Cume - Escalando Montanhas

30/09/2007

sobre hilltop

Arquivado em: Zona Musical, Do Editor, Forward for your love — hilltop @ 21:29

Olá Mundo

spínola spínola

CUME é um espaço destinado a informações de interesse geral em um momento servindo-se de entrevistas com pessoas de notório conhecimento de assunto de indiscutível competência, noutra ocasião com textos especiais e ainda em outra hora com textos que permitam reflexões, assentadas num entrelaçamento, aparentemente lógico, de juízos e pensamentos.

Ouça boa música: 

Elvis Presley_vídeo

Dianne Reeves_You're Driving Crazy

Jamie Cullum_pianista,cantor e compositor in My Yard

Tamba Trio_Batida Diferente

Chico Buarque de Hollanda in Tantas palavras

Adriana Calcanhoto_Já Passou_de Chico Buarque

 

 

bndes

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 21:09

Uma plataforma para o BNDES - O fato, insólito, aconteceu em 8 de agosto em Brasília: Luciano Coutinho, emérito professor de economia e recém nomeado presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ouviu críticas profundas e debateu por duas horas a atuação do Banco que chefia. Até aí, nada de mais. Afinal, o BNDES frequentemente dialoga com representantes do governo e de grandes empresas. A diferença estava no tipo dos interlocutores de Coutinho e na disposição do presidente do Banco de ouvi-los. Pela primeira vez, um presidente do BNDES aceitou discutir pública e amplamente com ONGs, entidades sociais e sindicais, do Brasil e de outros países sul-americanos, os critérios dos desembolsos do Banco, que é o maior financiador do desenvolvimento brasileiro desde a segunda metade do século 20 e foi alçado por Lula à condição de instrumento de política externa. Coutinho deu uma demonstração de grande simbolismo. Saiu de seu gabinete, no Centro do Rio de Janeiro, e viajou a Brasília para participar de um evento patrocinado pelas organizações sociais. Com seu ato, evidenciou a disposição pessoal de dialogar com setores da sociedade que, apesar de serem diretamente impactados pelos projetos viabilizados pelo Banco, até hoje não haviam feito um debate tão profundo, sistemático e de alto nível acerca das orientações estratégicas do BNDES. O que também chama a atenção é o fato de que aquela foi a segunda vez, em 30 dias, que Coutinho se reunia com as organizações – entre elas, o Ibase (ONG fundada pelo sociólogo Herbert de Souza), a CUT, o MST e a Rede Brasil Sobre Instituições Financeiras Multilaterais. No dia 9 de julho, ele recebeu desse grupo um aprofundado documento chamado Plataforma BNDES.

(Ver o documento em http://www.ibase.br/userimages/Plataforma%20BNDES.pdf). O texto avalia a atuação do BNDES e propõe medidas para reorientar o Banco quanto à transparência de informações; participação e controle social; desenvolvimento de critérios e parâmetros regionais, sócio-ambientais, climáticos, de gênero e raça/etnia, de trabalho e renda; além de políticas setoriais para infra-estrutura social, descentralização do crédito, desenvolvimento rural sustentável e agroecológico, energia e clima e integração regional sul-americana. Ou seja: grupos sociais representativos solicitaram – e conseguiram da parte de Coutinho a adesão verbal às suas propostas – mudanças estruturais no mais importante vetor do desenvolvimento brasileiro, aquele que tem o poder de modelar, de limitar ou de viabilizar o crescimento econômico do País. A ver o desenvolvimento desse processo. Coutinho assumiu há poucos meses com uma missão definida pelo presidente Lula: fazer do BNDES um dos principais financiadores do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), a menina dos olhos dos desenvolvimentistas do Palácio do Planalto. O PAC prevê o desembolso de várias dezenas de bilhões de dólares em projetos e programas que ratificam a inserção do Brasil na economia mundial como exportador de bens de baixo valor agregado localmente – além de também atender algumas necessidades prementes, como grandes investimentos na área de saneamento.

No debate com as organizações sociais, Coutinho não se furtou a tratar de temas espinhosos. Reconheceu que o BNDES não dá a publicidade devida às suas ações – o que é particularmente grave porque o Banco é operador de boa parte dos recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador – FAT – e comprometeu-se a mudar esse cenário. Só aí, Luciano já avançou enormemente , em relação aos seus antecessores. Mas, ele ainda fez mais. Também reconheceu que é extremamente problemática a atuação do BNDES na área de papel e celulose e disse que reveria os critérios para liberação de novos empréstimos. Solicitou que as organizações sociais ali presentes encaminhassem ao Banco denúncias de conflitos sociais motivados pela implantação de projetos apoiados pelo BNDES. Dirigiram-se especificamente a ambientalistas, pequenos agricultores e pessoas que se reivindicam remanescentes de quilombos. Eles apontaram graves disputas pela propriedade de grandes áreas no Espírito Santo. É o caso dos 9,5 mil hectares reivindicados pela Aracruz Celulose, conhecida receptora de grandes empréstimos concedidos pelo BNDES, e pelos remanescentes de quilombos. Sem os recursos e participação acionária do Banco nas principais empresas da área, o setor não teria alcançado a enorme escala que tem hoje. O simbolismo da ida de Coutinho foi ainda maior porque ele também admitiu que o Estado brasileiro precisasse regular a ocupação do território para fins de produção da cana e do etanol- a mais nova panacéia brasileira que, segundo o governo e o mercado, resolverá qualquer tipo de problema nacional, da fome à dor de barriga. A manifestação de Coutinho, gestor dos bilhões de reais que podem viabilizar o projeto lulista de liderar o mercado mundial de etanol, foi ainda mais importante do que a declaração do Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, emitida há poucas semanas. Stephanes disse que o governo pretende fazer o zoneamento econômico-ecológico de todo o território brasileiro, para evitar, entre outras alternativas degradadoras, que se plante cana em larga escala na Amazônia. Estava, em verdade, dando uma resposta aos concorrentes brasileiros, que já começam a espalhar mundo afora que a cana degrada a floresta amazônica (e eles têm razão, em parte), como mais uma batalha de guerra comercial internacional.

Ainda há muito chão a percorrer, até que Coutinho mostre evidências de que conseguirá colocar em prática a declaração de intenções que emitiu. Mas, seja lá o rumo que as negociações tomarão, uma coisa é certa – e esse é um dado importante. Já é uma vitória parcial a colocação em debate público da necessidade de pensar estratégias de longo curso para construir uma nação voltada para a maioria do seu próprio seu povo, após os anos de prevalência da ideologia do não-desenvolvimento neoliberal. Carlos Tautz é jornalista (Postado no Blog do Noblat - O Globo Online em 18.08.07).

Indenizações (1)

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 20:48

Now playing: Caetano Veloso - O Quereres

via FoxyTunes    Indenizações pela ditadura terão valor reduzido - As indenizações de perseguidos políticos, que já provocaram uma despesa estimada em cerca de R$ 3 bilhões ao Tesouro, estão com os dias contados. Uma mudança de critério nas concessões, já colocada em prática pelo governo, por determinação do ministro da Justiça, Tarso Genro, poderá reduzir entre 50% a 80% do montante que vinha sendo concedido a cada caso. Saiba mais indo ao hyperlink Terra Brasil:Indenizações

Now playing: Ana Carolina - Uma Louca Tempestade
via FoxyTunes   

levava à fogueira

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 02:13
O amor que levava à fogueira - Diante da moral draconiana e do celibato que regia a vida dos monges e estudantes nos mosteiros medievais, o homossexualismo se disseminou como uma fonte de prazer proibido - por Jean Verdon - Apesar de perseguido, o homossexualismo esteve muito presente na Idade Média. Segundo John Boswell, autor de Christianisme, tolérance sociale et homosexualité (Cristianismo, tolerância social e homossexualismo), a prática teve uma importância no período que só seria igualada em nossos dias. Boswell atribui a disseminação do homossexualismo à renascença carolíngia, ao desenvolvimento das cidades e à cultura eclesiástica.
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Na Idade Média, o meio monástico era um terreno propício para a sodomia: a Regra de São Bento previa que os monges deviam dormir cada um em uma cama, de preferência em um mesmo local, com sacerdotes mais antigos que cuidariam deles. Os regulamentos de Cluny proibiam que os noviços ficassem sozinhos ou na companhia de um só professor. Se um dentre eles, à noite, tivesse de sair para satisfazer suas necessidades, tinha de estar acompanhado por um mestre e por outro jovem munido de lanterna. Foi em meio a esse ambiente que Arnaud de Verniolle, subdiácono fugido das prisões da ordem dos franciscanos no século XIV, acusado de heresia e de sodomia, afirmou ter sido iniciado nas práticas homossexuais por um colega mais velho, que se tornara padre. Aos 12 anos, seu pai o colocou em uma escola de Pamiers comandada pelo mestre Pons de Massabuc para aprender gramática. Arnaud dividia o quarto com seu professor e outros jovens. “Quando eu morava naquele quarto, fiquei dormindo na mesma cama, durante cerca de seis semanas, com Arnaud Auréol. Depois de duas ou três noites que passamos juntos, ele, pensando que eu dormia, me tomou nos braços e me prendeu entre suas coxas, colocando seu membro viril entre as minhas e, como se estivesse com uma mulher, se mexeu e ejaculou em minhas pernas. Quase sempre, a cada noite que dormíamos juntos, ele recomeçava esse pecado. Como eu, naquele tempo, era ainda uma criança, apesar de não gostar do ato, não ousava contá-lo a ninguém, por pudor.”

Arnaud declarou que, anos depois, sentia um mal físico quando se abstinha por mais de oito ou quinze dias de ter relações com um homem ou uma mulher. Tinha, então, experiências heterossexuais, mas uma aventura o fez renunciar às mulheres. Segundo frei Pierre Record, encarcerado na mesma cela que Arnaud por alguns dias, o subdiácono lhe contou que “na época em que se queimavam os leprosos, ele morava em Toulouse, tendo relações com uma mulher da vida; depois de cometer esse pecado, seu rosto inchou, o que o fez acreditar que estivesse com lepra. Por isso, jurou que a partir de então nunca mais teria relações carnais com mulheres”. (Veja a reportagem completa indo ao hyperlink: O amor que levava à fogueira - História Viva).

28/09/2007

terra sem humanos

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 02:34

Terra sem humanos - Uma nova forma de avaliar o impacto da humanidade sobre o ambiente é pensar como o mundo se sairia se todas as pessoas desaparecessem - por Alan Weisman - É uma fantasia comum imaginar que você é a última pessoa viva na Terra. Mas e se todos os seres humanos fossem varridos de repente do planeta?

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Tal premissa é o ponto de partida de The world without us (O mundo sem nós), nova obra do autor de livros científicos Alan Weisman, professor associado de jornalismo da University of Arizona. Nesse longo exercício de pensamento, Weisman não especifica exatamente o que elimina o Homo sapiens, em vez disso ele simplesmente assume o desaparecimento repentino de nossa espécie e projeta a seqüência de eventos que provavelmente ocorreria nos anos, décadas e séculos a seguir. Segundo Weisman, uma grande parte de nossa infra-estrutura física começaria a ruir quase que imediatamente. Sem equipes para a manutenção das ruas, nossos grandes bulevares e rodovias começariam a rachar e a ficar abaulados em questão de meses. Nas décadas seguintes, muitas casas e edifícios comerciais ruiriam, mas alguns itens comuns resistiriam à degradação por um tempo extraordinariamente longo. Panelas de aço inoxidável, por exemplo, poderiam durar milênios, especialmente se ficassem enterradas nos sítios pré-históricos cobertos por ervas daninhas em que nossas cozinhas se transformariam. E certos plásticos comuns permaneceriam intactos por centenas de milhares de anos, não se decompondo até que micróbios evoluíssem para adquirir a capacidade de consumi-los. (Veja a reportagem completa editada pela revista Scientific American Brasil indo ao hyperlink: Scientific American Brasil)

 

 

visão paranóica

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 02:10

O PT e a visão paranóica da mídia - Não é de hoje que Lula e PT mantêm relações esquizofrênicas com a mídia. Ambos lhe devem a projeção que têm. São frutos da liberdade de imprensa. Sem a “mídia burguesa” e “privada”, que tanto abominam, não teriam ascendido ao patamar em que estão. Se, ao tempo em que Lula projetou-se como líder sindical, nos anos 80, vigesse o modelo de mídia que o PT proclama ideal – a estatal – a sociedade brasileira sequer teria tomado conhecimento da existência daquele sindicalismo que emergia no ABC paulista. Se dependesse da boa vontade de quem geria o Estado brasileiro naquela oportunidade – os militares -, Lula jamais sairia do anonimato. Quem o fez conhecido, vocalizando sua luta e de seus correligionários, foi exatamente a mídia burguesa e privada – a mesma que o PT, hoje no poder, quer ver pelas costas. Foi essa mídia que, com todos os seus múltiplos defeitos e fragilidades, enfrentou a censura, denunciou torturas e mortes nos subterrâneos do regime militar e permitiu que a sociedade brasileira não sucumbisse inteiramente ao arbítrio. Foi pelas frestas que conseguiu manterem abertas que novidades como Lula e PT vieram à tona, se estabeleceram e chegaram ao poder máximo do país. Isso não é juízo de valor – é História. Mas a Executiva do PT reuniu-se esta semana e, no pleno exercício de sua amnésia política, desancou a “mídia privada”. Disse que é “instrumento e Estado-Maior” de uma campanha da “direita” para desestabilizar o governo Lula. Campanha golpista, claro. E conclamou a militância a reagir a essa “nova ofensiva”.

Manifesto e respectiva terminologia não resistem a uma depuração ginasiana. Antes de qualquer coisa, o partido insiste no truque retórico – e intelectualmente desonesto - de que o mundo atual se divide entre direita e esquerda. E o que é pior: que o governo Lula estaria à esquerda. A afirmação é risível. Basta conferir alianças, equipe e políticas econômica e monetária em curso - e, acima de tudo, afirmações recentes do próprio presidente da República. Em diversas oportunidades, Lula afirmou que “jamais” foi de esquerda. Chegou uma vez a gracejar: “Não sou de esquerda; sou torneiro-mecânico”. Numa solenidade, em dezembro passado, disse que esquerda e maturidade não combinam. “““ “A frase literal é:” Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema”. Considerou isso – a direitização do esquerdista - fator de "evolução da espécie humana”, colocando compulsoriamente fora desse processo, entre outros, macróbios respeitabilíssimos - e confessadamente comunas - como Oscar Niemeyer (99 anos) e José Saramago (85 anos). Portanto, soa ridículo, num governo que tem em sua base de apoio políticos de todos os naipes, da esquerda à direita, fisiológicos e ideológicos, falar em “conspiração da direita”.

Troque-se a expressão direita por “esquerda” ou “subversivo” e compare-se o texto da resolução com as ordens do dia dos tempos do regime militar: é a mesma retórica, a mesma indigência mental e estilística. A caça transmutou-se em caçador. A resolução da Executiva mostra que o partido enxerga o desempenho do governo Lula por um viés exitoso e cor-de-rosa, que não coincide neste momento com o de parcela expressiva da sociedade brasileira. Fala em “sólido apoio popular” ao governo, contra o qual “a oposição recorre à manipulação e à mentira” para desgastá-lo. Vê nas vaias a Lula, na abertura dos jogos Pan-americanos, não uma circunstância trivial (e quase inevitável) da vida pública, mas “uma subida de tom da oposição”, tendo em vista “tanto as eleições de 2008 quanto as de 2010”. O apagão aéreo é visto como algo em que o governo deve figurar como vítima – e não como responsável. A culpa, se há, cabe à mídia, que teve a ousadia de registrar os contratempos exibidos pelo setor – entre os quais, os dois maiores desastres aéreos da história da aviação civil brasileira.

Já a crise do mensalão – aquela que o procurador-geral da República, em notícia crime ao Supremo Tribunal Federal, considerou fruto da ação de uma “organização criminosa”, chefiada pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu – o PT a atribui a “ataques da oposição de direita”. O hoje ministro Roberto Mangabeira Unger escreveu que se tratava do maior escândalo da história republicana brasileira – e pediu o impeachment do presidente Lula. Por muito (mas muito mesmo) menos, o PT ocupou os espaços da mídia privada e burguesa nos anos 90 e levou Fernando Collor ao impeachment. No curso dos governos FHC, fez campanha pela deposição do presidente (“Fora FHC”), infernizou a vida de diversos de seus ministros e veiculou na mídia privada inúmeros pedidos de CPI – uns procedentes, outros não. O que importa é que, naquela ocasião, o partido via na mídia uma aliada e proclamava seu comportamento como patriótico. Hoje, diante de ações em tudo análogas, por parte de seus opositores, fala em conspiração.

A imprensa brasileira está longe da perfeição. Carece mesmo de exercícios mais constantes e consistentes de autocrítica. Reflete as fragilidades da sociedade que vocaliza e vive a crise de transição que o advento de novas tecnologias da informação lhe impôs. Daí, porém, a ser “Estado-Maior” de uma “ofensiva da direita” vai uma distância maior que a que separa os redatores do manifesto da realidade. A mídia brasileira não é homogênea. É plural. Nela figuram, nos seus extremos, antigovernistas e governistas. Padecem da mesma patologia, mas estão longe de predominar. A maioria acompanha perplexa o apocalipse em gotas, que é a realidade contemporânea de nosso país e de nosso planeta. Há limitações, má fé e até idealismo. Conspiração, porém, não. Seria necessária uma competência que não temos. Nem nós, nem o país. Felizmente. Ruy Fabiano é jornalista (Postado no Blog do Noblat em 04.08.07 - Globo Online).

25/09/2007

Arte de Amar

Arquivado em: Sem Categoria — hilltop @ 00:52
Arte de Amar
Manoel Bandeira
 
cheira a flor
 

        Se queres sentir a felicidade de amar,

        Esquece a tua alma.        

        A alma é que estraga o amor.

        Só em deus ela pode encontrar satisfação.

        Não noutra alma.

        Só em deus — ou fora do mundo.

        As almas são incomunicáveis.

        Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

        Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

mais abaixo

na panela

Arquivado em: Artigos — hilltop @ 00:14

A fritura de Waldir na panela da Dilma - Um suspiro de alívio sobe da arena onde até o começo da semana leões famintos mantinham encarniçada disputa para apontar culpados pela tragédia em Congonhas. Quinta-feira, o Jornal Nacional já falava de calmaria nos aeroportos. Nada se resolveu efetivamente: foi mais fácil um pacto de consenso sobre quem é a Geni desta história nebulosa: o baiano Waldir Pires, demitido e logo substituído pelo peemedebista Nelson Jobim.  caldeirão   A fritura do ex-ministro culminou na reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), a ser lembrada como um dos momentos mais perversos do poder  na história da República. Foi reforçado o azeite fabricado na panela da Casa Civil da ministra Dilma Rousseff para fritar o “companheiro” da Bahia, um dos mais honrados políticos brasileiros, como acentuou Lula em um de seus mais desastrados discursos. Bem mais cáustico que o utilizado para torrar o pernambucano Cristóvam Buarque, da Educação. Buarque foi expulso do ninho pelo telefone quando estava em Lisboa. Waldir teve de suportar em Brasília horas de massacre torturante, na reunião do Conac, antes de ser mandado “descansar” em casa. Vida que segue, marcas que ficam, muitas ainda escondidas. Alguns atos dos bastidores, porém, começam a aflorar. Expõem a receita de humilhação aplicada antes do afastamento de Waldir, ex-consultor-geral da República do governo de João Goulart e desde o dia da posse tratado como estranho na Defesa. Apesar de não ser ele a autoridade aeronáutica de acordo com a Lei Complementar 97, que trata do Ministério da Defesa, quase todos tinham na boca  ou nas mãos um impropério ou uma pedra para jogar em Waldir, que chegava ao novo posto vindo da Corregedoria-Geral da República,  uma das áreas mais bem-sucedidas do governo petista.

A Aeronáutica, formalmente “subordinada” à Defesa, tem plena autonomia de gestão administrativa e financeira. Desse fato decorre a pergunta que não quer calar: como um órgão com tamanha autonomia pode estar subordinado a outro, principalmente em se tratando de assunto de caserna? É coisa para inglês ver, mas mexer aí é outra história. “Quem há-de?”, perguntaria o saudoso cronista baiano Sylvio Lamenha.  Mais fácil mesmo é triturar o civil Waldir . Nisso as partes em confronto entraram logo em acordo. Sexta-feira da semana passada, na reunião do Conac, acuado com dedo em riste pela ministra Dilma Roussef, Waldir Pires foi jogado na panela fervente. Antes, enfrentou chacotas e risos a cada intervenção. De Dilama, do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da arrogante advogada Denise Abreu – aquela do charuto na festa de casamento do filho de Leur Lomanto (diretor da Agência Nacional da Aviação Civil – Anac) em Salvador –, que o ex-ministro José Dirceu deixou como diretora jurídica da Agência. Presentes na sala, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o comandante da Aeronáutica e convidados como o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, da Infraero, brigadeiro J. Carlos, entre outros. aerolula

Foi sessão de massacre e escárnio. Em confabulações jocosas com Denise Abreu, a chefe da Casa Civil – segundo olhos perplexos – parecia ávida em constranger ao máximo o seu colega em desgraça e companheiro de partido, provavelmente à espera de um pedido de demissão que não veio. Há quem tenha visto nos gritos de Dilma, um ritual de vingança também pela atitude de reprovação adotada por Waldir quando do passeio da ministra  em companhia do governador Jaques Wagner no barco de Zuleido Veras, da empreiteira Gautama, pela Baía de Todos os Santos. Na reunião para aprovar resolução já decidida antes dentro da Casa Civil  com a participação dos mesmos ministros, foi deixada de lado a discussão do principal: de quem é a responsabilidade pela liberação do aeroporto de Congonhas? Pelos problemas das companhias aéreas, overbooking, passagens aéreas distribuídas entre a diretoria e tudo o mais que cabe à Anac e à Infraero cuidar, mas lavam as mãos nessa etapa crítica da aviação brasileira? Sai o “legalista”  e vem Jobim,  gauchão valente, que, com floreios de retórica pampeira e uma visita  a Congonhas,  já deu um jeito nas coisas. Será? O novo ministro precisa domar o ego para não virar mais um daqueles gaúchos da poesia do pernambucano Ascenso Ferreira: “Riscando os cavalos! / Tinindo as esporas/ Través das cochilhas! / Saí dos meus pagos em louca arrancada. / Para quê? / Pra nada.”

Vitor Hugo Soares – Jornalista, editor de Opinião. E-mail: vitors.h@uol.com.br (Artigo postado no Blog do Noblat - 28.07.07 - O Globo Online).

24/09/2007

Teu corpo claro e perfeito

Arquivado em: Poesias — hilltop @ 18:58

Poema Erótico de Manoel Bandeira

 poeta

Teu corpo claro e perfeito

corpo claro

Teu corpo de maravilha / Quero possuí-lo no leito /

 

                                              corpo claro

Estreito da redondilha… / Teu corpo é tudo o que cheira…

Rosa… flor de laranjeira… / Teu corpo branco e macio

                                           ouvindo


É como um véu de noivado… / Teu corpo é pomo doirado…

Rosal queimado do estio, / Desfalecido em perfume…

                                              teu corpo é tudo


Teu corpo é a brasa do lume… / Teu corpo é chama e flameja

Como à tarde os horizontes… / É puro como nas fontes

                                              a água clara


A água clara que serpeia, / Que em cantigas se derrama…

Volúpia de água e da chama… / A todo momento o vejo…

                                              única

Teu corpo… a única ilha / No oceano do meu desejo…

                                               no oceano do


Teu corpo é tudo o que brilha, / Teu corpo é tudo o que cheira…

                                               cheira a flor


Rosa, flor de laranjeira…

problemas ambientais

Arquivado em: Notícias — hilltop @ 18:56

Problemas ambientais matam 4 milhões de crianças a cada ano - GENEVA. Quatro milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morrem todo ano por problemas ambientais, como ar ou água poluídos e exposição a substâncias químicas, de acordo com informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Envenenamento, infecções  isso aí e  respiratórias agudas, diarréia e malária transmitida por mosquitos que circulam em águas poluídas são os maiores vilões, segundo o relatório técnico da agência das Nações Unidas. - Este quadro é algo que sempre reconhecemos intuitivamente, mas nunca tinhamos analisado em estudos a dimensão do problema - disse a especialista da OMS, Jenny Pronczuk. Cerca de 30% das mortes em crianças provocadas por males de saúde podem ser atribuídos a problemas ambientais, segundo o relatório escrito por um grupo de 24 especialistas. As substâncias químicas têm efeitos diferentes conforme as crianças crescem, e freqüentemente os efeitos da exposição do feto a toxinas durante a gravidez aparecem depois, ao longo da adolescência. - Se a criança for exposta ao chumbo ainda no útero da mãe, o químico passa para os ossos da criança - exemplifica Pronczuk. A África é a região com o maior número de doenças relacionadas a problemas ambientais, seguidas por partes do Sudeste da Ásia. O estudo mostrou que as crianças, principalmente as de países em desenvolvimento, são bem mais vulneráveis aos fatores ambientais do que os adultos. Comportamentos como engatinhar ou colocar as mãos na boca aumentam o nível de exposição.

Pronczuk contou que muitos efeitos da exposição a substâncias químicas são irreversíveis e que há evidências de que doenças como câncer ou patologias cardiovasculares em adultos estejam associadas a algum tipo de exposição a um agente químico durante a infância. Ainda nos primeiros anos de vida, os efeitos negativos na saúde derivados do contato com substâncias químicas incluem morte pré-natal, crianças que nascem abaixo do peso, má-formação congênita e o pouco desenvolvimento nas primeiras fases. O relatório menciona ainda o surgimento da asma e outros transtornos imunológicos em crianças mais velhas e em adolescentes, como a puberdade precoce ou retardada. (Editado 'Textos do Jornal' in JB Online - Postado no Blog do Noblat em 28.07.07)

 

 

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