Cume - Escalando Montanhas

30/10/2006

Lula reeleito

Arquivado em: Artigos, Textos Especiais — hilltop @ 03:27
Lula_2006 Presidente Lula reeleito
A incrível fé de Lula - Maílson da Nóbrega - 29/10/2006 - No segundo turno das eleições, Lula retomou o velho discurso estatizante do PT e acentuou a visão benigna de si mesmo. Num ato de fé, disse que preparou o País para crescer 7% ao ano. Infelizmente, a fé remove montanhas apenas na Bíblia. Se reeleito hoje, como parece, Lula terá quatro anos para provar a sua tese. Dificilmente conseguirá. Seu mérito foi preservar a estabilidade. Mudou o discurso e resistiu aos apelos por uma guinada na política econômica. Foi muito, mas não o suficiente para fazer o Brasil crescer mais. Por manter e reforçar as linhas básicas da política econômica, Lula fez por merecer os benefícios eleitorais e do crescimento do PIB, da renda e do emprego (ainda que em níveis modestos), da baixa inflação e do espaço para ampliar o Bolsa-Família. Lula parece ter aprendido o nexo entre estabilidade e política monetária. Nisso, se diferencia da maioria de seus companheiros do PT (que ainda sonham com outra política econômica) e de políticos latino-americanos que levaram seus países ao caos inflacionário e à bancarrota. Veja o texto completo indo a "páginas".

One Response to “Lula reeleito”

  1. Iran Rocha Says:

    Reeleito com votação realmente espetacular, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu primeiro pronunciamento, garantiu publicamente que aprendeu muito e que, por isso mesmo, errará menos. Criou, com isso, expectativa otimista, inclusive, entre adversários ferrenhos. Sobretudo, quando assegurou que o Brasil, no ano que vem, terá crescimento de 5 por cento no Produto Interno Bruto. Curiosamente, após as primeiras reflexões que puderam ser feitas, imagina-se, afinal, por que o presidente já não começa a apresentar crescimentos significativos da economia neste ano mesmo. Qual a razão que o levaria, na sua fala entusiástica, a afirmar que vida boa só a partir do ano que vem? Ou foi apenas e tão-somente arroubo de quem ganhou uma eleição na maior moleza, ou foi algo efetivamente crível. Esse é o grande problema. Não nos parece que o presidente reeleito tenha tanta certeza de sua promessa eufórica. É certo que a vida dos brasileiros mais pobres melhorou. A vida dos banqueiros, melhorou ainda muito mais. Mas a chamada classe média continua vivendo momentos de grandes dificuldades. Até mesmo na fase de transição de classe B para a C e da C para a D. Na área comercial, a enorme e massacrante carga tributária, a maior de toda a história brasileira, continua impedindo que o PIB cresça. E prossegue mantendo a economia fortemente encolhida. Não há como crescer caso não sejam adotadas medidas que promovam a redução rápida da carga tributária. Por isso, não é possível acreditar que o presidente tenha feito seu discurso com bases reais. Não há dúvidas de que os juros (taxa Selic) apresentaram fortes reduções nos últimos meses. Quando assumiu, Lula herdou taxa altíssima, na ordem de 28 por cento. Hoje não chega a 14 por cento e a inflação está, aparentemente, controlada. Entre os problemas mais graves que Lula deverá enfrentar no seu segundo Governo está a redução da safra de grãos em vários setores, o que poderá provocar aumento de preços fortíssimo para os consumidores. A política de importação poderá prejudicar o superávit na área das exportações e, a partir daí, a vaca estará caminhando para o brejo. Economia é coisa séria. Não se pode, simplesmente porque se chegou a uma vitória massacrante, achar que acontecerá o mesmo em relação à economia. Fosse isso tão fácil, tão natural e automático, não haveria motivos para mais preocupações. Promover o crescimento econômico na base do grito, só na imaginação dos que, contaminados pelo otimismo da vitória, acham que tudo vai dar certo só porque se conseguiu novo mandato. Por enquanto, não há razões claras para comemorar. O medo de muitos é de que, a partir do ano que vem, existam muito mais motivos para chorar.

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