começou a saga da Família Real em direção ao Atlântico Sul. Um país pequeno, na esquina do Atlântico, com medo do domínio espanhol, com pavor das invasões francesas, dependente da política e da economia inglesa - Portugal não era mais uma potência dos mares. Para recuperar a autonomia e o trono, sob o domínio espanhol de 1580 a 1640, a nobreza lusitana casou a jovem Catarina de Bragança com o inglês Carlos II. O casamento foi um fracasso amoroso, mas selou uma forte aliança entre os dois países. Pouco mais de cem anos depois, foi com outro casamento que Portugal tentaria acalmar seus medos em relação à Espanha.
 
 
dom
 
O do jovem príncipe português João, de 18 anos, com a infanta Carlota Joaquina, que na época tinha apenas 10. João não era o herdeiro do trono. Só assumiu quando o irmão mais velho, José, morreu e a Rainha Maria I perdeu completamente o juízo. A corte dos Bragança, muitas vezes chamada de rude e grosseira, tinha muitas riquezas. O palácio de Queluz, onde vivia Dona Maria I, era a Versailles portuguesa, com salões inteiros decorados a ouro. A mesa e as festas eram o espetáculo da corte. “A mesa era festiva, lúdica e aparatosa. A arte do barroco era essencialmente uma arte para provocar a emoção. A mesa tinha, de fato, esse objetivo festivo, lúdico, espetacular, polifônico. Era um acontecimento teatral”, conta o diretor do Museu de Arte Antiga, José Monterroso.
Mas esse esplendor estava com os dias contados. Em 1806, quando Napoleão (foto) decreta o bloqueio comercial contra a Inglaterra, Portugal, se viu em maus lençóis. Como fazer sem o principal parceiro comercial? Como fazer para evitar a invasão dos franceses? É quando Dom João desenterra um velho plano português: a mudança para o Brasil, uma idéia cogitada há quase 200 anos por diversos monarcas e seus conselheiros, entre eles o Padre Antonio Vieira e o Marquês de Pombal. Em segredo, começa a tramar a escapada com os ingleses. Mais secretamente ainda embala as riquezas, para escapar da pilhagem das tropas de Napoleão. No meio do turbilhão, Dom João preparou a partida. Aceitou a ajuda e a escolta dos ingleses, mas sempre prudente, decidiu viajar no próprio navio, para não deixar os domínios portugueses. Depois de tanto tempo de aparente indecisão, mandou buscar os filhos e a mãe, no palácio de Queluz. A carruagem deixou o palácio de Queluz às pressas, em direção ao cais de Belém. Dentro, ia Dona Maria I, que há muito tinha perdido o juízo. Quando viu povo, que assistia à cena atônito, ela gritou com o cocheiro: “Devagar, homem, assim vão pensar que estamos a fugir”. Não havia mais o que esconder, nem qualquer razão para isto. Havia chegado a hora de toda a Corte deixar o reino. Saiba mais: Últimas Edições do Bom Dia Brasil - NOTÍCIAS - Família Real de malas prontas

A vinda da família real (2)

Arquivado em: Textos Especiais — hilltop @ 02:35

Entre dois amores - O Bom Dia Brasil começa a contar uma história fascinante: os 200 anos da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil. O que acontecia em Portugal em 1808? Veja os dilemas de uma corte dividida entre Inglaterra e França. Avenue de Wagram, Gare d 'Austerlitz: cada lugar conquistado por Napoleão na Europa faz parte da paisagem de Paris. Na Rue de Rivoli, nome de um local de batalha no norte da Itália, os marechais de Bonaparte foram eternizados, perto do Louvre, que Napoleão transformou em museu, com quadros e esculturas trazidos dos países em que seu exército venceu. O poder da França Napoleônica está consagrado ainda mais no Arco da Place de l'Étoile, no Obelisco trazido diretamente do Egito, no Arco do Carrossel, em frente ao Louvre. Por toda a parte, Paris celebra conquistas, as glórias de Napoleão – a começar pela avenida que dá acesso ao Panteão onde Bonaparte está sepultado.

napoleão

O túmulo foi construído de modo a que todos que vão conhecer mais sobre Bonaparte, tenham que fazer uma espécie reverência para ver Napoleão. Não à toa, o monumento ao estrategista que mudou a Europa no fim do século 18 e transformou para sempre a política é mais visitado do que a Torre Eiffel. Napoleão Bonaparte é o homem mais conhecido sobre a terra depois de Jesus Cristo. Ele subiu de posição rapidamente no exército depois da Revolução Francesa, quando a maioria dos oficiais nobres havia fugido para outros países. Sua visão de estratégia e as conseqüentes vitórias militares o fizeram cada vez mais forte e poderoso. Quando se tornou imperador em 1804, foi ele mesmo quem pôs a coroa na própria cabeça, numa época em que era o Papa quem coroava os reis.
Muitos monarcas europeus fugiram de Napoleão. Só permaneceu quem negociou a paz, aceitou um governo bonapartista ou se casou com um parente dele.
O historiador Jacques Garnier, especialista na estratégia militar de Bonaparte, conta que ele era como um Zidane. Tinha uma visão de jogo de craque, por isso ficava difícil derrotá-lo em batalha. Sabia surpreender como poucos. O país que já ditava moda no tempo dos Luízes, ia criar um novo modo de vestir, a moda Império. Catherine Join-Dieterle diretora do Museu Galiera, do vestuário francês, explica que o fim da monarquia francesa fez com que os homens de vestissem de um jeito mais austero e militar. “Mas foi a inspiração de Napoleão na República Romana que fez as mulheres usarem vestidos que lembravam antigas túnicas, com o corte logo abaixo do busto”, ela diz. Como as saias não eram mais fartas, não havia como fazer bolsos. Nascia aí a bolsinha, que até hoje é fiel companheira feminina. Os xales, as pashminas orientais, vinham para dar alguma cor e bordados sobre a roupa. Catherine Dieterle revela que a imperatriz Josefina, primeira mulher de Napoleão, chegou a furar o bloqueio comercial que ele decretou contra a Inglaterra e contrabandeou baús repletos deles da Cachemira, que era uma possessão britânica. Quem ficou possesso foi Napoleão. A Inglaterra, a outra grande potência da época, era adversária histórica da França. Se a Paris do século 18 era majestosa, Londres era moderna. A revolução ali era a industrial, das máquinas de tecidos. Portugal oscilava entre as duas superpotências da época. Tinha tratados, alianças com a Inglaterra, temia os ventos republicanos da França bonapartista, mas copiava a França.

“A língua francesa vinha pela Península Ibérica e se falava em Portugal. Era uma língua bonita, agradável. E não era só a língua, a língua francesa harmoniosa, musical, bonita. Eram também as coisas que vinham de França. A França era muito forte no nosso país”, afirma o historiador Joaquim Veríssimo Serrão.

Dom João, o Príncipe Regente, preferiu pagar para se manter neutro, mas Napoleão domina a Espanha e faz um acordo para dividir Portugal em três partes.

Quando, em 1806, Bonaparte decretou o Bloqueio Continental, que proibia os navios ingleses de aportar e comercializar na Europa, não dava mais para Portugal se manter fora dessa briga. E a história do Brasil começaria a mudar.

Saiba mais:Especiais - Séries de reportagens do Bom Dia Brasil - NOTÍCIAS - Uma aventura tropical:

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27/11/2007

Os deuses sob ataque

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 04:01
As igrejas e os deuses sob ataque - Nos últimos quinhentos anos, sobretudo, cada vez que a ciência fez uma descoberta importante e inovadora, precisou enfrentar resistências das igrejas, as cristãs em particular. No final do século 15, começo do 16, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico, sendo ele próprio um servidor do Vaticano, guardou até a morte os originais de seu livro De revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções do orbe celeste)  no qual cálculos minuciosos e precisos atestavam que a Terra gira ao redor do Sol, e não o contrário, como se acreditava. Com medo da Inquisição, mandou imprimi-lo na Alemanha protestante e reza a lenda que, ao receber o primeiro exemplar das mãos de um mensageiro enviado às pressas, sequer teve tempo de folheá-lo – morreu instantaneamente. A Igreja Católica, na verdade, não lhe deu grande importância, no momento – mas na Alemanha protestante Martinho Lutero trovejou: “A Bíblia diz que Josué mandou o Sol e a Lua pararem no céu, e não a Terra”.
 
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Referia-se ao episódio em que os judeus fugitivos do Egito, agora liderados por Josué, o substituto do patriarca Moisés, lutaram até o fim do dia para conquistar a cidade de Gabom na terra prometida e receberam de Jeová a dádiva de mais algumas horas de luz para consolidar a vitória.

Nos anos seguintes, o italiano Galileu Galilei, muito menos discreto do que Copérnico, fez um carnaval com a teoria heliocêntrica, construiu um telescópio e conseguiu ver quatro minúsculos corpos luminosos girando em torno de Júpiter, e não da Terra. Os sábios da Inquisição sequer concordaram em olhar pelo telescópio, como ele os desafiou – e não fosse Galileu um amigo do papa, teria acabado na fogueira, como Giordano Bruno.

 
Bíblia
 
Quando completou seus cálculos, Copérnico recebeu de um assistente, tão bom matemático quanto ele, uma observação de surpresa: “Se for assim, Vênus terá fases, como a Lua”. Ao que ele respondeu, sabiamente: “Um dia o bom deus proverá ao homem meios para comprovar isso”. Além de Galileu, muitos outros cientistas, como Johanes Kepler, atestaram que os cálculos de Copérnico estavam corretos, e tinham os telescópios, cada vez mais precisos e poderosos, para o confirmar. Mas só em 1822 a Igreja, discretamente, retirou o De revolutionibus do Index de obras proibidas.
 
 
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Continua assim nos nossos tempos – a Igreja combate o uso da camisinha nas relações sexuais para prevenir o contágio pela Aids, recusa as pesquisas com células tronco, é contra o aborto, em qualquer circunstância.  Em todos esses anos, os cientistas tiveram enorme dificuldade para defender suas descobertas contra esse obscurantismo religioso. Muitos porque eram, eles próprios, crentes em deus. Mas a maioria por receio de afrontar uma opinião pública avassaladoramente submissa às ordenações dos sacerdotes – cristãos católicos ou protestantes, maometanos, hinduístas e o que mais exista em matéria de crença na divindade.
 
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Essa realidade, porém, começa a mudar. Já temos no Brasil, devidamente traduzidos do inglês, uma meia dúzia de livros produzidos na Inglaterra e, principalmente, nos Estados Unidos, em que cientistas de renome dispõem-se não apenas a defender as posições da ciência, mas a atacar com surpreendente aspereza o obscurantismo religioso. Fazem isso não apenas para defender as verdades científicas, mas como um alerta para os perigos que corre a civilização, com a possibilidade de que algum político submisso a esses mandamentos religiosos chegue ao poder. No caso específico, referem-se aos Estados Unidos, “a única superpotência mundial da atualidade, perto de ser dominada por eleitores que acreditam que o universo inteiro começou depois da domesticação do cachorro”. Sam Harris, que escreveu essa frase áspera no pequeno livro “Carta a uma nação cristã”, é o mais implacável desses autores. Logo de saída, cita uma enfiada de dados revelados por uma pesquisa do Instituto Gallup: 53% dos americanos são criacionistas, o que significa que apesar de um século inteiro de descobertas científicas que atestam como é antiga a vida na Terra, e mais antigo ainda nosso planeta, acreditam que o cosmos inteiro foi criado há seis mil anos.
 
planet

“Os que têm o poder de eleger presidentes, deputados e senadores – e muitos dos que são eleitos – acreditam que os dinossauros sobreviveram ao dilúvio, junto com seus pares, na arca de Noé (…) e que os primeiros membros da nossa espécie foram modelados a partir do barro e do hálito divino, em um jardim com uma cobra falante, pela mão de um deus invisível”. Esses crentes, diz Harris citando, ainda, a pesquisa Gallup, “não se preocupam com o destino da civilização”, pois “nada menos do que 44% da população americana está convencida de que Jesus vai voltar para julgar os vivos e os mortos em algum momento dos próximos 50 anos”. Lembra que a profecia bíblica afirma que Jesus voltará à Terra só depois que as coisas derem “terrivelmente errado; portanto, não é exagero dizer que se Londres, Sidney ou Nova York de repente virarem uma bola de fogo, no centro de uma explosão nuclear, uma porcentagem significativa da população americana veria um lado auspicioso nisso, pois a melhor coisa que pode acontecer ao mundo está prestes a se realizar: a volta de Jesus Cristo”.
 
intolerância

Voltarei ao assunto nas próximas semanas, Há muito que meditar, a partir da argumentação de Sam Harris e de seus parceiros Christopher Hitchens e Richard Dawkins. Algo de novo e surpreendente parece estar no ar. Que não se trata apenas de excentricidades de jovens buliçosos atesta-o o fato de que o livro de Dawkins, que comentarei proximamente, recebeu uma arrebatadora e elogiosa definição do crítico do jornal Independent: “Um ataque brilhante à onda de superstição que mais uma vez percorre o mundo, pelo grande cientista que, ao longo de sua carreira, tem demonstrado a força da razão sóbria e incisiva para explicar a vida”. Para um jornal americano chamar a crença religiosa de superstição, é sinal de que as coisa começam a mudar radicalmente.
 
estrela com


Almyr Gajardoni é jornalista ( Postado no blog do Noblat i n  Globo Online em 26.11.07).

26/11/2007

A vinda da família real (1)

Arquivado em: Textos Especiais, História da Humanidade — hilltop @ 16:01
Uma aventura tropical - O Bom Dia reconta uma saga histórica que mudou o Brasil: a vinda da Família Real Portuguesa, 200 anos atrás. É a partida para uma aventura tropical, em uma série de reportagens. Há 200 anos, a Europa estava em guerra. Havia medo e incertezas. Napoleão Bonaparte derrubava monarquias, uma após outra. O príncipe-regente de Portugal, Dom João, tinha fama de inseguro e vivia um dilema: ficar e enfrentar as tropas de Napoleão ou fugir para uma das colônias portuguesas? Dom João não podia demorar a decidir. O Exército francês já estava a caminho de Lisboa. A decisão? Mudou a nossa história. Os 200 anos da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil é o que você vai ver em uma série de reportagens especiais que o Bom Dia exibe a partir desta segunda-feira (26).
 
Dom
 
Em Portugal, dizem que as árvores sonham ser mastros de navio. Nem a corte portuguesa escapou do destino desse povo: o oceano e as novas terras. Acompanhe essa aventura na série especial sobre os 200 anos da viagem da corte portuguesa para o Brasil. E com “Artes da Mesa” que fazem parte da história. Na França, mostramos que Napoleão subestimou Portugal e, nas invasões à Península Ibérica, já começou a perder a guerra. Bonaparte foi um líder ou um tirano? Napoleão tinha planos para o Brasil? A mudança da corte para cá foi uma fuga ou uma estratégia planejada? Dom João era um governante despreparado e inseguro? Ou um regente esperto, que soube manipular os interesses de Inglaterra e França, as duas superpotências da época, para salvar a coroa portuguesa e o Brasil? Os tratados, as intrigas, os acordos secretos, as aventuras. Um Brasil que dá um salto para o futuro. A união nacional e a independência. As missões artísticas e científicas, a imprensa, a moda, a arte, a cultura. Os hábitos, os costumes e a culinária.
E, na coluna “Arte da mesa”, conheça a sobremesa do casamento de Napoleão Bonaparte e Josefina e também a doçaria portuguesa e o Vinho do Porto, que sela o principal tratado entre Portugal e Inglaterra – e que tem tudo a ver com a vinda da corte para o Brasil. Saiba mais:
Especiais - Séries de reportagens do Bom Dia Brasil - NOTÍCIAS - Uma aventura tropical
 

Vinagre - Poção Mágica

Arquivado em: Do Editor — hilltop @ 03:33
Vinagre - Poção mágica III - Usos do Vinagre na saúde, na química doméstica e higiene pessoal. Vinagre, poderoso anti-séptico para a higiene e bem-estar. Poderoso anti-séptico, o vinagre evita formação de mofo e refresca o ambiente, matando as bactérias. No cotidiano, faça uso do vinagre. Através da dieta ácida do vinagre de maçã natural observamos que se a urina estava alcalina fica ácida, aliás, o ideal é manter sempre o pH da urina ligeiramente ácido (em torno de 6,4 pH), pois a dieta alcalina indica que os fluidos do corpo, principalmente o sangue, estão se espessando. O sangue faz uma volta completa no corpo humano em 23 segundos, e ele está então impregnado de ácido.Inundando o seu sangue com um ácido como o vinagre de maçã natural e seu potássio contido, fará com que qualquer depósito de cálcio se desfaça e circule de novo para depois ser eliminado pela urina principalmente.Esse método, repetido todo dia, livrará de depósitos calcários os canais circulatórios depois de algum tempo.
 
o sabor do
 
 
 
A água da torneira é a mais poderosa fonte de substâncias endurecedoras e obstrutoras do nosso corpo. Esse líquido vem carregado de substancias terrosas e outros sais que entram em contato com o sangue e posteriormente se alojam em quase todos as partes moles e articulações do corpo.Notamos esse fenômeno de obstrução, quando observamos o interior dos encanamentos de uma residência, principalmente o cano do chuveiro, que pode ficar completamente entupido com uma substância esbranquiçada - que são os depósitos calcários provenientes da passagem da água encanada.Felizmente, graças ao nosso sistema excretor que expele continuamente esses resíduos, nosso corpo se livra muito dessa carga mortal, pois, caso contrário, nos transformaria numa estátua de pedra em dez anos. Por outro lado, a melhor água para se tomar é a água de trovoada, de neve derretida, ou a água destilada carregada com a energia solar, essas águas estão livres de matérias terrosas obstrutoras e ao mesmo tempo carregada de energia vital. Saber ingerir uma água saudável é ponto importantíssimo para a manutenção da saúde durante toda a vida, principalmente para quem já apresenta algum tipo de doença, como o reumatismo, por exemplo. Saiba mais indo a 'páginas' na margem direita deste blog.

a evolução

Arquivado em: História da Humanidade — hilltop @ 03:15

Entenda como funciona a evolução - A teoria da evolução dos organismos através da seleção natural, da forma como foi sugerida por Charles Darwin em seu livro “Sobre a origem das espécies” de 1859, já provou estar correta em muitos sentidos. Darwin, entretanto, não conseguiu mostrar como a variabilidade natural que existe entre os indivíduos podia ser gerada, já que em sua época, mesmo o conceito de gene era deveras obscuro. No século XX, as novas descobertas da genética e da biologia molecular nos permitiram entender de forma melhor o que são os genes, de que são formados e como acontece a evolução ao nível molecular. É interessante notar que pouquíssimas pessoas, no mundo de hoje, compreendem de fato como a evolução biológica ocorre. Entretanto, a compreensão dos mecanismos evolutivos, pelos leigos, é importante para prover à população geral, armas de ataque contra os mais diversos tipos religiosos que tentam comparar em pé de igualdade a ciência da evolução e o criacionismo bíblico. Para entendermos como opera a evolução teremos que aprender um pouco sobre biologia molecular. Nosso corpo é feito dos mais diferentes tipos celulares presentes em cada tecido e, cada um deles, realiza sua atividade específica através da produção de proteínas específicas à sua função. Essas proteínas são compostas por longas cadeias de moléculas conhecidas como aminoácidos, e são formadas através da tradução do DNA através do código genético. Isso significa que a informação para a produção das proteínas está codificada no DNA presente no núcleo de cada uma de nossas células. Cada conjunto de três letras químicas do DNA (os nucleotídeos: A, C, G e T) codifica um determinado aminoácido. Por conseguinte, uma seqüência de digamos, 600 letras químicas do DNA, codifica uma proteína de 200 aminoácidos. Uma molécula de DNA é formada por duas enormes cadeias de nucleotídeos que se entrelaçam formando uma estrutura conhecida como dupla-hélice, que nada mais é do que duas fitas de nucleotídeos enroladas uma na outra.

Vários problemas podem causar danos em nosso DNA: a exposição à luz ultravioleta do sol e aos raios X, a ingestão de moléculas muito ionizadas (como os radicais livres), erros durante a replicação, presença de toxinas, etc. É interessante notar que, se o DNA fosse uma molécula que não sofresse danos e que não produzisse erros durante seu processo de cópia, a evolução não teria acontecido e é bem provável que não estivéssemos aqui.

homo

O que importa, apesar de tudo, é que o DNA sofre danos e também erra em sua duplicação. Esses erros, na grande maioria das vezes, são substituições de bases, onde as letras químicas do DNA são trocadas. Se essa troca ocorrer dentro de um gene, uma área que leva à produção de uma proteína, existe uma boa chance de que essa proteína seja produzida de forma diferente da original, sendo diferente desta por um aminoácido. Considerando que a proteína original já funcionava bem, é mais provável que uma substituição leve a uma inativação ou diminuição da atividade química dessa molécula. Menos freqüentemente, entretanto, pode acontecer um aumento da atividade química dessa molécula e o organismo em questão pode realizar uma determinada tarefa de forma mais eficiente que outros membros de seu grupo, adquirindo, assim, uma vantagem adaptativa. Se, e somente se, essa vantagem fizer com que o organismo que a possui tenha uma prole maior do que os outros membros de seu grupo, essa nova característica (resultante de uma nova proteína produzida por mutação em seu gene codificante) irá substituir aos poucos a característica ancestral, menos adaptada. Por Francisco Prosdocimi (Veja o artigo completo indo a 'páginas" na margem direita deste blog).

Herança fiscal

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 03:14
A má herança fiscal de Lula - Dias antes de deixar o Ipea, afastado, juntamente com outros colegas, pelos desenvolvimentistas (ou intolerantistas?) que passaram a dirigir o instituto, Fabio Giambiagi escreveu excelente artigo sobre a política fiscal (“Dezessete anos de política fiscal no Brasil: 1991-2007” – texto para discussão nº 1309, disponível em www.ipea.gov.br).
É um bom guia para entender por que a situação fiscal se agravou, com piora do endividamento público, da rigidez orçamentária e do sistema tributário. A origem está no distributivismo inconseqüente da Constituição e nos aumentos reais do salário mínimo das eras FHC e Lula. Daí por que passamos a crescer menos. Os gastos previdenciários não pararam de crescer, apesar da realização de três reformas. As despesas com inativos da União mais do que dobraram como proporção do PIB (de 0,91% para 1,95%), mas a expansão foi muito mais rápida nos gastos do INSS (de 3,36% para 7,23%). Nessas áreas, as despesas correntes cresceram cerca de 5% do PIB, mais de cinco vezes o valor médio anual dos investimentos no período.

As principais causas desse desastre foram a benevolência da legislação e os aumentos do mínimo, o qual influencia 35% das despesas do INSS (o mínimo constitui piso para dois de cada três benefícios). Dadas as regras de reajuste para 2008, seu valor real terá crescido 111% desde 1991, sendo 42% nos oito anos de FHC e 55% apenas nos cinco anos de Lula. Nada parecido aconteceu em nenhum outro país.

Do lado institucional, Giambiagi mostra que o Brasil melhorou muito, graças às mudanças introduzidas a partir da segunda metade dos anos 1980, particularmente o fim da “conta de movimento” do Banco do Brasil, a privatização de empresas estatais, a venda de bancos estaduais, a renegociação das dívidas dos Estados e municípios, a adoção do sistema de metas de superávit primário e a estabilização da economia (Plano Real).

O superávit primário do setor público, que era de 2,71% do PIB em 1991, virou déficit de 0,92% do PIB em 1997, mas depois do susto das crises da Ásia e da Rússia voltou ao positivo. Atingirá 3,95% do PIB em 2007. No caso da União, não computadas as estatais, o resultado passou de virtual equilíbrio em 1997 para superávit de 2,20% do PIB em 2007. Mesmo assim, as despesas primárias do Tesouro cresceram 5,11% do PIB, evidenciando que o esforço não decorreu de contenção de gastos, mas da expansão da carga tributária, que permitiu a elevação das despesas correntes.

No âmbito do governo central, as conclusões mais importantes são: (1) o gasto primário cresceu em termos reais acima do crescimento da economia em todos os períodos de governo abrangidos pelo estudo; (2) na média dos 16 anos, todas as categorias de gasto cresceram em termos reais acima do PIB; (3) a despesa que mais cresceu foi a dos benefícios do INSS.

O estudo permite concluir que a situação piorou no governo Lula. As despesas do INSS, impulsionadas pelos aumentos expressivos do salário mínimo, aumentaram 1,27% do PIB. As despesas primárias totais cresceram 2,27% do PIB. Em nenhum momento dos períodos estudados houve tamanha expansão. Mais grave ainda, o aumento decorreu essencialmente de itens de difícil reversão no futuro, isto é, INSS, pessoal e programas sociais. Já os investimentos ficaram praticamente estagnados como proporção do PIB, mesmo com o PAC.

Nos últimos cinco anos, os bons ventos da economia acarretaram a elevação dos lucros e a formalização de empresas. Por isso, a arrecadação aumentou mais rapidamente do que o PIB. A folga poderia ter sido utilizada na sua maior parte para aumentar os investimentos ou reduzir a carga tributária, mas serviu para elevar gastos correntes de natureza permanente.

A elevação desses gastos reduziu a pobreza e as desigualdades, mas a parte que se expandiu por causa do salário mínimo dificultará a gestão fiscal, o que pode no futuro inibir o crescimento e a melhoria do bem-estar. A margem de manobra orçamentária efetiva caiu para menos de 4% da receita. Por aí se pode entender por que a CPMF, que gera 6% da receita, se tornou indispensável.

A piora fiscal tornará mais difícil a vida dos sucessores de Lula. Se a famigerada CPMF não for prorrogada CPMF, crescerá o risco de deterioração dos indicadores de endividamento público, agravando ainda mais essa verdadeira herança maldita.

Mailson da Nóbrega é ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada (e-mail: mnobrega@tendencias.com.br- postado no blog do Noblat in O Globo Online - 25.11.07).

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