Cume – Escalando Montanhas

30/06/2007

o dinheiro

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O dinheiro era para subornar - 30.06.07 – Revista Veja de 04.07.07 – Joaquim Roriz usou dinheiro de Nenê Constantino para pagar propina a juízes – Por Diego Escosteguy: O senador Joaquim Roriz, flagrado em uma conversa telefônica combinando a partilha de 2,2 milhões de reais, finalmente subiu à tribuna para explicar-se na semana passada. Com um discurso pronunciado à semelhança de Odorico Paraguaçu, o inesquecível personagem de folhetim que encarnava o aspecto folclórico da política, Joaquim Roriz repetiu o que dissera antes – só que, da tribuna, adicionou algumas lágrimas e muita retórica. "Quem em sua vida nunca pediu um empréstimo a um amigo?", disse. "Será que um senador não poderia pedir um empréstimo a um amigo de longa data?", repetiu. "Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus! A que ponto chegamos?" No discurso, Roriz disse que pediu 300.000 reais ao seu amigo e empresário Nenê Constantino, dono da Gol Linhas Aéreas, para pagar uma bezerra. Constantino entregou um cheque de 2,2 milhões, Roriz sacou o dinheiro, reteve 300.000 reais e devolveu o restante, 1,9 milhão, ao empresário. A novidade é que, se parte do dinheiro foi mesmo usada para pagar uma bezerra, outra parte teve  explosão do sol   destino explosivo – serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006. Na semana passada, VEJA conversou com um político que priva da intimidade do senador e que ouviu a confissão do pagamento da propina do próprio senador – e não de terceiros. Ele conta que, no começo de fevereiro passado, Joaquim Roriz recebeu seu suplente, o ex-deputado distrital Gim Argello, em sua casa. Conversaram sobre os boatos de que a decisão pró-Roriz do TRE teria sido comprada. A certa altura, travou-se o seguinte diálogo:

Argello – O Agnelo (refere-se a Agnelo Queiroz, ex-ministro e candidato derrotado ao Senado) me disse que a decisão foi comprada. É isso mesmo?

Roriz – É isso mesmo. Achei que o processo não ia dar em nada, mas tivemos de resolver. Tivemos de comprar dois.

Conforme o relato do político que detalhou o assunto a VEJA sob a condição de manter-se anônimo, "comprar dois" significa subornar dois juízes do TRE. Na mesma conversa, Roriz lembrou ao interlocutor que o mandato de senador também lhe pertencia. "O mandato também é seu, você precisa me ajudar", apelou. "Tem de levantar 1,2 milhão", detalhou. Roriz não explicou se 1,2 milhão de reais era o valor total da propina dos dois juízes ou se era a parte que faltava pagar. A solução não demorou a surgir. No dia 13 de março, conforme aparece no diálogo telefônico capturado pela polícia, Roriz descontou o cheque de 2,2 milhões de Nenê Constantino e, sabe-se agora, repassou pelo menos 1,2 milhão aos juízes subornados. Isso explica por que, na conversa grampeada, Roriz se recusa a receber o dinheiro em sua própria casa, num carro-forte, e explica que a partilha dos recursos envolve outras pessoas. "O dinheiro é de muita gente", diz ele.

O caso que livrou Roriz da cassação foi julgado em 23 de outubro, mas começou no dia 19 de setembro, quando o Ministério Público o acusou de uso político da máquina pública do governo do Distrito Federal. Na época, Roriz deixara o cargo de governador para concorrer ao Senado, e a estatal de abastecimento de água, a Caesb, mudara em propagandas seu número de atendimento telefônico de 115 para 151 – número de Roriz nas urnas. O placar do julgamento no TRE estava em 3 a 2 contra Roriz. Um juiz pediu vistas e, dias depois, quando a sessão foi retomada, votou a favor de Roriz, cravando um empate em 3 a 3. Antes que o presidente do tribunal desse seu voto de Minerva, um dos juízes que votaram contra Roriz subitamente mudou de idéia. Com isso, Roriz livrou-se da cassação por 4 a 2. A virada no placar teria custado pelo menos 1,2 milhão de reais. Procurado por VEJA, o suplente Gim Argello confirmou o encontro com Roriz, mas disse que não faria comentários a respeito de pagamento de propina.

Na versão oficial de Roriz, a sobra de 1,9 milhão não virou propina para ninguém. Foi devolvida ao empresário Nenê Constantino. VEJA perguntou ao empresário o que ele fez com o 1,9 milhão de reais, mas o empresário não respondeu. Roriz, por sua vez, alega que os 300 000 reais foram usados para pagar uma bezerra, de 271 000 reais, e a sobra de 29 000 reais foi emprestada a Benjamin Roriz, seu primo, que estava com problemas de saúde na família. O problema de Roriz é que a nota fiscal que supostamente comprova o pagamento de 271.000 pela bezerra está crivada de mistérios. A nota foi emitida no dia 1º de março, o bicho foi entregue no dia 3 e o pagamento foi feito apenas no dia 14. Por que alguém entrega a mercadoria e a nota antes de receber o dinheiro? Além disso, a nota informa a venda de "04" animais, mas na versão de Roriz foi apenas uma bezerra.

Mais: na nota consta o pagamento de 532.000 reais, mas Roriz diz que obteve um desconto de 50%. O vendedor confirma. "Ele chorou muito e eu dei o desconto de 50%", diz o pecuarista Márcio Serva. Mas fica a pergunta: por que o vendedor faz uma nota com um valor superior ao real? Para pagar mais imposto? Márcio Serva não soube explicar. Por fim, a nota fiscal distribuída à imprensa vem com um cabeçalho de fax em que se lê a data de 30 de maio de 2005. Com base nessas informações, deduz-se que nessa data a nota foi enviada da empresa de Roriz para algum outro lugar – o que sugere que a nota, apresentada como sendo de agora, é muito mais antiga. Isso é fraude. Os assessores de Roriz dizem que o fax estava com defeito e informava data e hora incorretas. Apesar do acúmulo de inconsistências a respeito da nota fiscal, ainda assim não há evidência concreta de que o negócio de 271.000 reais não tenha sido feito. O que parece certo é que a parte do leão do dinheiro, o 1,9 milhão de reais restantes, não foi para as mãos do empresário Nenê Constantino, mas acabou azeitando o propinoduto de Roriz. Haverá mais lágrimas e mais retórica.(Postado no Blog do Noblat em 30.06.07).

(Reportagem transcrita da VEJA, edição de 4/7/2007)

emana do senado

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O odor que emana do Senado – Editorial in "O Estado de São Paulo" – 30.06.07 – Já não tivesse dito na véspera que “o que não pode é o Senado ficar sangrando e, mais do que isso, fedendo”, o representante de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, teria motivos de sobra para dizê-lo, em tom ainda mais enfático, na quinta-feira. Até os mais calejados observadores dos costumes políticos nacionais hão de ter sentido vergonha pelas novas demonstrações de cinismo e ignomínia que enxovalharam nesse dia a Casa, sangrando há cinco semanas em razão das jogadas do seu presidente Renan Calheiros para enterrar, custe o que custar, as denúncias contra ele. O vexame mais espetaculoso foi proporcionado pelo senador peemedebista Joaquim Roriz, que está para o Distrito Federal (DF) – onde exerceu quatro mandatos de governador – como os velhos coronéis do voto de cabresto e do assistencialismo estão para os grotões do Brasil arcaico. No fim da semana passada, com se sabe, a imprensa divulgou trechos de gravações feitas pela polícia do DF, em 13 de março, nas quais se ouve Roriz acertando a partilha de uma bolada, no escritório do magnata dos transportes Constantino de Oliveira, o Nenê, com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília Tarcísio Franklin de Moura. Ele é um dos 19 presos da Operação Aquarela, por suspeita de desvio de R$ 50 milhões do banco.   moneybag  A intragável versão de Roriz é a de que pedira a Nenê um empréstimo de R$ 300 mil para um negócio com gado, recebeu um cheque de R$ 2,2 milhões, sacou-o e devolveu o troco. Investigado pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma, e alvo de um pedido do PSOL para que seja processado no Conselho de Ética, Roriz enfim apareceu para se defender.

O que apresentou da tribuna, em 40 minutos, diante de apenas 13 dos seus 80 pares, foi uma grotesca farsa de um cinismo que chegou a assumir ares de deboche. Maltratando as palavras, a sintaxe e a lógica, falou de sua compaixão pelos pobres (“só pensava, dia e noite, em quem passava necessidade e fome”), se irmanou a Calheiros no papel de vítima da “imprensa opressora” (“a imprensa, quando quer, massacra”), apregoou o seu fervor religioso (“prostrado de joelhos, pedi a Nossa Senhora que me desse forças”), abanou duas folhas de papel como se fossem procurações para a quebra dos seus sigilos, verteram como diria Nelson Rodrigues, lágrimas de esguicho – e não convenceu ninguém. Perto dos 71 anos, Roriz está no pior dos mundos: se renunciar para não ser cassado, ou se enfrentar o processo e for cassado, como tudo indica que será, perderá o direito ao foro privilegiado e poderá a qualquer momento juntar-se aos detentos da Aquarela. Mas isso é problema dele.

Problema dos senadores, que nesse caso tornarão a ofender a sensibilidade olfativa de Jarbas Vasconcelos, será a tentação de transformar Roriz em boi de piranha, para que Calheiros passe impune, com as suas fabulosas boiadas, as suas ligações promíscuas com o lobista de uma empreiteira – e a sua recusa em se aperrear com a hemorragia do auto-respeito da instituição, desencadeada por sua patológica teimosia de se abraçar ao cargo. O mais recente produto dessa indiferença pelo destino da Casa, que ele parece disposto a levar consigo aos porões da desonra, foi a torpeza que fez par com a indecorosa farsa de Roriz. É mais uma história de submundo político. Tendo o petista Sibá Machado renunciado à presidência do Conselho de Ética, Renan acionou a sua tropa de choque para indicar, como sucessor, o também peemedebista Leomar Quintanilha, do Tocantins. Eis um personagem que se sente bem na atmosfera em que vive a Casa. Ele figura em dois inquéritos abertos no Supremo, a pedido do Ministério Público. É acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A polícia localizou 14 cheques no total de R$ 283 mil em favor de um irmão e de um assessor de Quintanilha, emitidos por uma empreiteira beneficiada por emendas ao Orçamento de sua autoria. Para se eleger no Conselho com votos da oposição, anunciou que seu candidato para a relatoria, igualmente vaga, era o capixaba Renato Casagrande, do PSB, favorável ao aprofundamento das investigações sobre Renan. Eleito, simplesmente deu o dito pelo não dito. “Está passando do limite”, protestou Casagrande. Qual a novidade? Jarbas Vasconcelos não havia afirmado que “a situação está ficando insustentável”? (Postado no Blog do Noblat em 30.06.07).

a chulice

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A chulice apropriada - Editorial in O Estado de São Paulo – XT Estado – 29.06.07 – Todo cuidado é pouco para não tomar ao pé da letra o que os políticos dizem. Ou porque muitos deles mantêm um relacionamento difícil com a verdade, ou porque o prazo de validade da maioria de suas declarações varia conforme as conveniências que as ditaram, ou ainda porque, na presença de câmaras e microfones, são possuídos por surtos de arrebatamento, que cessam tão logo se desligam os equipamentos. No entanto, vez por outra, quando a fala de um político retrata inquestionavelmente e sem rebuços uma realidade do momento, toda atenção há de lhe ser dada. É o que se aplica a uma das mais chocantes afirmações já ouvidas no plenário de uma casa legislativa federal brasileira – com a reveladora agravante de não ter sido rebatida por nenhum dos pares de quem a proferiu, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, do PMDB. Na sessão da quarta-feira, em aparte ao ex-presidente do Conselho de Ética Sibá Machado, que subira à tribuna para dar a sua versão da renúncia ao cargo, Vasconcelos disse que pedira o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado “para não nos causar o constrangimento que causa hoje, presidindo a sessão em que o senhor explica as razões que o levaram a renunciar”. E pôs o dedo na ferida: “O Senado não pode ficar nessa perplexidade em que se encontra, sob pena de se desmoralizar. O que não pode é o Senado ficar sangrando e, mais do que isso, fedendo. Essa situação está ficando insustentável.” Nada poderia definir melhor a atmosfera em que vive hoje a Câmara Alta do que o termo chulo. Vasconcelos não é nenhum boquirroto ou irresponsável. Com 64 anos de idade e 37 de vida política, foi três vezes deputado, duas vezes prefeito e duas vezes governador – sempre pelo mesmo partido. É um dos poucos peemedebistas de nomeada que não aderiram ao governo Lula.

A informal “bancada ética” do Senado – que inclui, notadamente, o seu correligionário Pedro Simon, o pedetista Jefferson Peres e o petista Eduardo Suplicy – tem nele um dos mais vigorosos porta-vozes. “O Congresso não pode mergulhar mais na lama do que já está mergulhado”, adverte, por exemplo. Poder, sempre pode como vimos aprendendo. Mas o essencial é que já era mais do que hora de algum integrante da chamada Câmara Alta da República tapar o nariz, corajosamente, para o mau cheiro que dali emana – cada vez mais forte. Enredado numa parceria suspeita com o lobista de uma empreiteira e apanhado no contrapé da papelada com que pretendia provar ter recursos próprios para as suas despesas extraconjugais, Calheiros fez do Conselho de Ética um circo mambembe, tornou o Senado refém de suas maquinações, tudo para que, no fim, a impunidade prevaleça. A sua mais recente mistificação visa a transformar um problema circunscrito à apuração de quebra de decoro parlamentar numa conspirata da oposição contra o presidente Lula. Buscando alinhar o Planalto com as suas manobras para salvar a própria pele desidratada, o político alagoano adotou a mesma tática do grão-companheiro José Dirceu em 2005, quando tentava negar as verdades do escândalo do mensalão com o cínico argumento de que os fatos incontestáveis que se empilhavam uns sobre os outros eram uma fabricação tucano-pefelista, reforçada pela mídia “opressiva”, para desestabilizar o governo do PT. Não foi com outra intenção que Calheiros pediu para ser recebido por Lula. Mas, ontem, o presidente lhe deu em público menos do que ele talvez esperasse. “Todos são inocentes até que se prove o contrário. O julgamento tem que ser feito com lisura para que não se cometa nenhum erro em nenhuma de nossas instituições”, afirmou. Para azar do senador, no mesmo dia em que foi a palácio vazou uma gravação aparentemente autêntica em que o lobista Cláudio Gontijo diz à ex-amante do amigo que ele o procurava para socorrê-lo nos seus apuros com gastos eleitorais. “É sempre assim: ‘Cláudio, arruma aí, pede emprestado’”, ouve-se o lobista contar. Ao Conselho de Ética, Gontijo negara taxativamente ter contribuído para as campanhas de Calheiros. E este reiterou que nunca recebeu um centavo do outro para qualquer finalidade. Dessa forma se condensam, em sucessão, as substâncias tóxicas que tornam irrespirável a atmosfera moral do Senado, como denunciou Jarbas Vasconcelos.

opep do gás

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Brasil endurece com Venezuela e Bolívia e ataca Opep do gás _ Editorial in "O Estado de São Paulo" – 18.04.07 – Postado no Blog do Noblat – Nova divergência marca encerramento de cúpula energética; etanol e Banco do Sul já haviam provocado polêmica – Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL, ISLA MARGARITA – O governo brasileiro trombou com Venezuela, Bolívia e Argentina ao se opor, ontem, ao projeto dos vizinhos de formar um cartel no setor do gás. Com mais essa divergência, a 1ª Cúpula Energética Sul-americana terminou marcada por uma franca oposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às idéias de seu colega venezuelano Hugo Chávez. Eles já haviam discordado na questão do etanol e na criação do Banco do Sul. Ontem de manhã, os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e de Minas e Energia, Silas Rondeau, desmentiram declarações de autoridades venezuelanas e bolivianas de que o Brasil havia solicitado adesão à chamada ‘Opep do Gás’. Ao final da cúpula, Lula bateu com mais força. “Não se discutiu a adesão do Brasil à ‘Opep do Gás’. O tema não foi discutido na reunião nem consta da declaração final”, disse Lula. “Agora, como somos presidentes livres e democratas, cada um fale o que quiser pelos corredores”, completou, em clara reprovação à atitude dos governos de Chávez e de Evo Morales, da Bolívia. Segundo Silas Rondeau, o governo brasileiro apenas defendeu uma profunda discussão sobre a criação desse organismo, especialmente sobre a tendência de “formar preços” para o gás na América do Sul. “Se tivermos essa organização, que ela defina o melhor preço para que o gás promova a América do Sul, e não para criar um cartel”, disse. “O Brasil também é produtor de gás, assim como o Peru e a Colômbia, que nos apóiam.”

O estopim da divergência foi aceso com a divulgação de um comunicado do governo venezuelano, anteontem à noite, informando que os chefes de Estado haviam avaliado o alcance da ‘Opep do Gás’. O mecanismo foi criado em março, quando Venezuela, Bolívia e Argentina assinaram um tratado e anunciaram a disposição de aumentar o número de sócios. Na semana passada, a Venezuela frustrou-se na tentativa de seduzir os membros da Opep original, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a se somar ao novo cartel. Na manhã de ontem, o ministro boliviano de Energia, Carlos Villegas, disse que Silas Rondeau havia apresentado o pedido de adesão do Brasil. “Temos de regular os preços, a produção, o intercâmbio de experiências para melhorar os níveis produtivos e de transporte e também de industrializar o gás”, afirmou Villegas à TV oficial da Venezuela. Questionado por repórteres, Villegas disse que não é intenção “cartelizar” o mercado, que ainda é muito “imaturo”. Mas se contradisse. “Em longo prazo, conforme melhorar a tecnologia do setor, vamos transitar de um mercado regional para um mercado mundial de gás. Creio que seria conveniente e pertinente ter marcadores para regular os preços do gás em nível internacional.” Questionado sobre a posição da Bolívia, o chanceler Celso Amorim rebateu: “Não tem cabimento defender a ‘Opep do Gás’ em uma reunião como esta. Se estamos envolvidos em um esforço de integração, não podemos dividir consumidores de produtores de gás. Ao contrário, temos de conciliar e harmonizar esses interesses.”

  • ETANOL

Como uma bandeira de paz, Hugo Chávez confirmou, na abertura da reunião, que retomará as importações de etanol do Brasil. As compras, que superaram US$ 15 milhões em 2006, foram interrompidas em outubro. Em um sinal de que não se oporia à expansão dessa produção na América do Sul, Chávez propôs que sejam construídas usinas de etanol ao lado das novas refinarias de petróleo. “Isso significará o cultivo de milhões de hectares de cana e de palma africana, para oxigenar a gasolina.” Animado, Lula insistiu em que não há competição entre a produção de alimentos e biocombustíveis e que a fome é um problema de falta de renda.

O documento final da cúpula prevê a instalação de um conselho, com sede no Equador, dirigido por um secretário executivo. Chávez lançou o nome do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, para o posto. Surpreendeu o próprio Guimarães e os chefes de Estado presentes.“Continuo a ser apenas o secretário-geral das Relações Exteriores”, disse Guimarães.

  • TIROTEIO

Carlos Villegas – Ministro da Bolívia – “Temos de regular os preços, a produção, o intercâmbio de experiências para melhorar os níveis produtivos e de transporte e também de industrializar o gás”.

Luiz Inácio Lula da Silva – Presidente do Brasil – “Não se discutiu a adesão do Brasil à ‘Opep do Gás’. Agora, como somos presidentes livres e democratas, cada um fale o que quiser pelos corredores”.

Celso Amorim – Chanceler do Brasil – “Não tem cabimento defender a ‘Opep do Gás’ numa reunião como esta. Se estamos envolvidos em um esforço de integração, não podemos dividir consumidores de produtores de gás”.

29/06/2007

9 bilhões em 2050

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Mundo terá 9 bilhões de pessoas em 2050, diz ONU – 27.06.07 – Relatório editado no site da BBC Brasil – Urbanização deve engrossar ainda mais as favelas, diz ONU – O mundo terá em 2050 cerca de 2,5 bilhões de habitantes a mais do que hoje, elevando o total de moradores do planeta a 9 bilhões, estima um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta quarta-feira. E até 2030, cinco bilhões de pessoas viverão nas cidades, o equivalente a 60% da população, disse o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). No ano em que o mundo ultrapassa uma marca de mais de 50% de seus 6,6 bilhões de moradores vivendo em centros urbanos, o UNFPA dedicou seu relatório anual Situação da População Mundial 2007 ao tema da urbanização. O crescimento urbano ocorrerá quase que exclusivamente no mundo em desenvolvimento, onde em 2030 viverão 80% da população das cidades, disse a ONU. Em 30 anos, a população urbana nos países ricos aumentará em apenas 100 milhões de pessoas, o equivalente a 11% da população urbana atual nesses países (veja quadro). Na América Latina, 200 milhões de moradores urbanos adicionais até 2030 significarão um aumento de 50% em relação a hoje. Já na Ásia e na África, carros-chefes do crescimento das cidades, a população urbana dobrará neste período.

População urbana 2000/2030 (bilhões)

Ásia –                                            1,4 / 2,7

África –                                        0,3 / 0,7

AL e Caribe –                              0,4 / 0,6

Desenvolvidos –                       0,9 / 1,0

Total –                                         3,0 / 5,0

Fonte: Fundo para População da ONU

Com as cidades desses continentes crescendo ao ritmo de um milhão de habitantes por semana, quase sete em cada dez cidadãos urbanos serão asiáticos ou africanos em 2030, previu o estudo.

  • Favelas

O cenário de concentração do crescimento urbano em cidades do mundo em desenvolvimento fez o UNFPA alertar para a conseqüente explosão das favelas. Atualmente, um bilhão de pessoas vive em favelas, 90% das quais estão nos países em desenvolvimento e 40% na Índia ou na China. "Na África Subsaariana, a urbanização tornou-se virtualmente sinônimo de crescimento das favelas; 72% da população urbana da região vivem sob condições de favela, comparados a 56% no Sul da Ásia", disse o relatório. "A população de favelas na África Subsaariana quase dobrou em 15 anos, alcançando cerca de 200 milhões em 2005." Para os brasileiros, as favelas viraram a maior ilustração das grandes cidades, com milhões de habitantes. Mas o relatório ressaltou que a maior parte do crescimento se dará em cidades de menos de 500 mil habitantes. "É preciso concentrar a atenção onde o crescimento é maior", afirmou a diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid.  A batalha para alcançar a meta de reduzir à metade a pobreza extrema antes de 2015 (parte das Metas do Milênio) se dará nas favelas mundiais. "Portanto, é preciso prestar maior atenção às cidades menores, proporcionando-lhes recursos como informação e assistência técnica (para encarar desafios futuros)." Obaid acrescentou que "a urbanização é inevitável", e que o processo deveria ser "uma força para o bem".

  • Migração campo-cidade

O relatório disse que o crescimento urbano do futuro não se dará pela migração do campo para as cidades, e sim pelo próprio aumento das populações que já vivem nelas, e criticou políticas oficiais de alguns países de proibir ou desencorajar a movimentação do mundo rural para o urbano. Tais políticas, hoje comuns, por exemplo, na China, também caracterizaram a América Latina nos anos 70. "A transição urbana na América Latina ocorreu apesar de muitas políticas antiurbanas explícitas. De modo geral, a transição urbana foi positiva para o desenvolvimento", observou o relatório. "Uma atitude proativa em relação ao inevitável crescimento urbano teria minimizado muitas de suas conseqüências negativas, particularmente a formação de favelas e a falta de serviços urbanos para os pobres."

do mercosul

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CNI pede ao Congresso que tire Venezuela do Mercosul - Raquel Landim – 27/06/2007 – Online Valor -  Valor Econômico – Humberto Barbato Neto, presidente da Abinee, sobre o Mercosul: "É um absurdo pagarmos o preço do ingresso da Venezuela sem uma vantagem efetiva" Entidades empresariais estão fazendo lobby no Congresso Nacional para impedir a entrada da Venezuela no Mercosul nos termos até agora negociados. Apesar da crescente exportação do Brasil para o país, a resistência tem duas razões. As indústrias temem que as posições políticas do presidente Hugo Chávez atrapalhem o bloco nas negociações com grandes mercados, como União Européia e Estados Unidos, e há dúvidas sobre o tamanho do possível ganho econômico com a entrada da Venezuela no bloco, porque o ritmo e o cronograma da abertura venezuelana ainda não foram definidos. Para que o país de Chávez se torne membro pleno do Mercosul, falta apenas a aprovação dos congressos brasileiro e paraguaio.

  • Indústrias fazem lobby para vetar Venezuela no Mercosul – Raquel Landim – 27/06/2007 – Editado no Site Valor Econômico – Entidades empresariais tentam barrar no Congresso Nacional a entrada da Venezuela no Mercosul nos termos já negociados. O mercado venezuelano tem sido generoso para os exportadores brasileiros, mas a inquietação dos empresários tem outros motivos. Eles temem que as posições políticas do presidente Hugo Chávez atrapalhem o bloco nas negociações com grandes mercados, como União Européia e EUA, e têm dúvidas sobre a dimensão dos ganhos com o novo parceiro – o ritmo e o cronograma da abertura venezuelana não foram definidos. Para que o país se torne membro pleno do Mercosul só falta a aprovação dos Congressos do Brasil e do Paraguai.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) formalizou sua preocupação em carta enviada aos senadores da Comissão de Relações Exteriores, ao chanceler Celso Amorim e ao ministro Miguel Jorge. De janeiro a maio, as exportações do Brasil para a Venezuela cresceram 31% sobre igual período do ano passado. Em 2006, as empresas nacionais venderam US$ 3,6 bilhões aos venezuelanos, alta de 60%, sendo mais de US$ 3,2 bilhões em produtos industrializados. Apesar do protocolo de adesão já estar no Congresso, a Venezuela não concluiu as negociações para aderir à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. A abertura do mercado venezuelano para os países do bloco está prevista para 2014, mas o que preocupa os empresários é que o governo Chávez até agora não explicou qual será o ritmo dessa liberalização e quando cada grupo de produtos será incorporado à TEC. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) também enviou carta a quatro senadores e três deputados. No texto, a entidade sugere que Amorim seja convidado a explicar as razões de uma adesão tão "rápida e incompleta" e diz estar certa de que os deputados "saberão defender os interesses nacionais, não aprovando a entrada da Venezuela no Mercosul nos termos negociados até o momento".

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil quer sensibilizar o Congresso para a importância dos acordos bilaterais. Empresários do setor se reuniram com deputados para explicar as dificuldades de competir com a China sem acordos preferenciais. "A Venezuela é um mercado importante para o setor têxtil, mas não pode criar dificuldades para a abertura de mercados mais amplos", diz Fernando Pimentel, diretor-executivo da Abit.

usina de etanol

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Parceria sino-brasileira criará 2ª maior usina de etanol do Brasil – Marina Wentzel – De Hong Kong – Texto editado no site da BBC Brasil – 26.06.07 – Uma parceria entre a empresa estatal chinesa BBCA Bioquímica, da província de Anhui, e a pernambucana Grupo Farias vai abrir duas usinas de álcool no Brasil previstas para estarem entre as maiores do país. As duas usinas deverão ser construídas no Maranhão e devem entrar em funcionamento entre 2009 e 2010. A produção inicial será de 800 milhões de litros de etanol por safra, podendo chegar a 1 bilhão de litros por safra. O custo das usinas será de aproximadamente US$200 milhões (R$390 milhões). A produção será totalmente dedicada à exportação para a China. Cada usina terá capacidade de processamento de 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com produção de 400 a 500 milhões de litro de etanol por safra. Esses números colocam as duas unidades como as segundas maiores do Brasil. Atualmente a maior usina de etanol do país é a São Martinho, que está localizada na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e tem capacidade para processar 7,3 milhões de toneladas de cana por ano. “Planejamos construir uma unidade que fosse a maior do Brasil, mas por uma questão de escala agro-industrial devemos optar por construir duas. Uma unidade muito grande não agrega competitividade”, explicou à BBC Brasil o presidente do Grupo Farias, Eduardo Farias. Segundo Farias, a idéia é construir as usinas no Estado do Maranhão. “É quase certo que vai ser lá, pois há uma área boa para o plantio de cana e o porto de Itaqui tem capacidade para receber navios de grande porte”, disse ele.

  • Taxas e incentivo

O Grupo Farias deve ter parte majoritária na parceria sino-brasileira e ainda avalia a melhor estratégia para conseguir uma redução nas taxas de importação sobre etanol na China. “Estamos fazendo um trabalho de convencimento junto ao governo chinês para que eles compreendam que é necessário baixar as taxas sobre o etanol", disse Farias. Segundo dados da embaixada brasileira em Pequim, pela tabela tarifária do governo chinês, os impostos sobre importações de álcool podem variar entre 30% e 40%. "O imposto atual reflete a taxação sobre bebidas alcoólicas. Estamos empenhados em um esforço para demonstrar ao governo que vale a pena cortar as taxas para incentivar a importação de etanol, que é um combustível verde", explicou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, à BBC Brasil. Há pouco mais de uma semana a China anunciou que vai parar de produzir álcool a partir de milho, por questões de segurança alimentar. O aumento no preço do grão, que serve como base de ração para animais, contribuiu para a inflação dos preços da carne de porco, principal fonte de proteína na dieta dos chineses. Dentro de duas semanas o presidente da BBCA Anhui, Li Rong-Jie, e um grupo de executivos chineses irá ao Brasil para acertar os últimos detalhes da parceria. O grupo Farias é uma empresa familiar com sede em Pernambuco, que atua no setor sucroalcooleiro há mais de quarenta anos. (Veja a notícia completa indo ao hyperlink da BBC Brasil):

BBCBrasil.com | Reporter BBC | Parceria sino-brasileira criará 2ª maior usina de etanol do Brasil

 

crescimento de 5%

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Apesar de juros, Delfim prevê crescimento de 5% - 06.06.07 – Entrevista editada no site da BBC Brasil – Denize Bacoccina – De Brasília – Delfim Netto defende queda forte da taxa Selic, o que levaria a elevação do dólar. O economista Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento nos anos 70 e 80 e ex-deputado federal por cinco mandatos, diz que a discussão sobre a taxa de juros “é inútil, porque não vai mudar mesmo”. Apesar da afirmação – feita em entrevista à BBC Brasil antes do anúncio do Copom, nesta quarta-feira, sobre a redução da taxa Selic de 12,5% para 12% ao ano -, Delfim defende esta mudança, para um patamar bem menor, o que levaria a uma apreciação do dólar em relação ao real, ajudando a indústria brasileira. Mesmo assim, ele acha que o país pode crescer 5% este ano, acima das previsões do mercado e do próprio governo. O economista diz que a queda constante do dólar se deve à combinação do aumento das exportações e dos preços do commodities, com a atração de capital externo por conta dos juros altos. “Por isso é que está todo mundo aqui. Não é pelas virtudes do governo, da economia brasileira. É pelas condições que o Brasil criou”, afirma. Delfim considera exagerados os alertas de alguns economistas de que está havendo uma desindustrialização no Brasil, mas diz que alguns setores podem sofrer que se esse processo for mantido. Veja abaixo os principais trechos da entrevista que Delfim concedeu à BBC Brasil.

  • BBC Brasil – O Copom está reunido terça e quarta-feira, e a expectativa do mercado é de uma redução dos juros em meio ponto. É suficiente? O senhor acha que os juros estão no patamar adequado para a economia brasileira?

Delfim Netto – Não, os juros estão num patamar absolutamente inadequado. Mas isso, na minha opinião, é uma discussão hoje totalmente inútil. Porque não vai mudar mesmo, de forma que a gente fica perdendo tempo. Todo mundo sabe o que tinha que ser feito, eles (o Banco Central) têm um comportamento extremamente cuidadoso, inventaram até um nome pra isso. Vão baixar meio ponto depois de terem avisado na última reunião que três tinham votado contra. Conhece aquela piada que a vovó subiu no telhado? Então, é isso. De forma que esta é uma discussão totalmente irrelevante.

  • BBC Brasil – E diante deste cenário que o senhor acha que não vai mudar, qual é a discussão relevante?

Delfim Netto – A discussão relevante é que o real deveria mesmo se desvalorizar, por pelo menos dois motivos. Um é a mudança estrutural, e outro é o que está acontecendo no mundo. A mudança estrutural no Brasil é que nós éramos um grande importador de petróleo e somos hoje quase um exportador líquido. Também estamos nos beneficiando de uma elevação nos preços do commodities do mundo. E pela primeira vez esta elevação não se reflete na alta de inflação. Então, sobe o preço do commodities, nossas relações de troca melhoraram muito e teríamos uma valorização do real só por conta disso. Por outro lado, existe uma supervalorização produzida por estas operações estimuladas pelo diferencial de juros, que é combinado, no Brasil, com um excelentíssimo mercado financeiro. Então aqui se junta a fome com a vontade de comer. De um lado um diferencial de juros gigantesco e um sistema muito eficiente no mercado futuro.

  • BBC Brasil – E como fazer para mudar isso?

Delfim Netto – De novo, esta discussão é inútil. Tem que fechar esta janela, mas esta janela não vai ser fechada. A ação do Banco Central estimula o aproveitamento da janela.

  • BBC Brasil – E derrubando os juros isso automaticamente muda?

Delfim Netto – Se derrubar os juros devagarzinho só piora ainda mais. Tinha que fechar a janela de vez. O dólar não voltaria a R$ 3. O mercado ia simplesmente eliminar a supervalorização. Ninguém sabe quanto, mas em minha opinião é coisa de 10%. Mas isso tudo é chute. Aqui nós somos todos chutadores. Do jeito que está nós vamos continuar o último peru disponível no mundo. Por isso é que está todo mundo aqui. Não é pelas virtudes do governo, da economia brasileira. É pelas condições que o Brasil criou.

  • BBC Brasil – Existe um debate sobre desindustrialização. Como senhor vê isso?

Delfim Netto – Não há desindustrialização, isso é um exagero. O que há é que setores com vantagens comparativas reconhecidas durante os últimos 50 anos estão sofrendo enormemente. E o pior é que o governo diz: "é porque eles são ineficientes", e esquece que o ineficiente é o governo. Aí vem um outro gênio e diz: "é bom apertar o câmbio", porque quem sabe apertando o câmbio o governo vem e fecha os buracos das estradas. A gente quebra o setor privado pra ver se o governo faz estrada melhor, gera energia elétrica, libera os portos.

  • BBC Brasil – Qual é a sua expectativa para o crescimento neste ano e nos próximos. Vamos crescer de acordo com o previsto no PAC?

Delfim Netto – Neste ano vamos crescer em torno de 5%, em minha opinião. O PAC já cumpriu seu papel, de colocar o desenvolvimento sobre a mesa. E agora vai sendo executado. Está se aperfeiçoando o comitê gestor, está se verificando aquilo que todos nós sabíamos: que não há projetos, há rabiscos. Isso quem tem um pouco de experiência no governo sabe que quando o governo diz que ele tem um projeto, ele tem um rabisco. Agora, na hora de executar é que tem que aparecer o projeto. Eu acho que o PAC está na direção absolutamente correta. Ele tem inclusive condições de ajudar o crescimento. E vai ser em boa parte realizado, eu acho.

  • BBC Brasil – Um setor que ganhou muito destaque nos últimos meses, até por causa do PAC, é o de energia.

Delfim Netto – Esse é um problema crítico. Em minha opinião a dúvida é justificada, e enquanto o governo não convencer o setor privado de que não haverá um apagão de energia como aquele que aconteceu no governo Fernando Henrique, os investimentos privados serão feitos com muito maior cuidado e de forma muito mais seletiva. Este é um fator mais inibidor de investimento.

  • BBC Brasil – O senhor acha que o governo tem elementos para convencer o setor privado ou realmente tem uma crise?

Delfim Netto – Na verdade o governo não tem recursos para investir. Ele primeiro precisa convencer quem vai construir a usina, o que já não é fácil. E depois tem que convencer as empresas de que as usinas vão ser construídas. Se isso não for feito, nós vamos sentar e esperar.

o petróleo?

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De quem é o petróleo, afinal? – 18.03.07 – Editado do jornal O Estado de São Paulo – Antonia Juhasz* – Hoje, mais de três quartos do petróleo mundial pertencem e são controlados por governos. Nem sempre foi assim. Até 35 anos atrás, boa parte do petróleo mundial estava nas mãos de sete corporações com sede nos EUA e na Europa. Depois se fundiram em quatro: ExxonMobil, Chevron, Shell e BP. Elas estão entre os maiores e mais poderosos impérios financeiros do mundo. Mas desde que perderam seu controle exclusivo do petróleo para os governos, as companhias vêm tentando recuperá-lo. As reservas de petróleo do Iraque – consideradas as segundas maiores do mundo – sempre estiveram no topo da lista de desejos das corporações. Em 1998, Kenneth Derr, então presidente-executivo da Chevron, disse a uma platéia em San Francisco: “O Iraque possui reservas imensas de petróleo e gás – reservas às quais eu adoraria que a Chevron tivesse acesso.” – A nova legislação do petróleo a ser analisada pelo Parlamento iraquiano este mês, se aprovada, seria uma grande ajuda para as companhias petrolíferas alcançarem seu objetivo. A lei dos hidrocarbonetos do Iraque tiraria a maior parte do petróleo das mãos exclusivas do governo iraquiano e a entregaria a companhias petrolíferas estrangeiras por uma geração ou mais.

Em março de 2001, o Grupo de Desenvolvimento de uma Política Nacional de Energia (mais conhecido como a força-tarefa de energia do vice-presidente Dick Cheney), que incluiu executivos das maiores companhias de energia dos EUA, recomendou que o governo americano apoiasse iniciativas de países do Oriente Médio “para abrir áreas de seus setores de energia ao investimento estrangeiro”. A proposta lei do petróleo iraquiana resultaria em uma invasão e uma grande dose de engenharia política do governo Bush. Ele faz isso para o benefício das companhias, mas em grande detrimento da economia, democracia e soberania do Iraque.

Desde a invasão do Iraque, o governo Bush tem atuado agressivamente para a aprovação da lei do petróleo. Ela é um dos marcos reservados pelo presidente americano para o governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um fato que Bush, a secretária de Estado Condoleezza Rice, o general William Casey, o embaixador Zalmay Khalilzad e outros funcionários do governo vêm enfatizando publicamente com crescente ansiedade.

Washington tem salientado o plano de partilha da receita contido na lei, pelo qual o governo central iraquiano distribuiria a receita do petróleo por toda a nação numa base per capita. Mas os benefícios dessa proposta são radicalmente reduzidos por outras provisões da lei – estas permitem que uma boa (se não a maior) parte da receita do petróleo do Iraque saia do país e vá parar nos bolsos de companhias petrolíferas internacionais. A lei transformaria o setor de petróleo iraquiano de um modelo nacionalizado fechado a companhias de petróleo americanas por contratos de comercialização limitados (mas muito lucrativos), num setor comercial, quase privatizado, inteiramente aberto a todas as companhias internacionais de petróleo. A Companhia Nacional de Petróleo do Iraque teria o controle exclusivo de apenas 17 dos 80 campos petrolíferos conhecidos do Iraque, deixando dois terços dos campos – e de todos ainda a ser descobertos – abertos ao controle estrangeiro. As companhias estrangeiras não teriam de investir seus lucros na economia iraquiana, se associar com companhias iraquianas, contratar trabalhadores iraquianos ou partilhar novas tecnologias. Elas poderiam até se esquivar da atual “instabilidade” do Iraque assinando contratos agora, enquanto o governo iraquiano está no seu ponto mais fraco, e depois esperar ao menos dois anos antes de pôr os pés no país. A vasta maioria do petróleo iraquiano seria então deixada no subsolo durante pelo menos dois anos em vez de ser usada para o desenvolvimento econômico do país.

As companhias internacionais de petróleo também poderiam receber alguns dos contratos empresariais mais convenientes do mundo, incluindo o que chamam de acordos de partilha da produção. Esses acordos são o modelo preferido do setor petrolífero, mas são francamente rejeitados pelos principais países produtores de petróleo do Oriente Médio porque concedem contratos de longo prazo (20 a 35 anos no caso do anteprojeto de lei do Iraque) e maior controle, propriedade e lucros para as companhias do que outros modelos. Na verdade, eles são usados para apenas 12% do petróleo mundial. Os vizinhos do Iraque – Irã, Kuwait e Arábia Saudita – mantêm sistemas de petróleo nacionalizados e consideram ilegal o controle estrangeiro sobre o desenvolvimento do petróleo. Todos contratam companhias petrolíferas internacionais para prestarem serviços específicos, por um período limitado de tempo, e sem lhes conceder interesse direto no petróleo produzido. Os iraquianos podem perfeitamente optar pelo uso da experiência das empresas petrolíferas internacionais. Eles provavelmente o fariam de um modo que serviria melhor a suas necessidades se estivessem livres da grande pressão externa exercida pelo governo Bush, as corporações de petróleo – e a presença de 140 mil soldados americanos. As cinco federações sindicais do Iraque, representando centenas de milhares de trabalhadores, divulgaram uma declaração contrária à lei e rejeitando “a entrega do controle do petróleo a companhias estrangeiras, que solaparia a soberania do Estado e a dignidade do povo iraquiano”. Elas pedem mais tempo, menos pressão, e uma chance para a democracia que lhes foi prometida.

  • TRADUÇÃO DE CELSO MAURO PACIORNIK

*Antonia Juhasz, analista da Oil Change International, uma organização que acompanha o setor petrolífero, é a autora de ‘The Bush Agenda: Invading the World, One Economy at a Time’. Escreveu este artigo para ‘The New York Times’

depósitos de gelo

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Cientistas acham imensos depósitos de gelo no pólo sul de Marte – Plantão | Publicada em 15/03/2007 – Reuters / Brasil On-line – Por Will Dunham – WASHINGTON (Reuters) – Uma sonda espacial detectou enormes depósitos de gelo no pólo sul de Marte, num volume suficiente para cobrir o planeta com 11 metros de água se estivesse em estado líquido, disseram cientistas na quinta-feira. Os cientistas usaram um radar ítalo-americano a bordo da sonda Mars Express, da Agência Espacial Européia, para avaliar a profundidade e o volume dos depósitos de gelo em torno do pólo sul marciano, cobrindo uma área maior que a da Bahia. Os depósitos, com até 3,7 quilômetros de espessura, estão sob uma capa polar de dióxido de carbono e água congelados. Abaixo disso, o material parece ser composto 90 por cento de gelo, com poeira misturada, segundo as conclusões publicadas na revista Science. Os cientistas já sabiam da existência de gelo nos pólos de Marte, mas não tinham uma noção tão precisa da quantidade. Conhecer a história da água no planeta é crucial para entender se um dia houve vida ali, mesmo que microbiana. A presença de canais no solo marciano sugere que já houve água líquida. Jeffrey Plaut, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia, que dirigiu o estudo, disse que as mesmas técnicas estão sendo usadas no pólo norte de Marte, onde os dados preliminares indicam a presença de uma quantidade comparável de gelo. A vida tal qual a conhecemos exige água e, na verdade, água líquida ao menos de forma breve para que as células sobrevivam e se reproduzam. Então, se esperamos encontrar vida em Marte, precisamos ir a um local onde a água esteja disponível'', disse Plaut. Então as regiões polares são naturalmente um alvo, porque certamente sabemos que há bastante H2O ali. '' Alguns dos novos dados sugerem até a possível existência de uma fina camada de água líquida sob o gelo, na base dos depósitos. Embora as imagens feitas pela sonda Mars Global Surveyor e divulgadas em dezembro ao público já indicassem a presença de pequenas quantidades de água líquida na superfície, os pesquisadores estão surpresos com o destino de todo o resto da água – as calotas polares contêm quase toda a água conhecida do planeta.

Plaut disse que, a julgar pelas marcas geológicas, o planeta poderia no passado estar coberto com uma lâmina de centenas de metros de água, enquanto a calota polar representa uma camada de apenas dezenas de metros, quando espalhada sobre todo o planeta. Continuamos com a questão: para onde foi toda aquela água?'', indagou. Segundo ela, o que está nos pólos representa talvez 10 por cento do total, e o resto pode estar sob a superfície ou talvez tenha se perdido parcialmente no espaço por meio da atmosfera.

 

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