Um Tiro no Futuro - Especial - Revista Carta Capital - 28.01.07 - por Phydia de Athayde - Editado no blog do Noblat - Novos levantamentos sobre a vitimização de jovens brasileiros indicam que uma geração inteira está sendo aniquilada. A sociedade paga, e pagará, por isso. Nas últimas semanas, o Brasil teve chance de ficar a par dos mais recentes números sobre a mortalidade de jovens no País. Alguns levantamentos foram anunciados com pouco alarde, outros sem nenhum, enquanto um olhar atento a essas estatísticas leva a pelo menos três conclusões alarmantes. A primeira: conquistas com a redução da taxa de mortalidade infantil nas últimas duas décadas possa se anular pelo crescimento de 306% nas taxas de homicídios de jovens até 19 anos. A segunda: a perda de jovens no Brasil deixou de ser um problema de segurança pública para tornar-se questão de saúde pública. A terceira: nossa taxa de mortes por arma de fogo é de 43,1 por 100 mil jovens entre 15 e 24 anos. Em um ranking mundial desse tipo de morte, o Brasil ocuparia o primeiro lugar. Por trás de números alarmantes, evidentemente, está a brutal desigualdade social e a vergonhosa distribuição de renda que mantêm o País dividido. Uma minoria escapa dessas estatísticas enquanto milhares de jovens, parte da massa dos menos privilegiados, são aniquilados. Esses, essencialmente pobres e moradores das periferias, quase sempre negros.
No diálogo a seguir, um jovem dentro desse perfil conta um pouco de sua história:
– Como você entrou no tráfico?
– Comecei aos 12 anos. A polícia invadiu minha casa sem mandado de busca, cismou que era um lugar suspeito. Botou minha irmã e minha mãe peladas, todo mundo pelado, e me bateu na frente da minha família. Aquilo e várias outras coisas que eu ouvia de meus amigos, um foi preso sem ter nada a ver com o tráfico, me deixaram revoltado.
– O que o fez permanecer? (Veja o texto completo indo a Páginas ou clique no hyperlink a seguir: Um tiro no futuro — CartaCapital ).