Cume - Escalando Montanhas

30/10/2007

chore e comemore

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 04:02

Chore e comemore - E por falar em independência, eu quero a minha. Assim como milhões de brasileiros e brasileiras, eu só a verei no dia em que a geração de meus filhos e netos tiver uma vida digna, coisa que gente de minha geração não tem. Vai morrer sem entender a beleza do nascimento e do pôr do sol. O consolo é que temos consciência da necessidade de darmos o grito, não de independência, que isso é lá mera utopia, mas de protesto contra a corrupção, a imoralidade, o desdém, a injustiça social e a falta de uma política que gere emprego e renda.

moneybag

Raul Seixas tinha razão: a solução é alugar o Brasil. Talvez nossos inquilinos tivessem a sensibilidade maior de compreender as agruras da população. Comemorar o quê, pois? O gesto simbólico do Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga? Poderíamos evitar mais um feriado e gastos excessivos com uma festa sem sentido prático. Estaremos livres quando tivermos altivez. Estaremos leves e soltos quando pudermos vislumbrar um futuro menos dolorido e mais promissor.

Há um exército de delinqüentes em potencial nas nossas esquinas. São crianças de zero a 16 anos jogadas sob as marquises das grandes cidades. Elas se proliferam desmedidamente. Sabem quais são suas perspectivas? Nenhuma. Fecham-se os olhos para essa cruel realidade. A propaganda oficial busca combater a prostituição infantil, mas não oferece alternativas para os meninos e meninas que não têm outra opção exceto usar o próprio corpo para obter o pão e o crack (ou a cola) de todos os dias.

No campo, a prometida reforma agrária transformou-se numa piada de mau gosto. Inventou-se uma explosiva arma de exploração fácil da miséria e deram-lhe o nome de Bolsa-Família. Trata-se de um instrumento eleitoreiro de efeito imediato. É tão eficiente que deve ser agora ampliado. Ora, no próximo ano tem eleição. O Bolsa-Família é um remédio fantástico para frear a formação de mão-de-obra, sobretudo no interior e estimular a gravidez. Quanto mais filhos, maior o valor do prêmio. Não há programa de planejamento familiar que dê certo. Aliás, faz-se um planejamento familiar ao contrário. Parir é bom e faz bem ao bolso.

As grandes capitais vivem um caos. Corre-se da Polícia e da bandidagem. Tanto faz. Você pode ser contemplado com a ação (desastrosa) de um e de outro. A periferia está estufada de casebres. Não há saneamento básico. Não há água tratada muitas vezes. O ensino público é inqualificável. A estrutura da saúde, de tão precária e desumana, para alguns infortunados, pode ser um convite à morte. Mas vamos comemorar o Sete de Setembro. Vamos comemorar o Dia da Independência. Um pouco de ilusão e de fugaz senso de nacionalismo pode servir de alimento para os mais desavisados. Para mim, não. Prefiro o Grito dos Excluídos, mas sem politicagem no meio. Por Jânio Lopo in A Tribuna da Bahia em 08.09.07

  

28/10/2007

Toulouse-Lautrec

Arquivado em: Textos Especiais — hilltop @ 03:58
Toulouse-Lautrec o artista dos cabarés - O pintor que renegou o passado aristocrático de seus ancestrais e passou a vida retratando as dançarinas de Paris - por Pascal Marchetti - Leca -    Acusado de “chafurdar na degradação”, o artista escandalizou a aristocracia, inclusive sua família.
Toulouse-Lautrec

Prostitutas, cabarés e cervejarias estão inevitavelmente associados ao nome de Henri de Toulouse-Lautrec, mas aquele que seria reconhecido por retratar a vida boêmia e sua degradação foi no início de sua vida um nobre. Herdeiro de uma linhagem aristocrática, ele nasceu em 1864, em um hotel familiar de Albi, no sul da França. Para seu primeiro filho, o casal Adèle-Zoé e Alphonso-Charles escolheu um nome que homenageava o conde de Chambord, último pretendente legítimo ao trono da França, a quem alguns já chamavam de Henrique V. Mas a família estava fadada ao desaparecimento: bem cedo, o pequeno da condessa Adèle apresentou uma debilidade óssea que comprometia perigosamente seu crescimento. Em torno dele, inquietação e perplexidade. “Estou mais disponível esses dias porque mamãe me tirou de meu professor para que eu siga o tratamento que já curou meu tio Charles. Estou bem aborrecido de mancar com o pé esquerdo, justo agora que o direito está bom”, rabiscou Henri à avó paterna, Gabrielle. Veja a reportagem completa. Prima o hyperling:Toulouse-Lautrec o artista dos cabarés - História Viva

melhores países

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 03:57

Brasil é 40º em lista de melhores países para morar - O Brasil é o 40º melhor país para se viver no mundo, de acordo com um ranking encabeçado por Finlândia, Islândia e Noruega e publicado na edição de outubro da revista americana Reader's Digest (RD). Saiba mais indo ao hyperlink:Brasil é 40º em lista de melhores países para morar Terra - Brasil

paraíso de ricos

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 03:56

Now playing: Gal Costa in Camisa Amarela_Ary Barroso_audio07
via FoxyTunes    Brasil de Lula é 'paraíso de ricos', diz Figaro - Bovespa bate recorde após recorde há três anos, diz matéria - Brasil governado pelo ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva é o "paraíso dos ricos", de acordo com uma matéria publicada nesta quinta-feira no jornal francês Le Figaro. Notícia veiculada in BBCBrasil.com em 24.07.07. Veja mais indo ao hyperlink:Brasil de Lula é 'paraíso de ricos', diz Figaro

25/10/2007

fome de amor

Arquivado em: Poesias — hilltop @ 04:28

Fome de Amor

Poema de P. Valmart

Faminto estou de teu prazer, menina,

eu quero você
Desejar-te toda, buscar-te, é minha sina,
Meu objetivo, sonho e projeto.
cheira a flor
Em pétalas lascivas
Quero desfolhar-te,


Sugar o teu néctar,

Hei de saciar-te

 

female in
E realizarmos este amor secreto.

Deixa-me sugar-te, minha flor,

 deixa-me


E em troca, me devora, por favor…

Tem pena de mim, do que sinto,
Vem pra saciar-me,

vem saciar-me
Que de tua carne
Eu estou faminto…

The Beatles in Fixing A Hole

B.B.King_Exactly Lije You

Nara Leão in Mais Uma vez Amor_I'm In The Mood For Love

 

 


 

23/10/2007

Sobre Dan Brown

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 03:35


Sobre Dan Brown e “seu” código - Dan Brown tem sido odiado e amado por sua genialidade herética e por sua despreocupação em ser veraz, ou por sua preocupação em apenas parecer ser verossímil e veraz. De fato, foi-se o tempo da “Poética” aristotélica. Hoje não mais, para uma boa produção literária, é preciso escrever verossimilmente.
 
professor
Dan Brown conseguiu tudo! O que quis e, talvez, também o que não quis. Seu nome está na mídia ganhando cada vez mais popularidade e sua obra principal, “O Código Da Vinci”, além de ser um best-seller foi adaptado ao cinema, embora o filme não seja lá essas coisas, já que se assemelha a mais uma aventurazinha de “caça ao tesouro”.O estilo danbrowneano, por assim dizer, cativa o leitor por “mexer” com a história real, pelo caráter ocultista sempre recorrente, senão perene, e, principalmente, por incitar a curiosidade das pessoas. A idéia de desmascaramento de uma farsa histórica e a iminência de descoberta e revelação de um grande segredo são o que, na verdade, garantem a popularidade do “Código”.Teria Dan Brown objetivado tudo isso (popularidade), inclusive representar uma ameaça à Igreja Católica, ou o seu “Código”, depois de concluído, lhe teria fugido o controle? Mais que dizer
 
intolerância
Dan Brown é isto ou aquilo, dever-se-ia primeiro pensar: “ele é um indivíduo perverso e mau-caráter que só quer vender livros ou ele é brilhante e singular por conseguir encadear fatos históricos numa história ficcional?”. Responder satisfatoriamente a tal questionamento é, sem dúvida, difícil, mas, apesar disso, é importante que se o faça.Parece que fazer ficção virou pecado! É incompreensível e “burra” a revolta da Igreja com a obra de Dan Brown. Não vêem os religiosos que, com sua ira, são os grandes financiadores do sucesso do “Código”? Ademais, que problema há em fazer ficção, já que a história da humanidade é marcada por produções do gênero? O poema da criação do mundo, não obstante a possível inspiração divina do autor é ficcional. Estaria, acaso, o autor do Gênesis sentado no Éden narrando verazmente tudo o que via para a história universal? Além disso, “A Divina Comédia” de Dante Alighieri, que trata do porvir da existência humana, bem como o romance policial de Umberto Eco, “O nome da rosa”, não seriam obras ficcionais da mais pura genialidade justamente por apresentarem elementos históricos e/ou teológicos?A tempestade num copo d’água feita em torno do “Código Da Vinci” sob o pretexto de defesa da fé, da história veraz e de valores, tem cheiro de censura, para não dizer de “caça as bruxas”, ou melhor, de “caça ao mago Dan Brown”.Ora, não necessariamente a literatura precisa ter um compromisso com a fé, com a história e com a moral (lato sensu), já que a civilização ocidental é laica e vive, pode-se dizer uma liberdade de expressão. Nem a teologia, nem os supostos valores cristãos irão mudar por causa de Dan Brown, exceto se ele estivesse certo. O que pode talvez acontecer é que cristãos mais esclarecidos coloquem em suspenso um pouco de sua crença, isto é, não sejam tão ortodoxos e dogmáticos, e passem a pensar na grande “mensagem” danbrowneana: o resgate histórico e a valorização presente da feminilidade. Isto não só é genial, mas necessário e urgente num mundo ainda muito masculino, devido, principalmente, a influência das religiões. O “Código” ao suscitar a dúvida e, por conseguinte, ao colocar em suspenso valores e crenças não só enfurece os religiosos, mas contribui para o processo de eliminação de preconceitos da espécie humana mais esclarecida.* Professor de Filosofia licenciado pela Universidade Federal de Santa Maria e acadêmico do Curso de Letras da Universidade da Região da Campanha. Fernando M. D'Oca - E-mail: nandormd@bol.com.br

A criação do mito

Arquivado em: Textos Especiais, Ecumenismo — hilltop @ 03:19

A CRIAÇÃO DO MITO DE JESUS - Fernando Silva – Os Evangelhos não se pretendiam uma narrativa história, mas um "midrash" (uma composição de trechos das Escrituras que, do ponto de vista do autor, estão relacionados e confirmam a mensagem que ele quer transmitir). Ou parábolas com o enxerto de referências históricas. A intenção dos evangelistas não era registrar com precisão os fatos, mas

a bíblia

transmitir ensinamentos religiosos. Paulo foi um dos principais criadores da figura de Jesus. Ao cair do cavalo na estrada para Damasco, vítima de insolação ou epilepsia julgou estar divinamente inspirado. Analisou as Escrituras em busca de revelações ocultas e, acreditando que toda e qualquer idéia que lhe ocorria também era inspiração de Deus, pareceu-lhe ter nelas encontrado o anúncio da vinda de Jesus. O mundo de Paulo ainda era fortemente influenciado pela civilização grega, sua cultura e seus deuses. Para os gregos e seus vizinhos, a verdadeira realidade era a realidade mítica, onde viviam deuses e anjos. O mundo material era apenas um reflexo dela, as sombras na caverna de Platão. As Escrituras não continham profecias, mas revelavam um pouco desta verdadeira realidade. (Fernando Silva - Veja o texto completo indo a "páginas").

Pescador de Sonhos

Arquivado em: Poesias — hilltop @ 03:02

Pescador de Sonhos 

Ivaldo Gomes

Sou um pescador de sonhos,

Um garimpeiro da felicidade. / Amo o longe, o inatingível.

Sonhos imensos, tensos, 

mais abaixo

Densos, sonhos de viver.

De beber a vida e se saciar. / Se embriagar, tomar

Porres de felicidade.

universal

Pesco em mares arredios,

Calmos, normais. / Garimpo em todos os cantos,

Nos pequenos gestos,

cheira a flor

Nas pequenas coisas. /

Procuro encontrar no brilho,

Nos olhos, o brilhante

mulher flor

Incandescente que existe em tudo.

Sou feliz do meu jeito. / E no meu peito explode

Todos os dias o turbilhão / De cores, odores, gestos,

Jeitos e sonhos.

entre as bolas

Sou um pescador de mim.

Isco-me todos os dias.  / Garimpo as minhas idéias,

origem da vida

As minhas vontades. / Escolho, separo, reparo,

Rearrumo, desarrumo, mudo o rumo, começo tudo

Outra vez.

explosão do sol

De novo, sempre, / Necessariamente.

Dia a dia. / Hora a hora. / Agora.

  •  

Ivaldo I. Gomes, 43 anos, nasceu em Jurema – Pernambuco – Brasil, no dia 28/07/1956. Vive atualmente em João Pessoa – PB. Professor por formação, Educador por compromisso, e Escritor por necessidade de escrever. Colabora com artigos e crônicas para os principais jornais diários de João Pessoa,  O Norte, O Correio da Paraiba e A União. Edita junto com outros amigos, a Revista BAZAR – Coletânea de Cultura e Consciência Social.

Big Crosby e The Mills Brothers_in Dinah

 Tom Jobim in falando de amor

22/10/2007

orçamento dos poderes

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 01:12
Now playing: Clara Sandroni in Tem Dó_Baden & Vinicius_audio04
via FoxyTunes    O absurdo no orçamento dos poderes - Estando em Alagoas por motivos profissionais, busquei nas notícias locais a fonte inspiradora para o artigo semanal. Não foi difícil. Após comprar cinco jornais diferentes, deparei-me com algo estarrecedor. Na capa do semanário Primeira Edição da capital alagoana, edição de 3 a 9 de setembro, a matéria de capa estampava a seguinte denúncia: "Poderes gastam três vezes que saúde e educação”. É preciso louvar um repórter quando o mesmo faz um trabalho investigativo e de coragem. O texto é assinado por Josenildo Torres, e vem apresentando números absurdos. A soma dos gastos dos poderes Legislativo e Judiciário alagoanos totaliza a R$ 32 milhões ao mês. Enquanto isso os investimentos em saúde e educação são de R$ 11 milhões. A origem destes recursos vem do Tesouro Estadual e são assegurados pela regra do duodécimo. Esta norma transfere diretamente para os poderes as verbas obtidas com a arrecadação. Se e caso o Tribunal de Contas, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Assembléia Legislativa não gastarem o valor destinado, podem devolvê-los para as finanças do estado. Não é o que ocorre. Concluo o exemplo registrando os valores mensais. Tribunal de Justiça, R$ 14 milhões; Assembléia Legislativa, R$ 8 milhões; Ministério Público, R$ 6 milhões; Tribunal de Contas, R$ 4 milhões. Valores assim fazem com que um assessor parlamentar tenha um salário base de R$ 1.945,13 enquanto os médicos antes de sua greve recebiam R$ 1.000,00.
 
 moneybag

Seria preconceituoso afirmar que o absurdo é exclusividade de Alagoas. A má impressão é ajudada pela trajetória recente de alguns nomes da política alagoana. A imagem associada ao estado quando citamos Fernando Collor de Mello, PC Farias e os irmãos Renan e Olavo Calheiros realmente não é das melhores. Mas insisto, o problema é da estrutura do Estado, em especial dos governos estaduais com presença voraz da oligarquia local. Detalhe, oligarcas estes muito mais sofisticados e capazes do que uma visão simplista tenta passar. Não é por falta de "ilustração" que os problemas ocorrem. Tampouco seria pensável supor um conjunto de regras cuja aplicação levaria a uma harmonia entre os poderes estaduais visando o bem comum. Porque não é o bem estar coletivo a atividade-fim e sim a manutenção do status quo dos titulares destes cargos e funções dos altos mandos do Estado subnacional. Tal absurdo nos remete a uma reflexão de fundo. Lendo o receituário de alguns colegas no campo acadêmico, sempre nos deparamos com saídas do tipo ideal. Cria-se um modelo adaptado de democracias consolidadas e mercado de consumo pleno. Tentamos aplicar o "modelo" no Brasil, gastando laudas e simpósios em fórmulas e regras e nos esquecemos de que a política se dá na correlação de forças.

Esta é a condição de existência de uma outra forma de gestão pública. O mandato imperativo e o federalismo fiscal são molas mestras para mudar a orientação do Estado brasileiro. Isto em nível nacional, porque nos estados é necessário um orçamento aberto e co-gerido pelos conselhos municipais e estaduais por área e setor. É certo que este mecanismo aplicado na participação de conselheiros tem muita parafernália e pouco poder de decisão. Isto decorre da ausência de dotação orçamentária nas instâncias de consulta direta.  Dificilmente uma pessoa não-militante sai de casa para algo que resolva pouco ou nada. Aponte uma saída para uma dificuldade sentida de forma coletiva e a participação aumenta imediatamente. Provavelmente os conselhos não têm recursos por seu potencial agregador. Voltando ao exemplo dado, torna-se perfeitamente compreensível a greve dos médicos de Alagoas, diante de uma situação de tamanho descalabro. Todo o funcionalismo público alagoano tem uma tradição aguerrida, bem ao oposto das práticas eleitorais. Os sindicatos destas categorias se batem no plano da política com uma cultura paroquiana e na gestão do Estado com o patrimonialismo dos altos mandos. O problema está no isolamento.

Dificilmente uma guerra com dois flancos abertos pode ser vencida. Uma saída é trazer a pauta da gestão pública do Estado para a mesa de negociações. Isto não se consegue de forma imediata e simplista. É necessário dotar a população das informações necessárias e apontar a conquista viável, mesmo que no largo prazo. Caso contrário absurdos como os narrados no texto continuarão a existir. (Texto postado no blog do Noblat in O Globo Online em 05.09.07). Bruno Lima Rocha é cientista político (www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@via-rs.net).

—————-
Now playing: Ludwig van Beethoven - Piano Sonata No. 14 in C shar
via FoxyTunes   

21/10/2007

Chávez promete

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 02:01

Now playing: César C Mariano & Pedro Mariano in Acaso_de Abel Silva e Ivan Lins_audio02
via FoxyTunes    Chávez promete acabar ‘aos poucos’ com a propriedade privada no país - Presidente venezuelano reitera ameaça, incluída na reforma constitucional, no lançamento da campanha pelo referendo - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, reafirmou na noite de terça-feira que usará a reforma constitucional para “desmontar progressivamente” o conceito da propriedade privada no país que, segundo ele, não tem lugar dentro de sua “revolução socialista do século 21”.

chavez

A ameaça foi feita durante o lançamento de seu “comando de campanha” para o referendo de 2 de dezembro sobre a reforma constitucional. Esse comando se encarregará de organizar “batalhões de revolucionários” que sairão às ruas para explicar o funcionamento do referendo e motivar os eleitores a votarem. No referendo que aprovou a atual Constituição Bolivariana, de 1999, o índice de abstenção chegou a 56%. De acordo com Chávez, sua proposta de mudança de 33 artigos da Constituição garantirá “a socialização dos meios de produção, da propriedade pessoal, da familiar, a pequena propriedade privada e a pequena e média empresa”. O texto proposto, e que irá a referendo, prevê cinco tipos de propriedades: a social, pertencente ao povo e controlada pelo Estado; a coletiva, pertencente a grupos sociais ou comunitários, mas sob o controle do Estado; a mista, com participação do setor privado e do Estado, mas sob o controle deste; a pública, administrada pelo governo; e a privada, que poderá ser confiscada quando afetar os direitos de terceiros ou da sociedade.

“Não queremos a empresa privada com o objetivo de acumular riqueza às custas da miséria dos demais e vamos desmontá-la progressivamente”, afirmou o presidente, sob um gigantesco painel no qual aparece sua foto com o braço esquerdo erguido e o punho cerrado. “Queremos uma empresa que trabalhe em função do socialismo e dos interesses sociais, produzindo aquilo que é necessário para satisfazer as necessidades da comunidade.” Para o cientista político venezuelano Alfredo Ramos Jiménez, diretor do Centro de Investigação de Política Comparada da Universidade dos Andes, em Mérida, as constantes ameaças do presidente fazem parte de uma estratégia do governo para desviar a atenção do público para outros problemas do país. “O debate que Chávez está promovendo é uma cortina de fumaça para ocultar o fracasso econômico que está sendo seu governo”, disse Ramos Jiménez ao Estado, por telefone. Segundo ele, o governo venezuelano não está sabendo aproveitar a atual “bonança” petrolífera - o país é o quinto exportador mundial de petróleo. Um exemplo disso, segundo Ramos Jiménez, é o aumento anunciado nos últimos dias dos impostos sobre bebidas e cigarros, programados para entrar em vigor semana que vem na Venezuela. “O governo necessita de recursos e usa esses impostos e o socialismo como desculpa”, acrescentou. Ramos Jiménez explica que a vontade de Chávez de acabar com a propriedade privada não é bem recebida nem na sua base política. “Muitos dos chavistas estão entre os ‘novos ricos’ da Venezuela e são contra essa atitude de Chávez.”

Outro analista venezuelano, Alberto Garrido, autor de vários livros sobre o chavismo, diz que, com a reforma constitucional, o presidente venezuelano pretende uma transição menos brusca do capitalismo para o socialismo. “A Venezuela busca o socialismo, sem ser socialista, resume Garrido. - Renata Miranda - Editorial in TXT Estado em 11.10.07.

Próxima Página »